segunda-feira, 7 de abril de 2008

Esoterismo cristão - Introdução

Compreender :


Desde os primeiros séculos de nossa era, os Pais da Igreja desenvolveram temas esotéricos. Redescoberto na Renascênça, o esoterismo cristão inspirarà muitas correntes de pensamento, condenadas pela ortodoxia, reabilitadas atualmente por alguns teòlogos.


O Esoterismo cristão

O esoterismo tem mà reputação nos meios cristãos, sobretudo quando ele se diz cristão. Nòs podemos distinguir duas formas de esoterismo cristão. Primeiro, um esoterismo que propõe uma sorte de cristianismo paralelo, sem grande relação com a fé e as doutrinas comuns. È o caso, por exemplo, da l'anthroposophie de Rudolf Steiner ou da maioria das correntes atuais da Rose-Croix. Essa forma de esoterismo é bem mais um cristianismo esotérico do que um esoterismo cristão, que, no senso exato, se apresenta como a dimensão interior do cristianismo e uma aproximação particular deste ùltimo.


Gnose e gnosticisme.

O esoterismo cristão não foi sempre rejeitado pelas Igrejas. Com efeito, o esoterismo que aparecia na Renascênça pesquisava suas informações nas fontes mais antigas, e vàrias delas estavam integradas na teologia e na filosofia cristãs. Vàrios Pais da Igreja dos primeiros séculos, como Clément d'Alexandrie, afirmaram a existência de um ensinamento secreto transmitido pelo Cristo a seus apòstolos, em seguida transmitido por eles a outras pessoas, no interior da Igreja. Esse ensinamento teria portado certos dados reservados relativos à pessoa do Cristo, os mundos angélicos, o conhecimento de Deus e a viagem da alma. Ele propunha assim uma leitura das Escrituras, em vàrios graus e voluntariamente simbòlica, que conduzia a um conhecimento superior e transformador ( uma gnose ) dos mistérios do cristianismo vivenciados na fé e na caridade. Os Pais ( como saint Irénée de Lyon ) distinguiam essa gnose conforme à fé cristã, de uma falsa gnose herética ( gnosticisme ), segundo a qual o indivìduo se salvaria ele mesmo, unicamente pelo conhecimento, sem que sua fé ou sua pràtica moral intervenham.
Na Idade Media, muitas vezes na lignée dos textos platônicos que concedia um lugar especial à natureza. Nòs notamos também um grande interesse pela astrologia, pela alquimia e certas formas de magia dita "natural", para distingui-la de uma magia que invocaria entidades angélicas ou demonìacas. Apareciam ainda tentativas de propor vastas anàlises sistemàticas do saber. Algumas integram elementos de filosofia da història ( as vezes profética ) ou da natureza ( insistindo nos fenômenos extraordinàrios ), chaves universais de interpretação, ou procedimentos de aprendizado, como as artes da memòria, retomadas e desenvolvidas em seguida pelos esoteristas.
Todavia, com uma certa rapidez, essas sìnteses foram battues en brèche por uma divisão mais compartimentada das disciplinas: a teologia torna-se uma arte de controvérsia lògica, a filosofia se retira no mundo natural, a magia natural é diabolizada, a astrologia é denunciada como contrària à liberdade humana.
È então que na Renascença, em reação contra essa desagregação, os primeiros esoteristas acreditaram reconhecer nas diversas correntes (platonisme e neoplatonisme, pythagorisme, hermétisme, kabbale) uma sabedoria que, segundo eles, anunciava o cristianismo e era capaz de revivifica-lo. As crìticas não demoraram: esses esoteristas corrompiam o cristianismo introduzindo nele a idolatria pagã e a "perfidie judaïque". O interesse da controvérsia era o statut das tradições préchrétiennes : elas tinham a mesma origem que o cristianismo e conduziam a ele ? Os esoteristas, indo pesquisar em outras fontes diferentes das instituições universitàrias e religiosas, e com outros métodos, contribuiram para distinguir o esoterismo da teologia e da filosofia. Ele se desenvolveu então como um domìnio especìfico, incluindo quando as novas ciências fìsicas sapèrent o cosmos simbòlico dos esoteristas, e que os historiadores demonstraram que os textos antigos não anunciavam o cristianismo.



As Igrejas diante dos esoteristas

A kabbale cristã continua então mais discretamente seu caminho na Igreja catòlica, inspirando em particular o chevalier Drach, rabbin convertido ao cristianismo, que recorreu a ele ainda na primeira metade do século XIX para convencer seus antigos coreligionnaires que as verdades do cristianismo jà estavam presentes no judaìsmo original.A partir do século XVI se desenvolveu uma corrente teosòfica propondo uma leitura mìstica das narrações bìblicas. Seus representantes germaniques ou nordiques foram de uma maneira geral contestados por suas Igrejas (luthériennes). Mas seus herdeiros catòlicos em particular os illuministes do fim do século XVIII, foram melhor acolhidos. Essa corrente théosophique inspirou também alguns orthodoxes mais pròximos de nossa época ( Soloviev e Berdiacv).
Pesquisando amplamente na Bìblia e nos sìmbolos cristãos, a franc-maçonnerie não queria privilegiar nenhuma Igreja, nenhuma religião. En outre, sua pràtica do segredo era julgada perigosa. Por essas razões ela foi condenada pela Igreja catòlica desde 1738. Em seguida, outros motivos de reprovação foram formulados, que, pelo essencial, eram relativos à questão da iniciação. Vivenciada como uma transmissão ritual dos sìmbolos, a iniciação é essencial para a maçonaria: é sobre ela que se funda a distinção entre o membro (o iniciado) e o não-membro (o profano); é por ela que é presumido se operar a transmutação da pessoa. Na decennie 1980, vàrias Igrejas cristães utilizaram esse argumento para considerar que a iniciação maçônica era uma autorealização da pessoa, concurrente da transformação operada pela graça divina.
As dificuldades provocadas pela iniciação coincidiram com uma outra thématique da crìtica do esoterismo, a do gnosticisme, essa falsa gnose que jà denunciavam os Pais. Aplicada ao conjunto do esoterismo, a categoria do gnosticisme permite de condena-lo totalmente: o gnosticisme é herético; o esoterismo é gnostique; então o esoterismo é herético.


Exclusão e repatriação


Todavia, para que o esoterismo seja compreendido como uma ùnica doutrina, e reprovado como tal, foi preciso que aparecessem, no século XIX, o espiritismo e a Sociedade théosophique. Ele foram condenados pela Igreja catòlica pela pretensão deles de ser uma ciência total que surplomberait as religiões. Por causa do sucesso deles, o espiritismo e , mais ainda, o théosophisme foram considerados como modelos do esoterismo. A questão do esoterismo cristão encontrou nele a posteriori sua resposta: o esoterismo seria fundamentalmente uma ciência gnostique e suprareligiosa, radicalmente estrangeira ao cristianismo.
Portanto, nos anos 1980, o teòlogo catòlico Hans Urs von Balthasar, préfaçant as Méditations sur les vingt-deux arcanes majeurs du tarot escrito pelo anthroposophe Valentin Tomberg, louvava seu esforço de " repatriação" das sabedorias esotéricas no cristianismo. Repatriação: é então que houve, pelo menos parcialmente, uma expatriação préalable. Se apoiando particularmente nas Escrituras judias e cristães, canoniques e aprocryphes, assim que no depoimento de vàrios Pais da Igreja, o exégète luthérien Joachim Jeremias, o teòlogo catòlico Jean Daniélou, o franciscano Emanuele Testa, a bibliste Margaret Barker, entre outros, consideraram recentemente a possibilidade històrica de um esoterismo cristão contemporâneo do Cristo e presente no seu ensinamento. Se bem que, nesse ponto, a argumentação deles não consiga ultrapassar o estado da hipòtese, ela tem entretanto o mérito de conservar aberta a questão de um esoterismo propriamente cristão.


- Jérôme Rousse-Lacordaire, dominicano e historiador, diretor da biblioteca do Saulchoir ( ciências religiosas ), ensina a història do esoterismo no instituto catòlico de Paris. È o autor do livro Jésus dans la tradition maçonnique ( Desclée de Brouwer, 2003)

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