segunda-feira, 31 de março de 2008

QUE PAÍS É ESTE

Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é este”

A profusão, a bazófia, as especulações, a voracidade dos apetites dos gananciosos, a doença do egoísmo, os interesses econômicos, o tráfico de influência, demonstram visivelmente a corrupção que campeia o poder estatal. Desde os menos graduados até os funcionários mais influentes, como disse o saudoso poeta, “sujeira pra todo lado”. Em que pese o sensacionalismo da mídia, a opinião pública, indignada, assiste perplexa um mar de escândalos, desiludida com a certeza da total impunidade dos poderosos. São raros os casos de ‘figurões’ que são processados e condenados. Regra quase que absoluta é o resguardo dos poderosos, revelando a cumplicidade da camada dominante da sociedade.
Corriqueiramente os políticos influentes transformam o dinheiro público em benefícios pessoais. Do mais influente ao afiliado político, deixando os pequenos desentendimentos de lado, uma fabulosa rede de corrupção transforma práticas ocultas e ilícitas em condutas institucionalizadas. Sonegação de impostos, falsidade ideológica, abuso do poder econômico, fraude eleitoral, notas frias, caixa dois, entre outros delitos, nos bastidores da máfia pública, quem pode mais chora menos. Eventuais condenações transitadas em julgado – criminais, por atos de improbidade administrativa, entre outras – não chegam a incomodar. Basta o Senado e a Câmara dos Deputados aprovarem mais uma anistia perdoando a todos.
Tudo é festa no mundo dos poderosos. A gráfica do Senado realiza impressões oficiais e particulares, estando a livre disposição dos senadores. O Congressista mais abastado ‘comprova’ sua grande sorte com reiteradas premiações na loteria. O favorecimento da empreiteira da família do Senador é obrigação a ser satisfeita pelo Prefeito, se não aquele pode ficar furioso.

Preocupados com a crescente, infelizmente ainda reduzida apuração da corrupção no Poder Público, após condenarem publicamente o Judiciário, querem amarrar o Ministério Público, afastando sua independência política e autonomia financeira. Combatem um teto salarial decente e único, para, usando de uma artimanha, duplicar um teto salarial supostamente mais baixo, brigando ainda, demagogicamente, pelo aumento de um salário mínimo quase inexistente. A imoralidade de auxílios e gratificações atinge indistintamente a todos.
Educação, saúde, trabalho, lazer e segurança são direitos sociais lembrados somente em época de campanha. A compra descarada de votos se dá através das mais variadas formas: o fornecimento de tijolos, telhas, ou mesmo uma carrada de brita ou areia. Para o eleitor mais chegado necessário um cargo em comissão, já para o eleitor miserável apenas um pedaço de pão. Se não tiver dentes, sem problemas, é premiado com uma dentadura, metade na hora, outra futuramente. Basta trazer consigo o número do candidato eleito na mão.

“Terceiro mundo se for
Picada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios em um leilão
Que país é este”

Affonso Ghizzo Neto

http://www.buscalegis.ufsc.br/corrupcaobrasil/agn.htm

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