sábado, 17 de fevereiro de 2007

Membros da CTNBio testemunham 'contaminação transgênica' em Brasília



Ativistas do Greenpeace alertam para o perigo de se contaminar a biodiversidade de milho brasileira com a liberação comercial de variedades geneticamente modificadas. Relatório lançado na capital federal traz 10 anos de contaminação de diversas espécies no mundo. Os membros da CTNBio tiveram nesta quarta-feira, em Brasília, uma pequena mostra do que pode acontecer com nossas plantações de milho em caso de uma contaminação genética da espécie no país.Do café-da-manhã no hotel ao início da reunião que teriam na Agência Nacional das Águas para discutir cinco pedidos de liberação comercial de milho transgênico no Brasil, os membros da CTNBio tiveram a incômoda companhia de dezenas de 'milhos geneticamente modificados' - nossos ativistas devidamente caracterizados.A ação que contou com 60 ativistas do Greenpeace começou às 7h30, no restaurante do Hotel Alvorada, onde os membros da CTNBio estavam hospedados. Ao descerem de seus quartos para o restaurante, encontraram 'milhos transgênicos' tomando café, lendo jornais nos sofás e circulando pelo saguão de entrada do hotel.Um carro de som foi usado para passar, repetidamente, a mensagem do Greenpeace e de todos que pedem mais precaução e estudos sobre os impactos negativos da liberação de organismos geneticamente modificados na natureza.Uma das integrantes da CTNBio se exaltou com a presença de tantos 'milhos transgênicos' e bradou em alto e bom som porque considerava inútil o protesto do Greenpeace."Já está tudo decidido. Vocês não vão mudar nada."Relatório mostra 10 anos de contaminações pelo mundo A 'contaminação transgênica' se alastrou pelas ruas da cidade, no trajeto que a van dos membros da CTNBio fez do hotel até o local da reunião. A cada sinal fechado ou tráfego mais intenso, a van era cercada por inúmeros 'milhos transgênicos' que circulavam com cartazes pedindo a não aprovação das variedades geneticamente modificadas.Ao chegar na Agência Nacional das Águas, por volta das 9 horas (horário marcado para o início da reunião), os ocupantes da van receberam cópias do relatório Registros de Contaminação Transgênica - 2006, que traz informações sobre os 10 anos de problemas causados em todo o mundo por essa tecnologia.De 1996 até hoje, foram documentados 142 casos de contaminação em diversos países, 35% deles referentes a variedades de milho geneticamente modificados. O relatório será lançado internacionalmente, em parceria com a rede GeneWatch, do Reino Unido, na próxima segunda-feira, dia 19 de fevereiro.“O fato é que a biotecnologia está completamente fora de controle. Nem as empresas e nem os governos estão preparados para colocar em prática medidas que garantam a biossegurança do país. Os membros da CTNBio não podem fechar os olhos para as evidências contidas nesse relatório, assim como não podem ignorar os mais de 70% dos brasileiros que não querem comer transgênicos”, disse Gabriela.“O que aconteceu hoje em Brasília é uma representação fiel do que pode acontecer com o Brasil todo caso o milho transgênico seja liberado”, alertou Gabriela Vuolo, coordenadora de campanha de engenharia genética do Greenpeace Brasil. “A contaminação genética no caso do milho é muito grave, e uma vez aprovada, a variedade transgênica pode aparecer nos locais mais inesperados e indesejados possíveis. O milho geneticamente modificado é um ser vivo e será impossível controlar sua dispersão”.Desde o dia 6 de fevereiro, o Greenpeace disponibilizou em seu site ciberação, no qual os internautas podem enviar uma mensagem aos 54 cientistas da CTNBio (27 titulares e 27 suplentes), pedindo para que não aprovem as variedades transgênicas e exigindo o direito de consumir alimentos saudáveis. Além disso, voluntários de sete capitais brasileiras realizaram atividades nos últimos dias, exigindo biossegurança e levando informações sobre a CTNBio para as populações de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Manaus, Brasília e Salvador.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Amazônia Para Sempre

Durante as gravações da minissérie "Amazônia" artistas tiveram contato com a dura realidade de nossa floresta. Constataram o efetivo desflorestamento que a Amazônia vem sofrendo. Sensibilizados com isto, resolveram criar um manifesto em prol da Floresta.“...Um país que tem 165.000 km2 de área desflorestada, abandonada ou semi-abandonada, pode dobrar a sua produção de grãos sem a necessidade de derrubar uma única árvore. É urgente que nos tornemos responsáveis pelo gerenciamento do que resta dos nossos valiosos recursos naturais.Portanto, a nosso ver, como único procedimento cabível para desacelerar os efeitos quase irreversíveis da devastação, segundo o que determina o § 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, onde se lê: "A Floresta Amazônica brasileira é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro das condições que assegurem preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais"...”Leia e assine o manifesto no site : www.amazoniaparasempre.com.br

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Thomas Hobbes - Direito natural e legitimidade da autoridade

"Seria incongruente de descrever Thomas Hobbes (1588 - 1679) como um filòsofo liberal.È pourtanto na sua obra principal, le "Leviathan",que paradoxalmente, nasce a doutrina dos direitos individuais inalienàveis.Teorico da soberania absoluta, Hobbes pensa em um mesmo movimento os direitos em que não é concebìvel a um homem de se despojar e que nenhum poder tanto quanto vasto ele seja,não poderia jamais apagar.O liberalismo não teria se constituìdo sem esse fundamento filosòfico.A democracia encontra nesse fundamento um de seus maiores pontos de apoio.
[...]Em 1640,quando começa a primeira revolução inglesa,Hobbes exila-se na França.Ele volta em 1651 em uma Inglaterra que tornou-se repùblica.Ele falece em 1679,nove anos apenas antes da "Gloriosa Revolução" que farà passar a Inglaterra em uma nova era constitucional.

[...] Estado de natureza e Combate.

O projeto de Hobbes parte de uma antropologia que demonstra que as paixões humanas, guiadas pela preucupação de si-mesmo,são causas de conflito perpétuos.A hipòtese de um estado de natureza no qual não existiria nenhum poder reconhecido lhe permite de reconstituir a emergencia da sociedade : o direito que os indivìduos podem reivindicar sobre todas as coisas engenha a desconfiança mùtua; a razão os incita a antecipar as agressões atravéis um ataque contra ele;a "meia igualdade" de forças que existe entre eles assegura a perpetuidade dessa condição de guerra de todos contra todos.O ùnico meio de escapar a essa situação é de passar um contrato no qual cada um renunciarà a seu direito a tudo e avalisarà antecipadamente os atos de uma instância soberana - homem ou assembleia - E que a missão serà de garantir a paz.
Desse contrato nasce a sociedade civil.Esta não é natural ao homem que, contrariamente ao que tinha afirmado Aristote,não é nesse caso uma criatura social.Artifìcio racional,ele responde a um calculo de avantagens.
Sua existência é indissociàvel da existência do soberano de quem é logicamente necessàrio que ele tenha todo poder para cumprir sua função pacificadora.
Mas essa instauração contratual da autoridade, que implica uma renunciação a nossa liberdade natural um assentimento antecipado aos atos do soberano,não pode significar o abandono dos direitos ligados a nossa condição de homem.Alienar, por escolha ou pela força, nosso direito a defender nossa vida e os meios de preserva-la de maneira a realisar nossa idéia da felicidade seria contrària a nossa natureza e ao fim para o qual nòs aceitamos as disciplinas da sociedade.Uma tal decisão deveria ser considerada como nula.O desejo de segurança nos leva à submissão e fixa ao mesmo tempo o limite do que o poder polìltico pode nos impor.Hobbes desenha assim o horizonte da democracia liberal."
- F.L. - Le Point - France - 2007

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

" O fim que visa a submissão, é a proteção "

" Cada vez que um homem transmite seu direito ou renuncia a ele,é ou em consideração de algum direito que lhe é reciprocamente transmitido,ou é por causa de algum outro bem que ele espera por esse motivo.È com efeito um ato voluntàrio, e o objeto dos atos voluntàrios de cada homem é algum bem para ele-mesmo.È por essa razão que existem certos direitos, que são tão importantes que nòs não podemos conceber que nenhum homem os tenha abandonado ou transmitido atravéis de alguma palavra, seja ela qual for, ou por outros sinais.Assim, para começar, um homem não pode se desfazer do direito de resistir àqueles que o atacam de força viva para lhe tirar a vida: pois nòs não saberìamos conceber que ele visa dessa maneira algum bem para ele-mesmo.Nòs podemos falar da mesma maneira, das feridas,das correntes e do encarceramento,porque não existem avantagens consecutivas ao fato de sofrer essas coisas ( como existem no fato de sofrer quando o outro é ferido ou encarcerado),e porque não é possìvel de dizer, quando vocês vêem pessoas utilizarem a violência contra vocês, se elas procuram a morte de vocês ou não.
Enfim, o motivo e o fim que dão lugares ao fato de renunciar a um direito e de o transmiti-lo, nada mais é do que a segurança do arrendador,tanto para o que é relativo a sua vida,quanto para os meios de conserva-la dentro das condições que não a tornariam penosas para suporta-la.
Por essa razão, se um homem, atravéis a palavra ou outros sinais,parece despojar-se do fim para o qual esses sinais são destinados, nòs não devemos compreender como se fosse bom o que ele quis dizer,e que esta foi a sua vontade, mais concluir que ele ignorava como essas palavras e essas ações deveriam ser interpretadas.
[...] Uma convenção que estipula que devemos nos acusar a nòs-mesmos,sem ser assegurados de uma isenção de pena, é igualmente invàlida.Com efeito,no estado natural, onde cada um é juiz, a acusação não està em seu lugar; e no estado civil, a acusação é seguida de um castigo; ora, o castigo sendo uma violência, ninguém é obrigado de não resistir a ele.A mesma coisa também é verdadeira quando a acusação é relativa àqueles de quem a condenação vos mergulharia no desespero: um pai, uma esposa, um bemfeitor.
Com efeito,se a testemunha de um tal acusador não é trazida espontaneamente,nòs devemos presumir que sua pròpria natureza é na realidade um testemunho corrompido:Então, ele não deve ser aceito. E quando o testemunho de um homem não deve ser aceito, ele não é obrigado de o dar.Da mesma maneira, as acusações proferidas sob a tortura não devem ser aceitas como testemunho. Com efeito, a tortura sò deve ser empregada que como um instrumento de conjetura, uma luz para a investigação ulterior e a procura da verdade;o que é confessado nesse caso leva ao alìvio daquele que torturamos, e não à informação dos torturadores; é por essa razão que esse testemunho não deve ser aceito como suficiente:que nòs nos liberemos na realidade por uma verdadeira ou falsa acusação, é em virtude de preservar nossa pròpria vida que nòs o fazemos."

- Thomas Hobbes - Leviathan ( 1661), Cap. XIV, Trad.F. Tricaud, Sirey, 1971 -

" A obrigação que os sùditos tem perante o soberano é reputada durar "muito tempo" - quer dizer - o tempo que o poder que lhe foi confiado e perante o qual ele se revela apto para proteger seus sùditos.Com efeito, o direito que os homens tem, pela pròpria natureza, de se proteger, quando nenhuma outra pessoa pode faze-lo, é um direito que não podemos abandonar por nenhuma convenção.A soberania é a alma da Repùblica : uma vez separada do corpo,essa alma cessa de imprimir seu movimento aos membros. O fim que visa a submissão, é a proteção: essa proteção,qualquer que seja o lugar onde os homens a vêem residir,que seja na sua pròpria espada ou na espada do outro, é em direção dela que a natureza conduz sua submissão, é em direção dela, pela pròpria natureza, que os homens se esforçam de a fazer durar."

- Idem - Cap.XXI -

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Manifesto Contra a anistia de José Dirceu

Assine o Manifesto CONTRA a anistia de José DirceuO ex-deputado, ex-ministro, coordenador de todo o esquema de corrupção que manchou a imagem do Congresso Nacional e da Presidência da República (mensalão, valerioduto etc.), está trabalhando avidamente para obter sua anistia (perdão).José Dirceu já começou a coletar as assinaturas necessárias para fazer um projeto de lei de iniciativa popular em favor do perdão da pena de inelegibilidade que lhe foi aplicada pelo Congresso Nacional. Ele não está poupando esforços para que esse projeto saia do papel. Está mobilizando recursos que nós não temos, mas que ele tem, saídos sabe-se muito bem de onde.Mas nós podemos impedir que José Dirceu seja anistiado com a simples força de nosso brado. Se José Dirceu precisa de um milhão de assinaturas, nós lhe daremos DOIS milhões. Só que CONTRÁRIAS ao seu projeto hediondo.Assine a petição, deixe seu comentário e DIVULGUE O QUANTO PUDER! Vamos coletar DOIS MILHÕES de assinaturas!PETIÇÃO >http://www.gopetition.com/online/11104.htmlComunidade no Orkuthttp://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=27345267Arquivo Excel com os dados do seu deputado > http://www2.camara.gov.br/internet/deputados/arquivo

Lula diz que meio ambiente será tema de conversa com Bush

Da Agência Brasil

12/02/2007
09h20
-O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar nesta segunda-feira, no programa Café com presidente, medidas dos países ricos para a preservação do meio ambiente e redução da emissão de gás carbônico. Segundo ele, o assunto será tema de conversa com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, durante visita que o norte-americano fará ao Brasil, em março.
"Vamos conversar. Esse é um dos assuntos que vamos conversar com o presidente Bush", disse Lula, que também pretende levar a discussão para a reunião do G-8, em julho na Alemanha.

“O que nós queremos é, além de preservar as nossas matas, que é obrigação nossa para melhorar a garantia de vida do nosso povo, explorar floresta da forma mais civilizada possível com o manejo correto da floresta e, ao mesmo tempo, fazer uma forte cobrança para que os países ricos diminuam a emissão de gás carbônico.”

O presidente citou estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que revela o desmatamento no mundo. De acordo com essa pesquisa, Europa teria hoje apenas 0,3% da mata que tinha há oito mil anos. A América do Norte, 32% Já o Brasil teria 69% das florestas que tinha há oito mil anos.

“O Brasil tem autoridade moral e política para exigir que os países ricos, em vez de ficarem produzindo protocolos que depois não assinam, cumpram com a sua obrigação de despoluir o planeta. Nós faremos a nossa parte, agora, é preciso que eles façam a deles.”

fonte: CorreiWeb - Correio Braziliense

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Poema para João

Por João Batista do Lago

Para ele a vida era apenas um começo!
Tudo era descoberta. Tudo.
Mas a algoz violência calou João.
João está mudo!
Antes mesmo do deserto da vida calaram João.
Mataram João.
Agora João, a esperança, está mudo.
Agora tudo está mudo.

O calvário de João
Tomado de assalto pelo ladrão, que
Sem qualquer perdão
Arrastou o corpo de João pela
Cidade Maravilhosa,
Começou no semáforo,
Anticorpo das artérias da cidade...
Da cidade de João.

Chicoteado pelo asfalto,
Arrastado pelo sonho do consumo,
João desfilava sua dor
Entre os gritos das gentes:
- Párem... párem... párem,
Pelo amor de Deus, párem!
Mas Deus não estava ali
Para salvar o pequeno João.

Golias venceu Davi!
Agora João está mudo, e
Não está mais aqui, e
Não terá mais o Rio para
Batizar a Vida, e
Não terá mais o mundo – este deserto
-,Para deblaterar contra
A insensatez da miséria.
Quanta pilhéria nos
Revela o calvário do pequeno João!
João está mudo,
Mas se instala em cada coração
Para dizer a toda gente:
- prestem atenção senhores dono do mundo,
Eles não têm razão, e vós, que razões querem ter?
Escutai, escutai com coragem a voz do Ser.

Ah, João não está mudo!
João agora é cada um... é cada ser.
E cada João não quer esquecer
Que em cada ser há um “bom” ladrão...
Ladrões de joões e josés, de marias e madalenas
Que revelam em suas cantilenas
O sofrimento da hora, da agonia de agora,
Mas logo em seguida esquecem a Maria que chora.

João não está mudo!
Está plantado no alto do morro,
De braços abertos, está
Gritando ao mundo, está
Pedindo socorro, está
A toda gente, a todo crente,
E aos donos do mundo, está
Dizendo: menos riqueza... dai conta da miséria e da pobreza.

John Milton e a liberdade de publicar

" Certamente, eu concedo que é da mais alta importância para a Igreja e o Estado de manter um olhar vigilante na conduta dos Livros e dos homens; em seguida, se eles forem malfeitores, de prende-los,de encarcera-los, de submete-los a mais severa justiça; pois os Livros não são de maneira alguma coisas absolutamente mortas: neles estão uma potencia de vida tão prolìfera quanto a alma de onde eles são oriundos;que digo, eles conservam como em um frasco o extrato mais puro e toda eficàcia dessa inteligencia viva que lhes deu nascimento.Eu os sei tão vivos,tão poderosamente fecundos que os dentes do Dragão da fàbula:em um campo assim tão semeado talvez jorre guerreiros armados.Todavia devemos tambem reflechir que se operamos sem circunspecção, estão seria,quase matar um Homem que matar um bom Livro;quem mata um Homem mata uma criatura de razão a imagem de Deus;mais aquele que destròi um bom Livro mata a razão ela-mesma,mata a Imagem e como o olhar de Deus.Mais de um homem vive que é apenas um fardo para a terra;mas um bom Livro é o sangue vital de um espìrito superior,tesouro precioso embalsamado e guardado a desenho,em vista de uma vida que depassa a vida.È verdade que nenhuma idade pode ressuscitar uma vida,o que talvez não seja uma grande perda;da mesma maneira o curso das idades encontra raramente uma verdade repelida e em seguida perdida:mas a essa carência corresponde a ruìna de Nações inteiras.Então sejamos circunspectos, reflechindo a persecução desencadeada por nòs contra as obras vivas dos homens da cidade,a essa destruição de uma vida humana,amadurecida,em seguida conservada e acumulada nos Livros:pois nòs vemos bem que podemos dessa maneira nos tornar culpados de uma sorte de homicìdio,as vezes mesmo de martìrio, - e se isso estende-se a impressão inteira,podemos falar de massacre:crime que não se limita ao aniquilamento de uma vida vegetativa,mais atinge a quintessência espiritual, o sopro de vida da pròpria razão:é ser assassino da imortalidade,e não um simples assassino. [...]Em consequência,eu acredito que Deus, no dia em que ele liberou de toda restrição o alimento dos corpos (sempre com essa reserva das regras da temperança),deixou tambem e como antes o regime e a alimentação de nosso espìrito ao nosso livre arbìtrio:pois é aì que todo homem feito poderà vir exercer sua faculdade diretiva.[...]Se toda ação boa ou mà na nossa idade moderna devesse ser racionada,ordenada,contrariada,a virtude seria outra coisa que um tìtulo? Qual louvação mereceria então nossa boa conduta,qual vontade nòs teriamos de ser sòbrios,justos ou castos? Numerosos são aqueles que censuram a divina Providência de ter tolerado a transgressão de Adão:conversas insensatas! Quando Deus lhe deu a razão,ele lhe deu a liberdade de escolha;pois razão é escolha;senão ele sò teria sido um Adão artificial como nòs vemos nas marionetes.[...]Que avantagem teria o adulto sobre o estudante,se nòs sò escapamos a autoridade magistral que para recair sob a batuta de um "Imprimatur "? Se as profundas, as obras perfeitas,rebaixadas ao nìvel de uma còpia escolar submissa ao olho do Mestre,sò devem se exprimir que sob o contrôle açodado de um censor,tão prudente para ele de que ele é apressado para nòs? O homem a quem nòs recusamos crédito em suas pròprias ações,quando não sabemos nele nenhuma tendência mà, e pronto a afrontar a lei e suas repreensões,não tem motivo de acreditar-se obrigado,ao paìs de seu nascimento, por outro que um tolo ou que um estrangeiro.[...] Todo ser tendo que reflechir sabe que nossa fé e nosso conhecimento,da mesma maneira que nossos membros e nossa constituição,se fortificam com o exercìcio.A Escritura compara a Verdade a uma fonte jorrando;se a vaga de suas àguas não avançam sem cessar,estas degeneram em um charco lamacento de conformismo e de tradição."

- John Milton - Areopagitica, Pela liberdade de imprimir sem autorização nem censura ( 1644 ),Trad.O.Lutand,Aubier,1956 -

- Le Point - France - Jan,fev. 2007 -

" A admiração que em todas as épocas os defensores da liberdade de expressão tiveram pela Areopagitica de John Milton ( 1608 - 1674 ), o uso que eles fizeram adaptando esse texto ou o traduzindo,sublinham sua duràvel pertinencia no debate sobre os perigos e os malefìcios da censura.Fruto de circunstâncias que parecem longìquas - a revolução inglesa dos anos 1640 - ,expressão de um pensamento profundamente marcado pelas preucupações religiosas,esse texto constitue uma defesa inigualàvel a favor da liberdade de publicar.Sem dùvida sua força vem da elevação do pensamento,que não poderia surpreender no autor do "Paraìso perdido".[...] Nada pode garantir que os censores serão capazes de distinguir os livros perigosos dos livros ùteis, aqueles que favorizarão o bom uso de nossa razão e do livre arbìtrio.Querer controlar os pensamentos, é recusar aos homens o crédito de inteligencia do qual eles tem direito, impedir os debates pùblicos que permitem a verdade de triunfar,tirar toda autoridade as obras pùblicas.È arrogar-se um poder salvador que sò pertence ao Criador.Os pensadores liberais não acrescentarão nada de essencial a essa defesa."

- Franck Lessay,Autor de "Soberania e Legitimidade " - Hobbes ( PUF,1988) -

Le Point - France - jan,fev,2007 -

Deus e a Ciência

Muitas vezes no decorrer dos séculos, a ciência acreditou que ela sabia tudo. Que ela tinha compreendido o universo, a matéria, a energia, a vida, o homem. E o que ela sabia apagou de maneira radical e espetacular a mensagem das grandes religiões, as contrucões mitològicas, os textos das grandes tradições ou crenças esòtéricas.Em algumas décadas, a terra parou de ser o centro do mundo, o homem deixou de ser o objetivo essencial da Criação, e Deus, " sentindo-se cada vez mais isolado, pelo menos, àquele que o homem acredita".Muitas coisas aconteceram até chegarmos ao século xx: A fisica nuclear e seus segredos, a mecanica quântica e suas incertezas, enfim a relatividade e suas ambiguidades, "desnortearam", a religião positivista e o Deus racionalidade.A ciência começou a duvidar dela mesma. Os cientistas dividiram-se em duas categorias. Os primeiros, seguindo Einstein, maravilhados que o universo seja inteligente e que o "acaso" se organise sempre seguindo uma complexidade crescente. Alguns deles acabaram acreditando que do big-bang à teoria do caos tudo indicava que uma potência desconhecida, uma "ùltima realidade", como disse o prêmio Nobel Christian de Duve, possa constituir a resposta à nossas interrogações sobre o verdadeiro sentido da vida.A outra categoria dos cientistas negaram radicalmente esse retorno do "finalismo" aristoteliciano e o triunfo do grande determinismo.Ela foi contra a toda convergencia entre a ciência e a fé.Ela lembrou os fracassos das tentativas para provar a existencia de Deus atraveis a complexidade do ser humano ou atraveis a expanção do universo. Ela lembrou tambem o imenso campo de descobertas no dominio do "infinitamente grande, e do infinitamente pequeno".Ela invocou a existencia possìvel de vàrios universos e a certeza que nossos milhares de neuronios ainda não são suficientemente numerosos para compreender o que nos escapa.Bem mais que os cientistas, os cidadões do mundo se interrogam? Que ciencia é esta capaz de nos trazer imensos progressos, mas tambem Hiroshima, as manipulações geneticas duvidosas, e as tentativas de clonage humano ? Que "cientistas" são esses, fascinados pelo iracional?Os devaneios do novo século, a mundialisação inegalitària,o individualismo triunfante, a violencia mistico-religiosa, a sedução do fundamentalismo e a angustia existencial não abrem caminhos aos integristas mais loucos?Amigos, gostaria de debater com vocês sobre esse assunto.Tirei esse artigo da revista, " Le Nouvel Observateur", uma das revistas mais lidas aqui na França.

As Grandes Interrogações
Quem somos nois?
De onde viemos?
De onde veio o universo?

A essas eternas interrogações, as religiões deram respostas que ainda não foram provadas, mas capazes de acalmar as angustias existenciais.Explicando o cosmos, a matéria, a vida e o homem, a ciencia deu respostas racionais que nos levam a outras interrogações.Podemos acabar nossa ansiedade metafisica?Agora que a ciencia compreendeu e demonstrou "Quando" e "Como" foi criado o universo, a ciência està perdida entre as interrogações metafisicas do "Antes" e do Porquê"?
Uma Chance para Deus?

" Arno Penzias e Robert Wilson, dois engenheiros dos laboràtorios Bell de Wolmdel, New Jersey, trabalhavam sobre uma antena de radio destinada a receber os sinais de Telstar, o primeiro satelite de telecomunicações. Penzias e Wilson queriam utilisar a antena para detectar uma "emissão" vinda do "halo" de nossa galàxia. No lugar do sinal previsto, eles captaram uma radiação desconhecida, que apresentava a propriedade insòlita de ser identica em todas as direções, como se ela viesse de todos os lugares ao mesmo tempo !
Ninguem nunca tinha visto uma coisa igual, ( 1965).Foi um verdadeiro quebra cabeça para os dois engenheiros entederem o que se passava, até eles saberem que uma equipe da prestigiosa Universidade de Princeton, pertinho de Holmdel, procurava justamente o que eles encontraram por acaso : Uma radiação cosmica "isotrope", quer dizer, de igual densidade em todas as direções.Segundo Robert Dicke e James Peebles, os astrofisicos de Princeton, essa radiação era o rastro de um passado longìquo, onde o Universo teria sido uma "bola de fogo primordial" incrivelmente quente !Foi uma imensa descoberta cientifica, apois um século e meio de pesquisas cosmològicas.Se a teoria cientifica explicava que o mundo nasceu de uma singularidade initial, ela não dizia nada do que tinha acontecido " Antes" do Big-Bang.Como explicou o astrofisico Hubert Reeves, " a ciencia não pode responder a essa pergunta, mas, é a pròpria ciencia que desperta essa pergunta".( Hubert Reeves, in "Sciences et Symboles", Albin Michel- France- Culture, Paris, 1986).Claro, um cientista sério dirà que a pergunta foi mal formulada : O Tempo começou com o Big-Bang; não tem razão de se perguntar o que existia "Antes", pois "Antes", não existia.Muitos intelectuais ou pessoas simplesmente curiosas, não se contentam dessa explicação. O que causa um dos debates mais vertiginosos da nossa época : primeiro, a ciencia tomou o lugar da religião para responder as eternas interrogações sobre a origem do mundo; em segundo lugar, ela fracassou, pois ela està longe de poder tudo explicar. Então vem ao meu espirito a pergunta angustiada : o que fazer Doutor ?
Deus sabia que se tratava de um falso problema, pelo menos por duas razões: primeiro, muitas religiões não respondem a pergunta sobre a origem de todas as coisas, e muitos povos tradicionais nunca se preucuparam dessa pergunta.
Os mitos de Kwaio das ilhas Salomon não procuram explicar o começo de tudo, mas "falam de um mundo onde os seres humanos davam grandes festas, criavam porcos, cultivavam o Taro e faziam batalhas sanguinàrias", exatamente como fazem hoje.( Roger Keesing citado por pascal Boyer no livro" E o homem criou os deuses", Robert lafont, 2001, réedité en Folio Essais).Além disso, mesmo as culturas mais preocupadas pela origem do mundo, propoem soluções muito variadas e diferentes da solução proposta pelo monoteismo Judeo-Chrétien", à savoir, O Grande Arquiteto cosmico do Antigo Testamento. Na cosmogonia da India, o tempo é ciclico, o Universo se cria quando Brahma abre os olhos e se destroi quando ele os fecha. Para os chineses, o Universo nasceu de um ovo cosmico, como na cosmogonia "de la Haute-Egypte". Mais a terra dos faraons propõe mais 2 versões:segundo a versão de héliopolis, de um oceano primordial saiu Rê, o Sol, que deu origem ao casal, Shou( o sêco), e Tefnou, ( o ùmido), deles nasceram o céu e a terra; na cosmogonia de Menphis, Ptah, " le demiurge", sai do oceano primordial para criar o homem.Para os gregos, pelo menos para Hesiode, tudo começa com o Caos, de onde surgem Gaia, a Terra, Eros, o Desejo,Erebe, as Trevas, e Nyx, a Noite. Os aborigenes da Australia falam de "Tjukurpa", um "Tempo de sonho" em que ancestrais sobrenaturais como o serpente Arco-Iris e os Homens-Relampagos criam o mundo...
Bref, a suposta crise metafìsica provocada pela teoria do Big-Bang não tem nada de universal.Ela é o resultado(no essencial), da falta de conhecimento dos jornalistas e do publico ocidental da sua pròpria cultura religiosa Judeo-Chrétienne. O que não impede a esses mesmos jornalistas de procurarem resolver um problema criado artificialmente por eles.
O que se traduziu nos anos 1980 em improvaveis e confusas tentativas de aproximar " Ciencia e Consciencia", o segundo termo sendo identificado, sem nenhuma razão lògica, à consciencia religiosa.No começo do terceiro milenàrio desenvolveu-se uma estratégia jornalistica contra a ciencia, discreditando e desmoralisando a teoria do Big-Bang. No mesmo momento os fìsicos da Universidade de Chicago anunciaram que eles tinham detectado pela primeira vez a polarisação da radiação fossile, esse resultado previsto desde os anos 1968, verificado em 2003 e 2004, foi uma confirmação espetacular das ideias de um modelo" cosmologico standard". ( Science, 27 setembro e 15 nov. 2002, 8 de outubro e 29 de outubro 2004). Na pràtica, ele permitia de descobrir uma imagem do Universo jovem e extraordinariamente nìtida do que as imagens de antes.
Enquanto os metafìsicos de domingo enterravam o Big-Bang, e que as multidões corriam para novas Igrejas sem Grande Arquiteto, os cientistas traziam do mais profundo do Cosmos, fotos do Universo bêbê,( esqueci como se escreve bb, me perdoem , sic !)Deus pensou que sua Criação estava finalmente forte e sadia. E ele achou isso muito bom".

- Michel De Pracontal - Le Nouvel Observateur- France -

Filòsofos Gregos

Pythagore570- 480 av.J.C

Matematico e filòsofo, fundador de uma escola segundo a qual, a essencia da realidade reside nas relações numéricas, o que resume a formula(apocryphe"):" Os numeros são todas as coisas

Platão427- 347 av.J.C

Filòsofo Grego, discipulo de Socrates, fundador de uma academia que influenciou profundamente o pensamento ocidental."Foi apois ter colocado o Intelecto na alma e a Alma no Corpo que Deus fabricou o Mundo para fazer uma obra que fosse por natureza a mais bela e a melhor"

Aristote384-322 av.J.C

Filòsofo Grego, aluno de Platão, autor de uma teoria do Universo onde os astros estão organisados em esferas concentricas, girando em torno da terra imòvel e esférica.Deus està além da oitava esfera, a Agua, o Ar, a Terra e o Fogo são a base de tudo.

Das Partìculas Às Galàxias

As Incertezas da Matéria

" Mesmo se ela esclareceu os princìpios constitutivos da matéria e da energia, a ciência fìsica permanece afastada entre duas explicações do mundo, a da mecanica quântica e a da relatividade. Um bulevar para Deus?
Quando pensamos, é realmente simples:para imaginar o conceito do àtomo - o Ùltimo grão constitutivo da matéria, reputada insecàvel - os filòsofos gregos ( Leucippe, Démocrite, Epicure), sò tiveram que raciocinar com um pouco de lògica e bom sentido( a tése filòsofica do materialista excessivo Karl Marx, formulada em 1841, tinha por tìtulo: "As diferenças na filosofia da natureza entre Democrite e Epicure". Mas isso é uma outra història...).
Não é preciso microscòpio ou acelerador de partìculas.Bastava atacar-se a célebre aporia de Zénon. A divisão de uma quantidade qualquer de matéria em quantidades sempre mìnimas, se ela não tem nenhum limite, sò poderia levar ao "nada". Contudo a matéria, de toda evidência, não significa nada.Ela é visìvel, ela tem peso, ela ocupa o espaço. Finalmente, ela é formada de muitas entidades minusculas incassàveis, ligadas entre elas por "ganchos" mais ou menos resistentes...e separadas pelo vazio. Vamos chamar esses "ganchos de ligação", "ligações quìmicas".Para completar, nos casos de reações nucleares, os grandes àtomos podem ser separados em àtomos menores.E tambem cada partìcula da matéria é feita de energia condensada. Então os antigos àtomos de Démocrite são perfeitamente conforme as definições e as experiencias provaveis da ciência moderna. Pourtanto, antes de reaparecer timidamente com a fìsica e a quìmica do século XIX, eles foram submetidos a um eclipse de dois milenàrios. Assim,do XVII ao fim do XIX século, as edições sucessivas do Dicionàrio da Academia consideraram arcàicas as teorias de Démocrite e Epicure, que haviam pretendido " que os corpos se formavam atraveis o encontro casual dos àtomos"
.A academia concedeu à essa teoria uma significação metafòrica, os àtomos sendo por exemplo " essas poeirasminusculas que vemos voanos raios de sol".Poderiamos concluir que a ciência perdeu muito tempo por razões que nos parecem hoje, muito futeis.
Na realidade,apesar de Zénon, os incontornàveis Platão e Aristote, de acordo pelo menos nisso, recusaram essa ideia de matéria discontìnua.Para eles, a matéria era contìnua e formada das diferentes combinações dos quatro elementos - a àgua, o ar, a terra e o fogo. No ocidente, a Igreja apropriou-se dessa concepção. Como a natureza, ela tinha horror do vazio. Deus tendo criado a matéria a partir do nada, essa matéria não podia conter o nada.Mas a Igeja tambem tinha horror que tocassemos em Aristote, em seu finalismo, em sua comoda hierarquisação dos seres vivos.Enfim, a teoria atomista chocava-se ao dogma da eucaristia: o pão e o vinho constituìdos de àtomos e de vazio...E a transsubstanciação ? o que acontecia quando eles transformavam-se no verdadeiro corpo e no verdadeiro sangue do Cristo, sem mudar de aparência?Apoiando-se em documentos inéditos, Pietro Redondi, historiador Italiano, afirmou que o verdadeiro motivo da condenação de Galilée, residia na sua adesão declarada à teoria atomista, e acessoriamente na refutação de Aristote na sua teoria da queda dos corpos.Pois a Igreja, perante a reforma reafirmou intransigentemente o dogma da transsubstanciação, uma das principais causas de discòrdia com os protestantes.Não era o momento de complicar as coisas com essas estòrias ridìculas de àtomo ìmpio. Nem mesmo de debater em publico durante um processo.Então Galilée fois discreditado por um falso pretexto,essa "estòria" da Terra girando em torno do sol,que ele não inventou, mais emprestou à Copernic.
Apesar de tudo a teoria atomica acabou triunfando - para o melhor e para o pior- administrando de maneira tumultuada a prova da sua verdade. Doravante definitivamente repertoriados e classificados, os àtomos não são todos incassàveis, mas eles constituem com certeza a totalidade da matéria observàvel. A Terra e as estrelas, a matéria inerte e a matéria viva, tambem as hòstias, antes e depois da consagração. O pròprio corpo humano, até o cerebro, é integralmente formado de agrupamentos moleculares desses grãos padronisados, ( àtomos). Grãos sem alma emprestados durante o tempo de uma vida em um quadro de Mendeleive. Nossa dignidade não sofre com essa verdade, muito pelo contràrio, pois, como explicou o astrofìsico Hubert Reeves, agora nois fomos promovidos a categoria de " Poeira das estrelas" -
" Muito poético, observação pessoal minha" -
.Aristote não tinha razão, e Démocrite sim, a um ponto, que ele mesmo nunca poderia ter imaginado: não somente os àtomos são separados pelo vazio, mas eles são constituìdos de vazio - tendo um nùcleo que concentra a quase totalidade da massa deles, ( cem milésimos do volume deles). Eles continuam sendo uma fonte inesgotàvel de surpresas, mesmo se conhecemos a estrutura deles e as leis do agrupamento de partìculas que os formam. Pourtanto, no essencial- e mesmo si as religiões não impedem mais o entendimento dessa verdade - , os cientistas ainda não sabem o que é verdadeiramente a matéria, nem quais são as partìculas e sub-partìculas que as constituem. Eles ignoram a natureza dos àtomos, e onde situa-se, os 90% mais ou menos... de " matéria negra" ou "massa escondida" que està faltando para explicar os movimentos observados nas estrelas e nas galàxias. Sobretudo a fìsica que sofre de estar dividida entre duas descricões do mundo: a da mecanica quântica e a da relatividade de Einstein - a primeira funcionando admiralvemente no degrau dos àtomos e das partìculas, a segunda, não menos admiralvemente, no degrau dos astros, mas com leis inconciliaveis que aguardam a famosa "grande unificação"( ler o pròximo artigo)Temos que confessar, as coisas eram mais simples sem os àtomos, nos velhos tempos dos quatro elementos de Aristote".

Fabien Gruhien - Le Nouvel Observateur - France

Deus , os dados, e o "boson de Higgs"

" Todo mundo conhece o célebre jugamento de Einstein : "Deus não joga dados". Essa citação deve sempre ser colocada no seu contexto : O grande Albert não queria afirmar a sua fé em Deus, ( si bem que...), mas, de maneira mais exata, ele queria afirmar o seu desacordo categòrico e definitivo com a mecanica quântica, exatamente no momento em que ela foi formulada. A mecanica quântica implica a noção do acaso nos processos atomicos, e a incerteza probalista impenetràvel quando se trata de obter informações precisas sobre alguma partìcula observada, que é de uma certa maneira dotada de uma certa margem de fantasia individual. Mas, a mecanica quântica - até agora inconciliàvel com a Relatividade, continua ainda sendo o grande drama da fìsica - principalmente com o seu "tempo imutàvel", completamente provado, verificado, operacional no degrau das partìculas. Exatamente como a Relatividade é no degrau do cosmos, tendo esta ao contràrio, um "tempo elàstico".
È certamente lamentàvel de costatar com o fìsico francês Marc Lachiéze-Rey, que na espera de uma hipotética Unificação, se confrontem dessa maneira "duas visões opostas, em dois contextos geométricos incompatìveis".Afinal, Einstein não teve razão de disqualificar a mecanica quântica, e pelo menos, em um determinado domìnio, Deus joga verdadeiramente com os dados...Um pouco mais recentemente, uma outra irupção inesperada de Deus no domìnio da fìsica disse respeito ao "boson de Higgs", aliàs, "partìcula de Deus", segundo a expressão do Americano Leon lederman, prêmio Nobel, descobridor do neutrino.
No fim dos anos 1960, o Escossais Peter Higgs postulou de maneira teorica, a existência de uma partìcula material fundamental jamais observada até agora. Esse famoso boson permitiria de realisar o grande sonho dos fìsicos: A Unificação das quatro forças da natureza, a fraca, a forte,a gravitacional e a electromagnética.Ela explicaria as "porções de simetria", aparecidas nas condições extremas do big-bang, que separou essas forças dando às suas massas respectivas

as diferentes partìculas. E ela permitiria de compreender o que é a "matéria negra", massa ausente invisìvel que constitue 90% do universo.
Bref, esse boson harmonisador revolucionaria nossa compreensão do universo, dando-lhe uma maravilhosa, uma harmoniosa coerência.Para encontra-lo, é preciso recriar mais ou menos a profusão das energias furiosas que marcaram o big-bang. Esta serà a missão do futuro Large Haden Collider ( LHC), em construção no Cern, perto de Genéve.
Encontro marcado para 2007 com a "partìcula de Deus" ?

F.G - Le Nouvel Observateur - France -

Aristarque De Samos310 - 230 av J.C

Astronomo grego, precursor de Copernic, o primeiro a afirmar que a Terra gira em torno dela mesmo e em torno do Sol, hipòtese exposta em um livro conhecido somente atraveis uma alusão de Archiméde.

Claude Ptolémée100- 170

Astronomo, matematico, e geogràfo grego, autor de "Almageste", obra de referência para a astronomia até a época de Copernic." Sou apenas um mortal, eu sei que nasci por um dia, mas quando observo as filas apertadas das estrelas na sua corrida circular, meus peis não tocam mais a terra...

Saint Augustin354 - 430

Teològo romano da Africa, nascido em Tegaste, (Algéria atual), filòsofo, doutor da Igreja romana." A tentação, essa doença curiosa que nos força a descobrir os segredos da natureza..."

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Nas Origens do Liberalismo Clàssico

" No sentido forte da palavra, os primeiros liberais eram "revolucionàrios".Na medida em que essa afirmação surpreenderà certamente os Franceses que associam sistematicamente "ultra" a "liberal", "selvagem" a "concurrência" e "selva" a "mercado", ela merece de ser meticulosamente argumentada.
Em primeiro lugar, o liberalismo é e continua sendo um combate pela tolerância e pela liberdade. Entrando no mundo como crìtico do Antigo Regime, do absolutismo real e do poder de coercição de uma Igreja exclusiva, ele afirma o direito natural do indivìduo à liberdade e postula que o homem deve disposer de uma autonomia tão larga como possìvel.Atestado pela primeira vez em 1760 na pluma do marquês d'Argenson", a palavra "liberal" se opõe a "conservador", oposição que continua pertinente.Combatendo os poderes e os sistemas que pretendem entravar o desenvolvimento do indivìduo em nome de lògicas ou de interesses que o depassam, ele estima que o indivìduo é uma fonte insubstituìvel de invenção e de criação, e um motor essencial do progresso material e moral.

Contra a censura

Escrito em 1644 por John Milton, " l'Areopagitia", pela liberdade de imprimir sem autorização nem censura, é sem dùvida o primeiro manifesto de um pensamento para o qual matar um livro, é como matar a pròpria razão.
"Como um homem pode ensinar com autoridade - fonte vital do ensino -, como ele pode instruìre atravéis seu livro [...]quando tudo o que ele ensina, quando tudo o que ele exprime fica sob a guarda, sob a correção desse novo "patriarca" de censor, apagando ou retocando tudo que não concorda perfeitamente com os preconceitos teimosos que ele chama seu julgamento ?"
Uma interrogação que não perdeu nada da sua atualidade nesse momento onde o "pensamento ùnico" pretende exercer sua censura sobre tudo o que não corresponde a sua vulgata "bem pensante" que tomam o lugar dos oukases das antigas igrejas.
Convite permanente a tolerância, mergulhando suas raìzes na filosofia polìtica inglesa, nourrindo-se da necessidade constante de reconstruir o mundo sob a base do livre exame e da responsabilidade individual, o combate liberal, inscrito nos genes da Renascência e da Reforma, envolve-se com força no século XVII quando Baruch Spinoza "afirma :
" Quando cada homem procura o que lhe é ùtil, então os homens são mais ùteis uns aos outros" ( Ethique, IV ).
Acentuado no século XVIII pelo combate do Iluminismo na França, na Inglaterra, na Alemanha ou nos Estados Unidos, o liberalismo ia conduzir as explosões polìticas destrutivas da antiga ordem e as declarações dos direitos do homem e do cidadão que são a matriz de nossa modernidade.
Certo, o indivìduo pode transferir seus direitos naturais a um corpo polìtico do qual ele respeitarà as pressões, mas é para fazer respeitar melhor seus direitos e lhe dar os meios de fazê-lo
Não é um acaso se o imposto que não pode ser suspendido sem ter o consentimento do corpo social ou dos seus representantes foi um elemento determinante no desenvolvimento das revoluções americanas e inglêsas.

O direito a revolta.

Não são revolucionàrios àqueles que como John Locker, inscrivem o direito à revolta nos fundamentos mesmos da instituição polìtica ?
O povo escrevia ele, tem o direito de se revoltar desde que ele é exposto as sévìcias de um poder arbitràrio.
Certo, " Cada uma das pequeninas faltas que foram cometidas na administração dos affairs pùblicas não provocarà uma revolução.O povo, suportarà, sem motin nem murmùrio, certos erros graves dos seus gouvernantes,inùmeras leis injustas e inoportunas e todos os desvios da fraqueza humana.Mas, se uma longa continuação de abusos, de prevaricações e de fraudes revelam uma unidade de desenho que não poderia escapar ao povo, este concientiza-se do pêso que o oprime e ele vê o que o espera; não devemos então ficar surpresos se ele se revolta".
Finalmente, não são eles os liberais, àqueles que hoje em dia, muito facilmente chamados "populistas", se reclamam desse povo, esse juiz, o mais qualificado no bem comum ? Não seriam tambem liberais, àqueles que seriam tentados de se revoltar contra o Estado que, pelas suas enormes dìvidas incontroladas e sua incapacidade a dominar os "deficits", viola o ùnico fim pelo qual ele foi constituìdo e que sò pode ser o bem do povo ?
Como nòs esquecemos muito frequentemente, liberalismo e espìrito revolucionàrio tem raìzes comuns. Mas surpreendente ainda sem dùvida para àqueles que vivem sob a ditadura do " politicamente correto", o liberalismo tambem é uma doutrina econômica "revolucionària".Em 1776, no mesmo ano em que as colônias inglêsas da América proclamam sua independencia, Adam Smithpublica les "Recherches sur la nature et les causes de la richesse des nations","Pesquisas sobre a natureza e as causas da riqueza das nações".Estranha e oportuna coincidencia.Os Americanos fundam uma repùblica comercial destinada a tornar-se a mais poderosa do mundo, porque é a mais rica.O filòsofo escosseis expõe as leis que devem conduzir ao crescimento das riquezas e ao bem estar dos povos.Mesmo se hoje em dia, é um lugar comum de opôr o liberalismo polìtico ao liberalismo econômico, é pourtanto o mesmo princìpio que os anima,a importância acordada à responsabilidade individal.Contrariamente ao que se escreve frequentemente com preguiça, Adam Smith,e apois ele, os economistas liberais não fazem a apologia da burguesia nascente, mesmo se eles respeitam seu empenho no trabalho; seus objetivos não são o enriquecimento de uma casta, mas a riqueza da nação inteira.Eles querem quebrar com os tesouros reais, os privilégios dos "fermiers généraux" e das corporações.Sò privilégios impròprios, monopòlios que devem quebrar a concurrencia organisada por um mercado que, abandonado às suas pròprias leis, permitirà a cada indivìduo de tirar da melhor maneira " sua carta do jogo".Consideremos por exemplo, o problema dos preços altos.Suponhamos que existe uma centena de fabricantes de luvas.O interesse egoista de cada um lhe farà aumentar seus preços além do razoàvel para realizar um "profit" suplementàrio.Mas ele não pode fazer, pois, se ele aumenta dessa maneira seus preços, seus concurrentes vão aproveitar para pegar seu mercado vendendo mais barato do que ele. E mesmo se todos os fabricantes decidissem de se entenderem para impor um preço excessivamente elevado, sempre teria um empresàrio nacional ou estrangeiro para quebrar essa coalição, em bebefìcio do consumador.

Todos iguais perante a concurrência

Filosofo e economista, Adam Smith ilustra o essencial do liberalismo, à saber,a crença no triunfo inevitàvel da racionalidade sob o arbitràrio e a ordem do caos.Nada melhor do que um filòsofo para pensar o fato que os instintos egoistas de cada indivìduo podem se transformar em virtudes sociais.Nada melhor do que um liberal para desejar que as regras do jogo sejam equitàveis e que a igualdade de chances seja assegurada."Toda essa luta pela riqueza e pela glòria encontram sua ùltima justificação no bem comum", escreveu Adam Smith.È preciso tambem lembrar,que os pioneiros do liberalismo foram também àqueles que condenaram com uma grande determinação a colonização ?Como escreve ainda Adam Smith, " as verdadeiras colonias de um povo comerciante, são os povos independentes de todas as partes do mundo".Riqueza e liberdade,responsabilidade individual e eqüidade : francamente o liberalismo nunca acaba de ser "revolucionàrio".-
Jacques Marseille - Historiador e Essaiste, Autor entre outras de "La guerre des deux France, celle qui avance et celle qui freine" (Plon 2004)" A guerra das duas França, a que avança e a que freia" e "Du bon usage de la guerre civile en France" ( Perrin 2006 ) - " Do bon uso da guerra civil na França "
-Le Point - Edição Especial,janeiro, fevereiro 2007

Necessàrio

"Osmim - O senhor não diz que tudo é necessàrio ?
Sélim - Se tudo não fosse necessàrio, a conclusão seria que Deus teria feito coisas inùteis.
Osmin - Quer dizer que foi necessàrio a natureza divina que ela fizesse tudo o que ela fêz ?
Sélim - Eu creio, pelo menos eu desconfio.Existem pessoas que pensam de outra maneira; eu não as compreendo; talvez elas tenham razão.Eu receio a disputa nessa matéria.
Osmin - Também é de outro necessàrio que eu quero vos falar.
Sélim - O quê então ? do que é necessàrio a um homem honesto para viver ? da infelicidade onde nòs estamos reduzidos quando nos falta o necessàrio ?
Osmin - Não; pois o que é necessàrio a um, não é necessariamente ao outro:é necessàrio a um Indiano de ter arroz, a um Inglês de ter carne, é preciso um casaco de peles a um Russo, e fino pedaço de tecido de algodão a um Africano; um homem acredita que douze cavalos são necessàrios para sua carroça, um outro se limita a um par de sapatos, um outro anda alegremente péis nus: eu quero falar ao senhor do que é necessàrio a todos os homens.
Sélim - Eu tenho a impressão que Deus deu tudo o que seria necessàrio a essa espécie: olhos para ver, péis para andar, boca para comer, um esôfago para engolir, um estômago para digerir, um cérebro para raciocinar, e orgãos para reproduzir seus semelhantes.
Osmim - Então porquê acontece que homens nasçam privados de uma dessas coisas necessàrias ?
Sélim - È porque as leis gerais da natureza trouxeram acidentes que fizeram nascer "monstros"; mas em geral o homem possui tudo o que lhe é necessàrio para viver em sociedade.
Osmin - Existem noções comuns a todos os homens, que servem para eles viverem na sociedade ?
Sélim - Sim. Eu viajei com Paul Lucas, e em todos os lugares que eu passei, eu vi que as pessoas respeitavam seu pai e sua mãe, que elas acreditavam serem obrigadas a cumprir suas promessas, que elas tinham piedade pelos inocentes oprimidos, que elas detestavam a persecução, que elas encaravam a liberdade de pensar como um direito da natureza, e encaravam os inimigos dessa liberdade como os inimigos do gênero humano; àqueles que pensavam diferentemente me pareceram criaturas mal organizadas, "monstruosas", como os que nascem sem olhos e sem mãos.
Osmin - Essas coisas necessàrias, são necessàrias o tempo todo e em todos os lugares ?Sélim - Sim; de outra maneira, elas não seriam necessàrias a espécie humana.
Osmin - Então, uma nova religião não é necessària a essa espécie.Os homens podiam muito bem viver em sociedade e cumprir seus deveres para com Deus, antes de acreditar que Mahomet teve frequentes diàlogos com o anjo Gabriel ?
Sélim - Nada mais seria tão evidente : seria ridìculo de pensar que nòs não poderiamos ter cumprido nossos deveres de homem antes que Mahomet tivesse vindo ao mundo; de maneira alguma era necessàrio a espécie humana de acreditar no Coran : o mundo ia antes de Mahomet da mesma maneira que ele vai hoje.Se o Mahométismo tivesse sido necessàrio ao mundo, ele teria existido em todos os lugares; Deus, que nos deu a todos, olhos para ver o seu sol, nos teria dado a todos uma inteligência para ver a verdade da religião muçulmana.Essa seita é então , como as leis positivas que mudam segundo os tempos e segundo os lugares, como as modas, como a opinião dos fìsicos, que se sucedem umas as outras.A seita muçulmana não poderia então, ser essencialmente necessària ao homem.
Osmin - Mas como ela existe, isso quer dizer que Deus o permitiu ?
Sélim - Sim, como ele permite que o mundo seja cheio de asneiras, de erros e calamidades.Não porque os homens sejam todos essencialmente feitos para serem burros e infelizes.Ele permite que alguns homens sejam comidos por serpentes; mas nòs não podemos dizer que Deus fez o homem para ser comido pelos serpentes.
Osmin - O que o senhor entende quando diz : "Deus permite " , nada pode acontecer sem as suas ordens ? permitir, querer e fazer, não são para ele a mesma coisa ?
Sélim - Ele permite o crime, mas ele não o faz
Osmin - Fazer um crime, é agir contra justiça divina, é desobedecer a Deus. Ora, Deus não pode desobedecer a ele-mesmo, ele não pode cometer um crime; mas ele fez o homem de tal maneira, que o homem comete muitos crimes : de onde vem isto ?
Sélim - Existem pessoas que sabem, mas não sou eu.Tudo o que eu sei bem, é que O Coran é ridìculo, se bem que de vez em quando encontrem-se nele coisas boas.Certamente O Coran não era necessàrio ao homem; eu vou ficar por aqui : eu vejo claramente o que é falso, e eu conheço muito pouco o que é verdadeiro.
Osmin - Eu acreditava que o senhor me instruìria, e o senhor não me ensinou nada.
Sélim - Você não acha que jà é muito de conhecer as pessoas que nos enganam, e os erros grosseiros e perigosos que elas debitam ?
Osmin - Eu teria muitas queixas a fazer de um médico que me faria a exposição de plantas nocivas, e que não me mostraria uma ùnica que seja salutar.
Sélim - Eu não sou médico e você não està doente ; mas eu tenho a impressão que eu te daria uma receita muito boa, se eu te dissesse :
"Livre-se de todas as invenções dos charlatães, adore Deus, seja um homem honesto, e acredite que dois e dois fazem quatro."
- Voltaire - Textes sur l'Orient
1. L'Empire Ottoman E le Monde Arabe.

O Liberalismo e o Espìrito do século XXI

" O liberalismo é um pensamento polìtico fundado no respeito dos direitos do indivìduo.No mundo globalisado exposto à ameaça da violência identitària, ele é mais do que nunca o mediador da democracia, do desenvolvimento econômico e do elo social."
"Cada época obedece a um pricìpio.
Sucessivo às ilusões sobre o fim da història e o triunfo da democracia do mercado, o começo do século XXI està colocado sob o sinal da tensão entre a dinâmica universal da mundialisação e da revolução technològica, e a exarcebação das violências identitàrias, principalmente ligado à reaparição do fanatismo religioso. O liberalismo encontra-se dessa maneira na postura paradoxal de motor das transformações da democracia e do capitalismo, mas também como o responsàvel das injustiças do mundo.Desde a queda do muro de Berlin em 1989, a democracia marcou progressos incontestàveis na Europa, mas também na América latina e na Àsia. A economia de crescimento intensivo ( 5,5% por ano ), que beneficia em prioridade aos paìses emergentes e favorisa à saìda da pobreza no Ex- Império soviético, e também na China, na Ìndia e no Brasil.
Pourtanto, no final de uma estranha confusão, o liberalismo é acusado dos progressos que ele autoriza : a pacificação das relações entre as nações, as liberdades pùblicas,a garantia da segurança individual e dos direitos do homem, a expanção econômica e os ganhos do "poder de comprar", a construção dos sistemas de proteção social..."
"...Longe de ser um economismo, o liberalismo é antes de tudo uma doutrina polìtica, nascida com Locke, Montesquieu e o Iluminismo, que reivindica a autonomia e a supremacia do polìtico;
são o marxismo e o materialismo dialético que reduisem a polìtica a uma simples superstrutura da economia, a història à uma sucessão mecanica de regimes de produção..."
"...O liberalismo pertence plenamente à història polìtica e intelectual da França.
Assim a Revolução francesa, na sua primeira fase, foi decididamente liberal, proclamando a Declaração dos direitos do homem e do cidadão e a vontade de erigir a liberdade em pricìpio universal..."
"...Enfim, o pensamento liberal francês é particularmente rico, tanto no plano filosòfico, com Mostesquieu, Condorcet, Constant, Tocqueville, Halevy, Aron, Revel, que no plano econômico com, Turgot, Say, Bastiat..."
- Nicolas Baverez - Advogado e Autor - Escritor -
Le Point - - Edição Especial - janeiro- fevereiro - 2007France

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Os Direitos do Homem

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão
26 de agosto de 1789
" Os representantes do povo francês constituìdos em Assembléia nacional, considerando que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as ùnicas causas das infelicidades pùblicas e da Corrupção dos governos, resolveram expor, em uma declaração solene, os direitos naturais, inalienàveis e sagrados do homem, para que esta declaração, constantemente presente a todos os membros do corpo social, possa lembrà-los incessantemente seus direitos e seus deveres; para que os atos do poder legislativo e os do poder executivo, podendo ser comparados a cada instante com o objetivo de toda instituição polìtica, sejam respeitados; para que as reclamações dos cidadãos, fundadas doravante sob princìpios simples e incontestàveis, estejam sempre ao serviço da manuntenção da Constituição, e da felicidade de todos.Em consequencia, a Assembleia nacional reconhece e declara, em presença e com o patrocìnio do Ser Suprêmo, os seguintes direitos do homem e do cidadão.
Artigo Primeiro - Os homens nascem e continuam livres e iguais nos seus direitos.As distinções sociais sò podem ser fundadas na utilidade comum.
Artigo 2 - O objetivo de toda associação polìtica é a conservação dos direitos naturais e prescritìveis do homem.Esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência a toda opressão.
Artigo 3 - O princìpio de toda soberania reside essencialmente na Nação.Nenhum corpo, nenhum indivìduo pode exercer uma autoridade que não emana dela expressamente.
Artigo 4 - A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudica o outro: dessa forma , o exercìcio dos direitos naturais de cada homem tem uincamente como limite àqueles que asseguram aos outros membros da sociedade a fruição desses mesmos direitos.Esses limites sò podem ser determinados pela lei
.Artigo 5 - A lei sò tem o direito de proibir as ações que são prejudicaveis à sociedade.Tudo que não é proibido pela lei não pode ser impedido, e ninguém pode ser obrigado de fazer o que ela não ordenaria.
Artigo 6 - A lei é a expressão da vontade geral.Todos os cidadãos tem o direito de concurrir a ela pessoalmente ou atravéis os representantes da sua formação.Ela deve ser a mesma para todos, seja que ela proteja, seja que ela puna.Todos os cidadãos sendo iguais à seus olhos, são igualmente admissìveis a todas as dignidades, lugar e emprego pùblico, segundo suas capacidades e sem outra distinção que a de suas virtudes e talentos.
Artigo 7 - Nenhum homem pode ser acusado, ou preso que dentro dos casos determinados pela lei e segundo as formas que ela prescreve.Aqueles que solicitam, expediam, executam ou dão ordens arbitràrias devem ser punidos; mas todo cidadão chamado ou preso em virtude da lei deve obedecer imediatamente; ele torna-se culpado pela sua resistência.
Artigo 8 - A lei sò deve estabelecer as penas que são rigorosamente e evidentemente necessàrias, e ninguém pode ser punido em virtude de uma lei estabelecida e promulgada anteriormente ao delito, e legalmente aplicada.
Artigo 9 - Todo homem sendo presumido inocente até que ele seja declamado culpado, se for julgado indispensàvel de prende-lo, todo rigor que não seria necessàrio para assegurar-se de sua pessoa deve ser severamente reprimido pela lei.
Artigo 10 - Ninguém deve ser incomodado por suas opiniões, mesmo religiosas, a partir do momento que sua manifestação não perturba a ordem pùblica estabelecida pela lei.
Artigo 11 - A livre comunicação de pensamentos e de opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem; todo cidadão pode falar, escrever, imprimir livremente, menos se ele tiver que responder do abuso dessa liberdade dentro dos casos determinados pela lei.
Artigo 12 - A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita uma força pùblica; essa força então é instituìda para a avantagem de todos, e não para uma utilidade particular àqueles a quem ela é confiada.
Artigo 13 - Para a manutenção da força pùblica, e para as despesas da administraçãouma contribuição comum é indispensàvel; ela deve ser igualmente repartida entre os cidadães na razão de suas faculdades.
Artigo 14 - Os cidadães tem o direito de constatar, por eles-mesmos ou pelos seus representantes, a necessidade de uma contribuição pùblica, de consenti-la livremente, de seguir a maneira de empregà-la, e de determinar a quotaparte, o direito, o pagamento e a duração.
Artigo 15 - A sociedade tem o direito de demandar contas a todos os funcionàrios pùblicos de sua administração.
Artigo 16 - Toda sociedade em que a garantia dos direitos não é assegurada, assim como a separação dos poderes determinada, não é uma Constituição.
Artigo 17 - A propriedade sendo um direito inviolàvel e sagrado, ninguém pode ser privado, a menos que a necassidade pùblica, legalmente constatada, o exige evidentemente, e sob a condição de uma justa e prealàvel indenização.

Ministério da Justiça - France - 2001

Os Direitos do Homem

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão
26 de agosto de 1789
" Os representantes do povo francês constituìdos em Assembléia nacional, considerando que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as ùnicas causas das infelicidades pùblicas e da Corrupção dos governos, resolveram expor, em uma declaração solene, os direitos naturais, inalienàveis e sagrados do homem, para que esta declaração, constantemente presente a todos os membros do corpo social, possa lembrà-los incessantemente seus direitos e seus deveres; para que os atos do poder legislativo e os do poder executivo, podendo ser comparados a cada instante com o objetivo de toda instituição polìtica, sejam respeitados; para que as reclamações dos cidadãos, fundadas doravante sob princìpios simples e incontestàveis, estejam sempre ao serviço da manuntenção da Constituição, e da felicidade de todos.Em consequencia, a Assembleia nacional reconhece e declara, em presença e com o patrocìnio do Ser Suprêmo, os seguintes direitos do homem e do cidadão.
Artigo Primeiro - Os homens nascem e continuam livres e iguais nos seus direitos.As distinções sociais sò podem ser fundadas na utilidade comum.
Artigo 2 - O objetivo de toda associação polìtica é a conservação dos direitos naturais e prescritìveis do homem.Esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência a toda opressão.
Artigo 3 - O princìpio de toda soberania reside essencialmente na Nação.Nenhum corpo, nenhum indivìduo pode exercer uma autoridade que não emana dela expressamente.
Artigo 4 - A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudica o outro: dessa forma , o exercìcio dos direitos naturais de cada homem tem uincamente como limite àqueles que asseguram aos outros membros da sociedade a fruição desses mesmos direitos.Esses limites sò podem ser determinados pela lei
.Artigo 5 - A lei sò tem o direito de proibir as ações que são prejudicaveis à sociedade.Tudo que não é proibido pela lei não pode ser impedido, e ninguém pode ser obrigado de fazer o que ela não ordenaria.
Artigo 6 - A lei é a expressão da vontade geral.Todos os cidadãos tem o direito de concurrir a ela pessoalmente ou atravéis os representantes da sua formação.Ela deve ser a mesma para todos, seja que ela proteja, seja que ela puna.Todos os cidadãos sendo iguais à seus olhos, são igualmente admissìveis a todas as dignidades, lugar e emprego pùblico, segundo suas capacidades e sem outra distinção que a de suas virtudes e talentos.
Artigo 7 - Nenhum homem pode ser acusado, ou preso que dentro dos casos determinados pela lei e segundo as formas que ela prescreve.Aqueles que solicitam, expediam, executam ou dão ordens arbitràrias devem ser punidos; mas todo cidadão chamado ou preso em virtude da lei deve obedecer imediatamente; ele torna-se culpado pela sua resistência.
Artigo 8 - A lei sò deve estabelecer as penas que são rigorosamente e evidentemente necessàrias, e ninguém pode ser punido em virtude de uma lei estabelecida e promulgada anteriormente ao delito, e legalmente aplicada.
Artigo 9 - Todo homem sendo presumido inocente até que ele seja declamado culpado, se for julgado indispensàvel de prende-lo, todo rigor que não seria necessàrio para assegurar-se de sua pessoa deve ser severamente reprimido pela lei.
Artigo 10 - Ninguém deve ser incomodado por suas opiniões, mesmo religiosas, a partir do momento que sua manifestação não perturba a ordem pùblica estabelecida pela lei.
Artigo 11 - A livre comunicação de pensamentos e de opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem; todo cidadão pode falar, escrever, imprimir livremente, menos se ele tiver que responder do abuso dessa liberdade dentro dos casos determinados pela lei.
Artigo 12 - A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita uma força pùblica; essa força então é instituìda para a avantagem de todos, e não para uma utilidade particular àqueles a quem ela é confiada.
Artigo 13 - Para a manutenção da força pùblica, e para as despesas da administraçãouma contribuição comum é indispensàvel; ela deve ser igualmente repartida entre os cidadães na razão de suas faculdades.
Artigo 14 - Os cidadães tem o direito de constatar, por eles-mesmos ou pelos seus representantes, a necessidade de uma contribuição pùblica, de consenti-la livremente, de seguir a maneira de empregà-la, e de determinar a quotaparte, o direito, o pagamento e a duração.
Artigo 15 - A sociedade tem o direito de demandar contas a todos os funcionàrios pùblicos de sua administração.
Artigo 16 - Toda sociedade em que a garantia dos direitos não é assegurada, assim como a separação dos poderes determinada, não é uma Constituição.
Artigo 17 - A propriedade sendo um direito inviolàvel e sagrado, ninguém pode ser privado, a menos que a necassidade pùblica, legalmente constatada, o exige evidentemente, e sob a condição de uma justa e prealàvel indenização.

Ministério da Justiça - France - 2001

Liberalismo

A verdadeira natureza do Liberalismo

"Na França, bem mais que em qualquer outro lugar, "liberal" é um insulto, quando "comunista" é apenas antiquado.Porque ? Porque liberalismo rima hoje em dia com desregulação e privatização, delocalização de emprego e desemprego. Sem razão, poutanto.Pois mesmo se eles são frequentemente associados, o liberalismo não pode ser confundido com o capitalismo : a lei do benefìcio adapta-se mal com certos princìpios liberais como por exemplo, a transparência do mercado...Ele também não pode ser assimilado ao conservatismo, demasiadamente estàtico.Liberar o homem do despotismo, da religião ou do Estado, quando este mostra-se totalitàrio ou ineficaz : eis o que sempre foi o motor do pensamento liberal.Nòs devemos a ele a Organização mundial do comércio ( OMC ), devemos também o princìpio da separação dos poderes, a Declaração dos direitos do homem e do cidadão de 1789, a abolição da escravidão, a liberdade de opinião e de associação, a imprenssa livre e os sindicatos ( que Jules Guesdes, o socialista, não queria ). Aliàs, quem escreveu : " O governo civil é na realidade instituìdo para defender os ricos contra os pobres " ? Karl Marx ? Não, Adam Smith, o pai do liberalismo.Que nòs sejamos contra ou a favor do liberalismo, é indispensàvel de conhecer os fundamentos dessa corrente de pensamentos, ao menos para compreender os debates que agitam atualmente o paìs, da Reforma do Estado ao problema da imigração.Por essa razão, "Le Point " vos propõe de descobrir os textos fundamentais dos grandes pensadores do liberalismo. Sem a priori" .
- Catherine Golliam - Jornalista da revista, Le Point - France-

Traduzirei e postarei aqui trechos desses textos -

Até breve - Grata !

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

O FORO DE SÃO PAULO é um PERIGO para o hemisfério

O engenheiro venezuelano Alejandro Peña Esclusa qualifica o Foro de São Paulo (FSP), de política internacional, como um perigo para o hemisfério e o descreve como um projeto continental com vistas a uma expansão coletivista mundial.
Em entrevista ao Diario Las Américas, Peña Esclusa, opositor há pelo menos oito anos do presidente de seu país, Hugo Chávez (um dos cabeças do FSP), referiu-se precisamente aos acordos de Chávez com o Irã que abriu as portas a Ahmadinejad, não só as da Venezuela como do resto da América. Por esta razão o terrorismo está mais perto dos Estados Unidos e quer utilizar a América Latina como plataforma para poder atuar, contando com o respaldo do FSP.
Peña Esclusa é um expert em América Latina e especialmente no FSP, organização à qual deu seguimento desde que foi fundada em 1990 por Fidel Castro com o apoio do Partido dos Trabalhadores, do Brasil, “com a finalidade de reagrupar todas as forças de esquerda da região, desmanteladas pelo colapso do socialismo real”.
Peña Esclusa tem viajado por toda a América advertindo sobre o perigo que esse Foro de São Paulo representa para a segurança hemisférica, e assegura que o tempo lhe deu razão porque agora a maioria dos presidentes da América Latina formam parte do FSP, quer seja da ala radical, quer da suposta ala moderada.
Na ala radical estariam Evo Morales, Daniel Ortega, Hugo Chávez e Fidel Castro e na ala moderada estariam Tabaré Vázquez, Michelle Bachelet, Néstor Kirchner, Lula da Silva e Omar Torrijos, de modo que têm o controle da maioria da América Latina. E nos que não têm o controle, como México, Peru, Colômbia e El Salvador, têm respecivamente um López Obrador, Ollanta Humala, as FARC e o ELN, e o FMLN, tratando de desestabilizá-los.
Peña Esclusa considera que a situação por ele anunciada converteu-se em uma ameaça clara e real à segurança hemisférica, tanto pela quantidade de membros do FSP que são atualmente governos, quanto pelos acordos de Chávez com os Estados terroristas.
Para Peña Esclusa a suposta divisão entre as esquerdas da América não existe mas são apenas diferentes estilos de governos, radicais e moderados, que convivem dentro do FSP e se apóiam mutuamente, e cita em apoio à sua tese o documento aprovado no último Encontro do Foro de São Paulo efetuado em El Salvador, de 12 a 14 de janeiro, no qual deixaram bem claro que não existem duas esquerdas, que são estilos e estratégias diferentes, que dependem das circunstâncias de luta de cada país. E, embora seja certo que Chávez, Evo Morales e Fidel Castro têm um estilo diferente dos de Lula, Tabaré Vázquez, Kirchner e Bachelet, cada vez que Chávez está com problemas Lula e seus companheiros “moderados” saem a apoiá-lo, tendo votado nele para o assento do Conselho de Segurança da ONU. Lula esteve participando do Foro Econômico Mundial que acaba de se realizar em Davos, Suíça, defendendo Chávez e Evo Morales; Kirchner foi à Espanha para falar bem de Chávez e Evo Morales. “E não só falam bem deles, como não denunciam o que Chávez faz. Lula não diz nada do fechamento dos canais de televisão, da perseguição aos presos políticos, das fraudes eleitorais, não renega as FARC e o ELN, bandos terroristas que se financiam com o dinheiro do narcotráfico e, do mesmo modo que as FARC e o ELN, continua pertencendo ao FSP”. E arremata dizendo que “são estilos diferentes de uma mesma esquerda que tem um mesmo projeto castro-comunista para a América”.
O Foro de São Paulo começou como uma estrutura informal. Quando foi fundado só um membro era governo: Cuba. Agora têm o controle de vários governos e utilizam as chancelarias e demais estruturas de governo para promover as mesmas idéias. “Com o passar do tempo converteu-se em uma internacional política e agora estão se expandindo internacionalmente, através do Fórum Social Mundial, estabelecendo contatos com o Irã, com a Coréia do Norte, de governo para governo. Quer dizer, o FSP foi a crisálida onde nasceu uma estrutura que agora já governa nações inteiras”.
O entrevistado expressa que um dos pontos que esteve enfatizando neste giro que está realizando pelo continente, da qual é parte a conferência que está dando nesta segunda-feira no Instituto de Estudos Cubanos e Cubano-Americanos da Universidade de Miami é que cada país, no nível nacional, está se enfrentando com o gerente local do FSP internacional que não respeita soberanias nem fronteiras, que considera a América Latina como um só território e tomam decisões globais para cada país. “Dito de outra forma, as FARC não são uma estrutura colombiana, senão a representação colombiana da estrutura internacional do FSP. Do mesmo modo, o FMLN não é um partido nacional, pois recebe instruções e atua conforme os planos do FSP e assim sucessivamente; são delegações regionais de uma estrutura internacional”.
O Foro de São Paulo sofreu uma mudança de fase quando Chávez chegou à presidência e quando Lula alcançou o poder no Brasil. Aí começou a expansão em grande escala.
Peña Esclusa insistiu finalmente na necessidade da divulgação destas realidades que está denunciando, porém considera fundamentalmente que o que faz falta é a coordenação de uma frente para produzir uma batalha internacional, contra um inimigo que é internacional.
Fontes:

George W. Bush e o Aquecimento Global

tirado do blog Resistência. Recomendo.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Do horrìvel perigo da leitura

" Nòs Joussouf-Chérubi, pela graça de Deus mouphti do santo império ottoman, luz das luzes, eleito entre todos os eleitos,a todos os fiéis que estas presentes linhas verão, asneira e benção.Como assim seja que Saïd-Effendi, aqui presente, embaixador da Porta-Sublime em direção de um pequeno Estado chamado Frankrom, situado entre a Espanha e a Itàlia, trouxe para nòs o pernicioso uso da prensa, tendo consultado nossos veneràveis irmãos os caid e imans da cidade imperial de Istambul, e sobretudo os fakirs conhecidos pelo zelo deles contra o espirìto, nòs e Mahomet achamos que é uma coisa positiva e boa de condenar, proscrever, anatematisar a dita-cuja infernal invenção da prensa pelas seguintes causas que serão enunciadas.
1 Essa facilidade de comunicar seus pensamentos facilita evidentemente a dissipar a ignorância, que é a guardiã e a salvaguarda dos Estados bem policiados.
2 Nòs receamos que entre os livros trazidos do Ocidente, se encontrem alguns sobre a agricultura e sobre os meios de aperfeiçoar as artes mecanicas, livros que poderiam com o tempo, e que não seria agradàvel a Deus, despertar o gênio de nossos agricultores e de nossos operàrios, excitar o trabalho deles, aumentar suas riquezas, e inspirà-los um dia ou outro a alguma elevação da alma, algum amor do bem pùblico, sentimentos absolutamente opostos a santa doutrina.
3 Acabaria acontecendo enfim que nòs teriamos livros de Història sem a fantasia que mantem a nação em uma feliz estupidez.Nòs teremos nesses livros a imprudencia de pronunciar a justiça nas boas e màs ações, e de recomendar a equidade e o amor pela pàtria, o que é visivelmente contràrio aos nossos direitos e privilégios de governantes.
4 Seria tambem possìvel, com a passagem dos tempos, que miseràveis filòsofos, sob o pretexto especioso, mas punissàvel, de esclarecer os homens e de tornà-los melhores venham nos ensinar as virtudes perigosas que o povo não deve jamais tomar conhecimento.
5Eles poderiam, aumentando o respeito que ele tem por Deus, e imprimindo escandalosamentque ele cobre tudo todas as coisas com a sua presença, diminuir o nùmero de peregrinos da Mecque, provocando um grande prejuìzo na salvação das almas.
6 Aconteceria tambem sem dùvida alguma,que estando acostumados a ler os autores ocidentais, que trataram das doenças contagiosas, e da maneira de prevenì-las, nòs seriamos suficientemente garantidos contra a peste, o que seria um atentado imenso contra as ordens da Providência.Por essas e outras causas, pela edificação dos fiéis e pelo bem de suas almas, nòs os proibimos de jamais ler nenhum livro, sob a pena de eterna danação.E, por causa do medo que temos que a tentação diabòlica venha incità-los a se instruire, nòs proibimos aos pais e as mães de ensinar a ler a seus filhos.E, para prevenir toda contravenção a nossa ordenação, nòs os proibimos expressamente de pensar, sob as mesmas penas; ordenamos a todos os verdadeiros crentes de denunciar ao nosso governo qualquer pessoa que terà pronunciado quatro frases ligadas entre elas, das quais nòs poderiamos deduzir um senso claro e `coerente.Ordenamos tambem que em todas as conversações sejam utilizados termos que não significam nada,segundo o uso antigo da Porta-Sublime.E para impedir que algum pensamento entre em contrabando na cidade sagrada imperial, nos cometemos o médico principal de vossa alteza, nascido em uma maré do Ocidente septentrional; cujo medico, jà tendo matado quatro augustas pessoas da famìlia ottoman, està interessado mais do que qualquer outra pessoa a prevenir toda introdução de conhecimento no paìs;nos le damos o poder atravéis essas presentes linhas, de mandar prender toda idéia que se apresentarà por escrito ou oralmente nas portas da cidade, e nos trazer a dita-cuja idéia péis e mãos amarrados, para que nos possamos castigà-la da maneira que mais nos agradarà.Feito em nosso palàcio da estupidez, no dia 8 da lua Muharem, ano 1143 de l'Hégire "( o que corresponde ao ano de 23 de julho de 1730)- Voltaire - Textes sur l'Orient - 1. L'empire ottoman et le Monde Arabe -

domingo, 4 de fevereiro de 2007

ISTO DEVERIA SER ENSINADO NAS ESCOLAS DO BRASIL

Abraham Lincoln deixou esta Mensagem ao homem do povo... e aos homens que dirigem o povo, para se viver numa grande nação.

"Não criarás a prosperidade, se desestimulares a poupança.
Não fortalecerás os fracos, por enfraqueceres os fortes.
Não ajudarás o assalariado, se arruinares aquele que o paga.
Não estimularás a fraternidade humana, se alimentares o ódio de classes.
Não ajudarás os pobres, se eliminares os ricos.
Não poderás criar estabilidade permanente, baseado em dinheiro emprestado.
Não evitarás dificuldades, se gastares mais do que ganhas.
Não fortalecerás a dignidade e o ânimo, se subtraíres ao homem a iniciativa e a liberdade.
Não poderás ajudar aos homens de maneira permanente, se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios.
"ABRAHAM LINCOLN

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Palavras importantes do Iluminismo

Universalidade:
Os homens eram prisioneiros de seu nascimento, de sua famìlia,de sua religião.O Iluminismo afirma a universalidade da razão e da sensibilidade.A humanidade torna-se ao mesmo tempo a comunidade dos seres humanos e dos valores que a fundaram.Antes de sermos cidadãos de um paìs, membros de uma famìlia, nois somos uma parte essencial da humanidade. "Homo sum:humani nihil a me alienum"(" Eu sou um homem:nada do que é humano é estrangeiro para mim").[Terence], essa é a divisa do Iluminismo.

Razão:
O poder de julgar bem, de distinguir o verdadeiro do falso é comum a todos os homens.O Iluminismo repete Descartes, precisando que as idéias não são inatas, mas que elas se desenvolvem graças a experiência.O ser humano é capaz de raciocinar sozinho, sem o controle de uma autoridade superior,mas ele sò pode progredir na troca e na continuidade das gerações.A educação e a herança cultural podem assegurar um progresso intelectual e social."Sapere aude","Ousa te servir do teu entendimanto"[Kant]; "A razão acabarà tendo razão" [ d'Alembert].

Progresso:
A humanidade parecia fechada dentro de um ciclo repetitivo de crescimento e decadência.O poder material e polìtico de transmitir a sabedoria(atravéis a prensa e a liberdade)permite de romper o ciclo e de planear um progresso intelectual mais também social, fundado na educação.Inquieto do mau uso que pode ser feito, Rousseau afirma o aperfeiçoamento(perfectibilité), a capacidade do homem de se transformar.Apesar do Terror, Condorcet canta"Os progressos do espirìto humano", esse aperfeiçoamento transformado no melhoramento da vida. O progresso nunca é assegurado, ele é a conquista de cada geração.

Liberdade:
Os homens eram metafìsicamente livres na escolha entre o bem e o mal e socialmente submissos à Igreja, à famìlia,ao Estado.O Iluminismo reconhece os determinismos que nos condicionam e reivindicam nossa autonomia perante as autoridades.A liberdade de as opressões:"O homem nasceu livre,e por toda a parte geme agrilhardo" (Du Contrat Social).Montesquieu sutiliza:" A liberdade é o direito de fazer tudo que as leis permitem" ( De l'esprit des lois).

Opinião:
Rainha do mundo, ela marcava os erros daqueles que não podiam acessar a razão.A partir do momento em que os homens são credibilisados pelo julgamento e pelo bom senso,suas opiniões podem se constituir em opinião pùblica e reivindicar um direito de julgamento, um direito de expressão e mesmo um direito de decisão.Os filòsofos dirigiam-se a opinião contra os poderes estabelecidos,a opinião procurava os substitutos e os poderes intermediàrios para exercer seu direito de controle e seu espìrito crìtico

Ironia:
O papa é um màgico que "faz acreditar que três são um, que o pão que comemos não é pão, ou que o vinho que bebemos não é vinho"[Montesquieu, Lettres persanes].
A ironia influencia os pontos de vista, quebra as evidências, desmascara as hipocrisias.Ela também é uma arte da irreverência, um exercìcio de crìtica.As boas palavras transformam a conversação em fogo de artifìcio.A literatura tem uma influência notàvel na mistificação.Mas abandonado a ele-mesmo o espirìto transforma-se em sarcasmo, antes que os romanticos vejam na ironia a tensão entre o ideal e a realidade.

Prazer:
Marcados pelo erro, a felicidade e o prazer foram muito tempo disqualificados em nome de uma salvação espiritual e de uma vida futura.O Iluminismo reabilita a felicidade enraizando-a no prazer. O prazer nos guia diante nosso interesse e esse interesse bem compreendido nos faz equilibrar o prazer sensual do instante e o prazer moral da duração, preucupação egoìsta e reconhecimento do outro.A arte de pensar bem não se separa da arte de aproveitar da vida e das diversidades de suas riquezas.Le "Mondain" de Voltaire proclama:"O paraìso terrestre é onde eu estou agora.

"Exposição sobre o Iluminismo- Biblioteca Nacional- Paris - France -

Le Siècle des Lumières....Iluminismo

Em 1784, um jornal periòdico interrogou :
" O que significa o "Iluminismo ?
" Duas respostas ficaram na història. Mendelssohn prefere formular uma questão mais concreta : " O que significa esclarecer, iluminar ?", significa divulgar a sabedoria e o ensino nos limites do "contexto social". A resposta de Kant é bem mais radical: O Iluminismo se define como uma utilização livre da razão e por uma constituição de uma opinião pùblica.O Iluminismo caracteriza a conjugação de uma época e de um espìrito : a época da enciclopédia e das reformas polìticas na Europa, e o espirìto crìtico que em todas as épocas recusa a crença para julgar por ele-mesmo.Uma exposição sobre o Iluminismo na Biblioteca Nacional da França deu um brilho novo a esses debates que continuam brutalmente nossos, entre a fé e a razão, o fanatismo e a tolerância, o partidarismo e o senso do universal. O retorno das comunidades religiosas, étnicas, nacionais,sexuais nos fazem pensar novamente sobre a questão da liberdade individual e sobre a coerência dos grupos sociais baseados na noção de "escolha" e de "contrato". Todos sentimos vontade de gritar : "Voltaire, Socorro !"Mas não é para opor um dogma a um outro, o Iluminismo não se caracteriza em um sistema.O Iluminismo é uma arte de pensar e uma arte de viver.- Magazine Littéraire - France -

Um Movimento de emancipação
Tzvetan Todorov
Entrevista de Arlette Armel e Michel Delon
O que significa O Iluminismo ?
Quais foram os pricìpios inventados e defendidos ?
Quais são as crìticas atuais contra ele?
Tzvetan Todorov ficou conhecido atravéis seus trabalhos sobre a Poética e a Linguìstica desde 1968.Diretor de pesquisa no CNRS, ele prolongou suas investigações as questões de moral e de polìtica ( "A Conquista da América", Nois e os outros"; ed.Seuil, "As Morais da Història", ed.Hachette Littératures). Ele deu monografias de pensadores como Rousseau ou Benjamin Constant e ensaios sobre a pintura ( Èloge de l'individu";ed. Adam Biro).


Tzetan Todorov, comissàrio da Exposição Iluminismo, Responde.

Le Magazine Litéraire. No perìodo històrico, como o senhor caracteriza o Iluminismo ?

Tzetan Todorov. O ponto central do pensamento do Iluminismo, é a crìtica das tutelas exteriores e a afirmação da autonomia.Um movimento de emancipação, que implica primeiramente que cabe ao ser humano de dirigir seu destino, polìtico e individual.Não é mais a tradição, são os homens que devem fazer a lei e assumì-la: o povo é soberano.Este é o sentimento da "vontade geral", essa noção que Rousseau introduz no "Contrato Social". A vontade do povo é inalienàvel, ela sò pode ser confiada provisoriamente e o monarca ele-mesmo é responsàvel perante o povo.Esse rejeito de tutela provoca ao mesmo tempo o desencanto do mundo.Todo o universo obedece as leis da natureza, o sobrenatural sò tem lugar na fé que torna-se uma coisa particular: Galilée e Newton estabeleceram a homogeneidade do mundo fìsico.Desde o instante que vivemos em um mundo inteiramente natural, que não é mais submisso as forças màgicas, as ciências podem nascer: ciências da natureza e também, antropologia, psicologia, història.Tudo torna-se objeto de conhecimento, não existe mais tabou proibindo de conhecer as coisas.Os homens abrem-se ao mesmo tempo à diversidade do universo: abertura geogràfica - uma curiosodade crescente pelos costumes dos outros - e abertura històrica.Eles começam a descrever os perìodos anteriores não como um repertòrio de exemplos como fazia Montaigne, mas pesquisando a pròpria coerência deles.O Iluminismo, é ao mesmo tempo universalismo e descoberta das diferenças infinitas.Todos os princìpios essenciais de nossa modernidade foram inventados e introduzidos na sociedade na época do Iluminismo.

M.L. Não é uma visão idìlica ? desde sua origem o Iluminismo confronta-se à crìticas muito fortes !

T.T. Algumas dessas crìticas são legìtimas, outras são o fruto de mal-entendidos.Uma das primeiras crìticas feitas ao projeto do Iluminismo é relativa ao perigo da vontade ilimitada.Ao quê é submisso o ser humano se ele não obedece
mais as leis vindas do além ? Sem a barreira das proibições alguns dirão no XX século, o homem acaba fabricando o goulag e exterminando as raças inferiores.No pensamento do Iluminismo, a vontade humana confronta-se a dois freios. Primeiro, o humanismo: a ação humana tem como objetivo o bem-estar da humanidade.A conquista da felicidade toma o lugar da conquista da salvação.Si uma ação decidida por um invìduo autonomo, não serve aos interesses da humanidade, si ela não dà ao povo uma felicidade maior, essa ação deve ser abandonada.O segundo freio, é a universalidade.Todos os grandes pensadores do Iluminismo foram sensìveis a essa exigência.Segundo Rousseau, para conhecer o que é justo, é preciso observar o que vai no sentido do interesse geral.Montesquieu afirma que é preciso abandonar toda idéia contrària aos interesses da humanidade.Kant em seguida deu a essa noção de universalidade sua formulação filosòfica.A autonomia é reivindicada, autonomia do indivìduo, do conhecimento, do povo, mas também é uma autonomia refreada, cercada pelas idéias de universalidade e de humanidade.

M.L.Os princìpios do Iluminismo definiram uma perspectiva de progresso.Atualmente, todo discurso que se referencia a esses princìpios confronta-se aos horrores da història e a impossibilidade de acreditar em um futuro melhor.

T.T. Contrariamente a uma idéia muito divulgada, todos os homens do Iluminismo não reivindicou a idéia de um progresso lineàrio.Todos, no entanto, reivindicaram o aperfeiçoamento da espécie humana, e esse conflito entre uma teoria do progresso e uma teoria do aperfeiçoamento produz uma tensão interessante.Turgot é um dos grandes defensores do progresso.Ele recupera o esquema de Bossuet, o de alcançar as grandes feições da providência, substituindo a este um conteùdo profano.Voltaire, é mais hesitante: ele afirma que a humanidade avança lentamente em direção ao progresso,sublinhando a palavra lentamente.Lessing pleita por uma concepção da història que é a da educação do genero humano:é unicamente por ignorância que cometemos o mal, o bem tem que ser ensinado.Esse grupo do Iluminismo acredita no progresso, mas ele tem que enfrentar inùmeras crìticas, como as de Hume ou Mendelssohn. A idéia do progresso é um dos temas essenciais do conflito entre Rousseau e os enciclopedistas.Rousseau acredita que cada progresso se paga muito caro com uma regressão.No "Discurso sobre a origem da desigualdade", ele chama a atenção sobre o fato que quanto mais facilitamos a vida do indivìduo mais sobrecarregamos a espécie.Os progressos da ciência tornam-se dissabores para os homens.O que é particularmente perigoso é de pensar que podemos conceber o paraìso na terra.Rousseau não pretende instaurar uma humanidade perfeita, nem curà-la de suas moléstias.Para ele, o bem e o mal esvaem da mesma fonte, que é nossa liberdade.Curar a humanidade do que ela é produziria uma outra espécie.Ele pensa a vida humana como um "jardim imperfeito", para retomar a metàfora de Montaigne.Não é um bom programa polìtico, ou uma redistribuição dos meios de produção que podem tudo resolver.As revoluções sò compreenderam uma parte do Iluminismo.No entanto, Rousseau insiste na idéia de aperfeiçoamento, ( pefectibilité, palavra que parece ter sido inventada por Rousseau),a todo instante, o ser humano é capaz de conceber um estado melhor que o estado em que ele se encontra, quando um animal não tem consciência e não pode imaginar outra coisa além do que ele vive.O ser humano tem a capacidade singular de ter um ideal, de querer mudar.Ele vivia no pecado, diria um crente, e ele decidiu de não mais pecar.Mas isso não dà um sentido a història ! Quando criticamos a fé ingênua no progresso, nois continuamos fieis ao Iluminismo.Ao Iluminismo de Mondelsshon, Rousseau e Kant, em vez de Turgot, Lessing ou Condorcet.

M.L. Apois a Revolução ter "transtornado" toda a Europa e ter-se transformado"em exercito de Napoleon para conquistar", nois assistimos a um aumento dos nacionalismos, um retorno ao solo, ao sangue, ao passado, a profundeza dos mitos.Atualmente esses demônios nacionalistas que pensavamos enterrados reaparecem novamente.

T.T. A imagem que vem ao meu espìrito, é a imagem da "Hydre" que tendo suas cabeças cortadas, essas renascem constantemente.Tirando a legitimidade da realeza e da igreja, os homens do Iluminismo sonhavam de ser o "Hercules" que corta essas cabeças sem vê-las renascerem rapidamente.O Aperfeiçoamento ,( La perfectibilité), sozinho não provoca um progresso claro e isso nos obriga a recomeçar constantemente.As reações contra a autonomia, o humanismo, o universalismo voltam regularmente : o ser humano não é tão simples como acreditava a antropologia do Iluminismo.Ele aspira à liberdade e à emancipação, mas ele também conhece o medo da liberdade, o desejo de ser protegido, de viver na rotina, de se abandonar ao egoìsmo.Eu tenho que precisar, que desde o fim do XVIII século, o Iluminismo foi atacado por duas posições opostas, que o acusavam simultâneamente de fazer muito e muito pouco.Montesquieu dizia sentir-se como alguém que morava no primeiro andar: incomodado ao mesmo tempo pela fumaça de baixo e pelo barulho de cima...Na carta de "Beaumont", Rousseau explicava que apenas acabado o seu debate com os devotos, ele devia combater os "fiòsofos".

M.L. Existe uma outra maneira de se opor ao Iluminismo : O conhecimento é livre, mais ele não està mais ao serviço do bem-estar da humanidade.

T.T. È preciso distinguir os "rejeitos" das deturpações que forçam o Programa do Iluminismo ao extrêmo, até transforma-lo no seu contràrio.Quando Sade explica, no livro "La Philosophie dans le boudoir" que não devemos de nenhuma maneira obedecer as tutelas vindas do além, nem se submeter a moral tradicional, ele està no espìrito do Iluminismo.Mas quando ele reivindica o direito de provocar o sofrimento no outro porque esse sofrimento causa prazer, ele nega a procura do bem comum, esse freio oposto à vontade ilimitada, e bem mais grave, ele imagina o homem autosuficiente.Da mesma maneira, os totalitarismos são filhos ilegìtimos do Iluminismo.O comunismo por exempl por exemplo proclama uma transparência total do ser humano no plano do conhecimento: uma capacidade de saber tudo e a possibilidade de criar um homem novo atraveis a reeducação, e a transformação social das condições de vida.Ora, o projeto do Iluminismo comporta um princìpio de incerteza. Montesquieu afirma a existência de uma parte de inconcebìvel no homem, ligada a sua pròpria liberdade, pela qual ele escapa ao determinismo causal.O Iluminismo introduziu a idéia da pluralidade humana: os Negros da Africa são seres humanos iguais aos Brancos da Europa.Esse reconhecimento da diversidade implica no entanto uma visão de união da humanidade. O relativismo radical pode, no entanto, chegar a idéia que as raças são tão diferentes que elas não podem nem comunicar, nem se misturar.Atualmente, nois estamos bem mais ameaçados pelas deturpações do Iluminismo que pelos "rejeitos".O Iluminismo quis substituir um fim humano ao fim divino de nossas ações, justificação de nossa existência.Ora, cada vez mais, nois estamos induzidos por um movimento que conduz ao abandono dessa finalidade humana : agora sò existem meios.Nois esquecemos que eles existem para sevir a um fim, e nois perseguimos sem pausa a idéia de desenvolvimento, de produção, sem mais nos interrogarmos sobre a finalidade desse ativismo "desenfreado".Ora, o desempenho econômico não é um fim nele-mesmo, ele sò é positivo na medida em que ele serve ao nosso maior bem-estar.

M.L. Entre os filhos legìtimos ou não do Iluminismo, encontramos o liberalismo, noção sistematicamente associada, no XIX século, ao espìrito do Iluminismo.O termo mudou de sentido e se confunde atualmente com essa economia que funciona sozinha.

T.T.Na qualidade de historiador das idéias, sinto-me constrangido pelo uso da palavra "liberalismo".Prosseguindo uma sorte de desconsideração do vocabulàrio marxista, essa palavra tornou-se substituto para a palavra "capitalismo". Ora, o liberalismo da época era antes de tudo polìtico.Ele tinha como objetivo de botar um freio na ação do Estado, para que esse mesmo não possa nos impor a sua maneira de pensar e de viver.Atualmente, nois queremos poder escolher nossa religião,a escola de nossos filhos, a cidade onde moramos.Na Bulgària da minha infância, democracia popular, era muito difìcil de morar em Sofia se tinhamos nascido em outro lugar, de escolher nossa profissão ou o lugar onde trabalhariamos.Era o contràrio do liberalismo.Eu tenho muita dificuldade para imaginar nossos contemporâneos hostis a esse liberalismo polìtico, que era o de Montesquieu, de Benjamim Constant e de Tocqueville, ou de Raymond Aron, esse herdeiro do Iluminismo.

M.L. Um dos fundamentos do Iluminismo, era a constituição de uma opinião pùblica.Atualmente, mesmo nas democracias liberais, a manipulação da opinião tornou-se uma técnica que funciona sozinha, e onde a finalidade humana corre o risco de ser esquecida.

T.T. A mìdia està sempre ao serviço de um fim que não tem nada de nobre:aumentar e consolidar o seu poder.È uma deturpação do Iluminismo que nos priva de nossa autonomia.Nois acreditamos ser livres, mais nois somos submissos a propaganda que nos é destilada pela televisão e pelos jornais.Eles são pluralistas, mas no interior de um contexto predeterminado. O Iluminismo constitue um apelo a vigilância.No "Discurso sobre a origem da desigualdade" Rousseau lembra que diante de qualquer e toda pressão, o ser humano, e somente ele, tem a capacidade de aceitar ou de resistir.Não devemos jamais esquecer: Nois podemos, tambem, resistir.

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