domingo, 8 de abril de 2007

A Religião é Realmente Importante?


A religião é regida ainda hoje, por princípios de milhares de anos atrás, onde os costumes, as condições sociais, o desenvolvimento, e principalmente, o conhecimento, eram muito diferentes dos dias atuais. A religião não se preocupa apenas com os aspectos puramente teológicos ou ligados à fé. Ela também se preocupa em ditar normas de comportamento, de valores éticos, morais e educacionais, de acordo com seus próprios interesses. Nossos filhos são muito diferentes de nós, assim como nós somos diferentes dos nossos pais, nossos pais de nossos avós, e assim sucessivamente. Imagine agora nós nos transportarmos para uma época há mais de 2000 anos atrás, com uma população mundial completamente desinformada, onde só os nobres e alguns poucos privilegiados eram alfabetizados. O mundo evoluiu muito, podemos citar como exemplo, os meios de transportes, onde no início, os pés eram o principal meio de transporte do homem, depois o cavalo, as caravelas, o navio, o automóvel, o avião e hoje já estamos na época das espaçonaves, em viagens interplanetárias, conquistando outros planetas. Outro exemplo são os meios de comunicação, que no início, o homem utilizava a fumaça, os tambores, o telégrafo, o telefone, o fax, e hoje já vivemos na era do micro chip com a internet. Outro exemplo importante é o da questão energética, que já foi gerada pelo vento, pela água, pelo carvão, pelo petróleo, e hoje nos encontramos na era do átomo. Como pudemos ver acima, as diferenças nas questões da informação e do conhecimento, evoluíram de uma forma impressionante.

Mas voltando a questão do crescimento religioso, este fato é marcado de uma maneira bastante expressiva pelo povo judeu, que eram nômades e habitavam a região da Palestina. Este povo sempre foi muito oprimido e humilhado, e hoje mesmo usamos a expressão judiar no sentido de maltratar, castigar, que se origina da saga do povo judeu. Depois de centenas de anos de destruições de sua cidade, de seus cativeiros, a única alternativa que julgaram possuir, era a esperança bíblica que dizia que Deus enviaria um salvador. Na época, apareceram dezenas de candidatos a salvador, mas João Batista escolheu e batizou Jesus Cristo, que era descendente d Davi, e isto causou uma cisão entre as várias facções de judeus, que entendiam que o salvador deveria ser descendente de Abraão. Apesar da história possuir a biografia de milhares de personagens históricos, existem poucos registros sobre a vida de Jesus Cristo, a não ser de seus últimos 4 a 6 anos de vida, e mesmo a bíblia, faz poucas referências a Jesus Cristo, a não ser nos evangelhos e epístolas. Deu-se início então a um período de perseguição ao cristianismo, que era considerado uma ameaça ao poder constituído da época, até aparecer um imperador chamado Constatino, que era um jovem possuidor de muita coragem e inteligência, que sempre foi muito admirado e até hoje é motivo de muitas pesquisas. Esse jovem imperador possuía um pequeno exército e quando conquistava uma cidade, ao invés de destruí-la, castigar e matar seus inimigos, ele os tratava com elegância e educação, dividia parte das riquezas com a população, e desta forma, o povo e os soldados desta cidade se tornavam seus admiradores e seguidores, aumentando o seu exército, e assim ele conquistou praticamente todo o mundo da época (350 DC). Neste período ela funda a cidade de Constantinopla, transfere a capital do império d Roma para Constantinopla, depois de ter uma visão de uma espada iluminada, pois ele entendeu ser isso uma mensagem divina, e se converte ao cristianismo, instituindo essa religião como sendo oficial e obrigatória, e este fato marca o início do que conhecemos como idade média.

Mesmo na idade da pedra, na idade do bronze, na idade antiga, as civilizações tiveram grandes desenvolvimentos na fabricação de ferramentas, na agricultura, arquitetura, astronomia, matemática, etc., porém, a idade média é conhecida como a idade das trevas, do total desconhecimento e involução, e é justamente o período de grande desenvolvimento do cristianismo, que promoviam verdadeiros massacres aos que não concordavam com os seus mandamentos religiosos, promovendo inquisições, cruzadas, etc..

Eis que no início d 1400, surgem sinais de mudanças com relação ao mundo, pois os portugueses inventam as caravelas, que permitiriam viagens inter oceânicas, e o infante D. Henrique, funda a Escola d Sagres, para formação de navegadores. Este fato é de grande importância comercial e inicia-se o período dos grandes descobrimentos. Em 1455 um ourives alemão chamado Johann Gutemberg tem um invento que transforma completamente a trajetória e história da humanidade. Ele inventa a imprensa, e seu primeiro trabalho foi imprimir 200 bíblias, cada página da bíblia demorou um dia para ser montada. Este invento traz enorme impulso ao conhecimento.

No início d 1500 surge um personagem que promove um duro golpe na Igreja Católica, chama-se Martin Lutero, formado em artes, atravessa uma grande crise existencial, com a perda repentina de seu melhor amigo, e de ter escapado por pouco da morte, quando quase foi atingido por um raio. Resolve então estudar teologia, e em seguida, quando residia em Roma, revolta-se com os baixos valores morais do clero, com a vida profana levada pelos líderes religiosos e com a venda de indulgências. Quando é iniciada uma campanha para a construção da Basílica de São Pedro, com venda de indulgências (pedaços do manto sagrado de Cristo, pedaços de madeira da cruz de Cristo, etc.), Lutero rompeu com a Igreja Católica, e pregou suas 95 teses d ensinamento religioso, na porta da Igreja de Todos os Santos, em Wittemberg, na Alemanha, onde determina que a igreja, os padres e os sacramentos, são inúteis para a salvação da alma, que o homem só se salva pela fé, pela obediência à bíblia. Lutero admite apenas dois sacramentos, o batismo e a eucaristia, e não os sete da Igreja Católica. Condena a hierarquia da igreja, o voto de celibato, a invocação de santos, as peregrinações e as relíquias religiosas. Lutero é excomungado pelo papa Leão X, mas rasga em praça pública o documento de excomunhão, sendo então considerado um fora da lei, podendo ser condenado à morte. É então refugiado, protegido e escondido, por um príncipe alemão amigo, e em 1522 traduz do grego para o alemão o Novo Testamento, e em 1534 o Velho Testamento, tornando assim, acessível à população, a leitura da bíblia. Lutero funda então, o Protestantismo. Toda essa trajetória de Lutero só foi possível porque interessava muito aos nobres, aos reis e à burguesia, o confronto com a Igreja Católica, para que assim recuperassem suas propriedades. Portanto, havia as condições ideais na Alemanha, para o rompimento com a Igreja Católica. Há, porém, uma passagem extremamente negativa na vida d Lutero, houve uma revolta por parte dos camponeses, que apoiaram Lutero e não tiveram suas terras apropriadas pela nobreza de volta. Então Lutero recomenda aos nobres, o extermínio dos camponeses, porque eles representavam uma ameaça para os nobres, e assim houve o massacre de mais de cem mil camponeses, tendo sido o líder Thomas Munzer, decapitado.

Paralelo às pregações de Lutero, surge o movimento que determinaria a transição da idade média para a idade moderna, que além de promover grandes transformações, também mudaria o destino da humanidade e enfraqueceria de forma crucial a Igreja Católica, que foi o Renascimento. Num mesmo período, viveram e impulsionaram as artes, a cultura e a ciência, Leonardo da Vinci (Monalisa, Santa Ceia...que é o quadro mais reproduzido no mundo), Michelangelo (Capela Sistina), Nicolau Copérnico (Teoria Heliocêntrica), Galileu Galilei (Leis do Movimento), William Harvey (Pai da Circulação Sangüínea...todos pensavam ser o fígado o responsável pela circulação), André Vesalius (Pai da Anatomia), William Shaskepeare(Maior Escritor da História), etc.. Cabe aqui, uma observação sobre os antagonismos existentes entre a ciência e a religião, pois existem muitas controvérsias sobre essa questão, e como exemplo, destacamos a teoria geocêntrica, q entendia q tds os planetas giravam em torno da terra, defendida pela igreja e também por Ptolomeu (sujeitinho teimoso esse Ptolomeu!), contra a teoria heliocêntrica, que determina que todos os planetas giram em torno do sol, repelida pela igreja e comprovada por Copérnico, que já era defendida por Pitágoras 600 AC e também por Eratóstenes 300 AC, que como ilustração irei descrever: As cidades de Alexandria e Siena ficavam sob o mesmo meridiano, e Eratóstenes sabia o ângulo formado pelo sol às 12 horas em cada uma das cidades. Medindo a distância entre as duas cidades em passos e usando a teoria das triangulações, calculou que o ângulo formado pelas duas cidades tendo o vértice do sol era de 7,2º e dividindo pelo ângulo da circunferência (360º), em cálculo azimutal, determinou q a circunferência da Terra era a distância entre Alexandria e Siena multiplicada por 50. Tendo determinado então 44.000 km, e errou por pouco, pois a circunferência da Terra é d 40.000 km.

Mas continuando a questão religiosa, a Igreja Católica, tomou providências para neutralizar a sua desmoralização com o surgimento do Renascentismo e o avanço do Protestantismo, restabelecendo a inquisição, colocando como comandante, o militar espanhol, Inácio de Loyola, que criou a instituição militar, Companhia de Jesus. Isto fez com q à exceção da Inglaterra e da Alemanha, a Igreja Católica não perdesse o seu poder e o seu patrimônio, principalmente na Itália, Portugal e Espanha.

Na Inglaterra, o rei Henrique VIII, querendo se apossar das terras e de outros bens materiais da Igreja Católica, rompe com a mesma, e funda a Religião Anglicana, que no fundo era bem semelhante ao catolicismo.
Outro personagem importante é João Calvino, francês refugiado na Suíça, que também se volta contra a Igreja Católica, e estabelece ensinamentos religiosos para agradar à nobreza, já que Henrique VIII ganhava muitos lucros com a comercialização de lã. Calvino exaltava as atividades econômicas, dizia que só os eleitos vencem na vida e que vencer na vida significava acumulação de riquezas. Ensinava também que Deus destina a alguns a vida eterna e a outros a eterna danação. Calvino também não se contentava que os cultos de Lutero eram mais freqüentados que os seus, e espionando Lutero, descobriu que Lutero introduzia cânticos em seus cultos, já que o mesmo tinha grande conhecimento sobre música, e este era um dos motivos do sucesso dos cultos de Lutero.

Segue-se então o êxodo europeu para a América do Norte, onde os emigrantes que ali se instalavam, sentiam-se livres da imposição religiosa, e estimulados a seguirem a crença que quisessem, começaram a fundar as mais diferentes seitas, como: batistas, presbiterianos, congregacionais, mormons, adventistas, testemunhas de jeová, etc.. Mas o grande salto do segmento protestante, foi sem dúvida, o desenvolvimento do pentecostalismo, a partir da suposição do pregador William Seymour, 1906, de que a emissão de sílabas incompreensíveis (glossolalia) por parte dos fiéis, significa um sinal de batismo no espírito santo. Isto impulsionou deforma impressionante o movimento pentecostal, que possui suas bases no recebimento do espírito santo e nos seus dons, falar em línguas estranhas, profetizar e na cura divina. Dá para acreditar??? E hoje o segmento pentecostal já é representado por mais de 400 seitas.

Enfim, considero que a religião não convive de forma harmoniosa com a questão racional, que ela cria um mundo irreal e abstrato de amor, esperança, igualdade e fraternidade, para muitas pessoas que na realidade são completamente opostas a esses sentimentos, embora reconheço a importância das religiões. Penso que as pessoas podem ser extremamente generosas, resolverem seus conflitos e praticarem ações positivas, sem necessariamente, pertencerem a algum segmento religioso. Amém!!!!!!!!!

Ruy Basílio

Reflexões sobre a Revolução francesa

"Posso atualmente felicitar a França de sua liberdade ?

"As circunstâncias (que aos olhos de certos senhores,não tem nenhuma valor ) dão na realidade a todo princìpio polìtico sua cor distintiva e seu efeito discriminante.As circunstâncias são o que tornam todo Sistema Civil e Polìtico Benéfico ou Nocivo para a humanidade.Falando " de maneira abstracional?"- não sei se a palavra existe ? -, o governo,da mesma maneira que a liberdade, é bom;portanto, poderei razoavelmente felicitar a França,dez anos atràs, de possuir um governo (pois ela tinha um governo) sem procurar saber de que natureza era esse governo ou de qual maneira ele se exercia ?
Posso agora felicitar a mesma nação da sua liberdade ? Serà que, pela razão da liberdade "no modo abstrato" pode colocar-se entre as dàdivas da humanidade, eu sou seriamente suposto felicitar um demente que se libertou das estraves protetoras e da obscuridade sadia de sua célula de ter encontrado a fruição da luz e da liberdade ?
Sou suposto felicitar um assassino de grande celebridade por seus crimes de ter fugido da prisão e ter reencontrado seus direitos naturais? Seria pôr em cena novamente os criminosos condenados às galeras e o seu libertador heroìco, o metafìsico cavalheiro com sua triste expressão.
Quando eu vejo o espìrito de liberdade em ação, eu vejo um poderoso princìpio agindo; e é nesse momento, durante um tempo, tudo o que posso conhecer.
[...]Antes de me aventurar publicamente a felicitar os homens de uma benção, eu preciso estar mais ou menos certo que eles receberam realmente uma benção.A lisonja corrompe o que a recebe e seu autor; a adulação não serve nem ao povo nem a seu rei.Eu tenho então que suspender minhas felicitações sobre o sujeito da nova liberdade da França,antes de saber como ela se conjugou com o governo; com qual força pùblica; com a disciplina e a obediência das forças armadas; com a utilização dos impostos de maneira eficaz e bem distribuìdos; com a moralidade e a religião; com a estabilidade da propriedade; com a Paz e a Ordem; com os costumes pùblicos e sociais.
Todas essas coisas são (com suas maneiras) coisas boas; e, na ausência delas, a liberdade não é uma benção enquanto ela dura e não tem a mìnima chance de continuar muito tempo.O efeito da liberdade, para os indivìduos, é que eles podem fazer o que querem e os agrada;È preciso saber o que lhes serà agradàvel de fazer, antes de arriscar felicitações que poderiam logo se transformar em queixas.È o que ditaria a prudência no caso de indivìduos privados separados e isolados;mas a liberdade, quando os homens agem como se formassem um corpo ùnico, é uma Potência,e particularmente de uma coisa tão redutàvel que uma Potência Nova nas mãos de Novas Pessoas, cujos princìpios, o temperamento e as disposições não lhes são conhecidos ou pouco conhecidos, e nas situações ou aqueles que parecem mais agitados na cena poderiam muito bem não ser aqueles que dominam a situação.
[...]Todas essas considerações unidas, a Revolução francesa é a mais espantosa que apareceu até agora nesse mundo.As coisas mais maravilhosas são causadas, em vàrias situações, por razões bem absurdas e ridìculas, da maneira mais "risìvel", e a meu ver, com os instrumentos mais "desprezìveis" ( de desprezo ).
Tudo parece estrangeiro à natureza nesse estranho caos de leveza e de ferocidade e todas as formas de crimes são misturados a todas as formas de loucuras.Quando consideramos essa cena tràgico-cômica monstruosa, as paixões mais opostas se sucedem necessariamente e, as vezes, se misturam no espìrito; o desprezo alterna-se com a indignação, o sorriso com as làgrimas, o desdenho com o horror.

- Reflexões sobre a Revolução francesa ( 1790 ), Trad.Original F.Lessay - Edmund Burke


Edmund Burke : liberalismo e contra-revolução

O pensamento liberal percorreu, no curso de sua història, bifurcações que o afastou de suas primìcias.Foi o que aconteceu quando, no fim do século XIX, ele deu nascimento na Inglaterra ao socialismo democràtico da Sociedade fabienne, antepassado do partido trabalhista. Um século antes, foi sua declive conservadora que se manifestou na pluma de Edmund Burke ( 1729 - 1797 ).
A preucupação predominante das liberdades não se apagou no entanto.

Um "franc-tireur"

Anglo-Irlandês, Edmund Burke nascido em Dublin em 1729.Estabelecido na Inglaterra apois seus estudos, ele planeia primeiro uma carreira jurìdica, frequenta os meios literàrios, depois entra na polìtica ao lado do partido "whig".
Ele é eleito deputado pela primeira vez em 1774.
Ele atira a atenção no Parlamento atravéis suas intervenções em favor de uma flexibilidade da legislação anti-catòlica, das concessões aos Americanos revoltados, de uma redução da influência da coroa na "Chambre des Communes".
Contrariamente a maioria de seus amigos polìticos, ele denuncia com força a Revolução francesa.
Ele morre em 1797.
È em 1790 que é publicada sua principal obra polìtica, "Reflexões sobre a Revolução francesa", extrato acima.Esse livro tem um forte caràter polêmico.O primeiro objetivo é a vontade de demonstrar que, contrariamente às pessoas que acreditam muito em "whigs", a Revolução francesa, evento monstruoso a seu ver,não tem nada em comum com as relações que a Inglaterra conheceu no século XVII.Essas sò tinham como objetivo de defender as liberdades dos Ingleses - as das pessoas como as do Parlamento - contra as tentativas de instauração de um regime de monarquia absoluta.Elas visavam a salvaguarda de uma herança constitucional forjada pela història.

Despotismo revolucionàrio

Os revolucionàrios franceses, ao contràrio, se esforçam de fazer "table rase du passé" - apagar o passado - e, em nome de direitos abstratos,construir instituições radicalmente novas fundadas na ficção de um cidadão universal.
Essa violência feita à realidade històrica é uma loucura aos olhos de Burke, e se bem que a Revolução ainda não se transformou em uma polìtica de terror, ela conduzirà ao despotismo, ùnica saìda para o caos que surgirà inevitavelmente.


As liberdades como Tradição

Nesse ataque racional pode-se perceber a hostilidade contra ao "hyperracionalismo" do Iluminismo que, segundo Burke, tem sua origem em 1789.Nòs não teriamos razão, no entanto,de sò estudar na sua obra, o que ele, analisa como uma filosofia contra-revolucionària de inspiração romantica.O ensaio polêmico de Burke oferece um condensado de um discurso tipicamente "whig" que privilegia " une approche" que nòs poderiamos dizer "historicista" da polìtica, sem recusar de maneira alguma as leções da razão.Para ser o produto de uma evolução secular, as liberdades são como podemos ver, autênticas.Privilégio do povo inglês, elas procedem de uma inclinação natural de Todos os Homens à Justiça, ao Respeito do Direito, ao livre percurso do bem-estar. O respeito devido a antiguidade das Leis e dos costumes reposa na convicção que os homens que os formaram foram razoàveis e capazes de Progresso da mesma maneira que a atual geração.A Confiança Indestrutìvel na Capacidade da sociedade para Produzir ela-mesmo uma Ordem Justa é um dos aspectos do liberalismo.
Logo não é surpreendente que o crìtico da Revolução francesa tenha sido admirado por alguns pensadores liberais do século XX, como Friedrich Von Hayek

F.L - France

"O sistema simples da liberdade natural.....

""O sistema simples da liberdade natural apresenta-se dele-mesmo "

Quando um animal quer obter alguma coisa de outro animal ou de um homem, ele não tem outra possibilidade a não ser a de procurar ganhar o favor daquele que ele precisa.
A criança faz um carinho na sua mãe, e o cachorro que assiste ao jantar de seu mestre se esforça de mil maneiras para atirar à sua atenção esperando obter um pouco de comida. O homem age algumas vezes da mesma maneira com seus semelhantes, e quando ele não tem um outro caminho para os engajar a fazer o que ele deseja, ele procura ganhar suas boas graças atravéis lisonjas e atenções servis.No entanto ele não dispõe sempre como ele quer de pôr esses meios em obra.Em uma sociedade civilisada, ele precisa em vàrios momentos da assistência e do concurso de uma multitude de homens, enquanto que sua vida inteira não seria suficiente para ele ganhar a amizade de algumas pessoas.
Em quase todas as espécies de animais, cada indivìduo, quando ele chega a seu crescimento pleno, é totalmente independente e , enquanto ele fica no seu estado natural, ele pode se passar da ajuda de qualquer outra criatura viva.Mais o homem tem quase continuamente a necessidade do socorro de seus semelhantes, e é em vão que ele esperaria deles o sentimento ùnico de benevolência.Ele serà bem mais certo de conseguir, se ele se dirige a seu interesse pessoal e se ele o convence que é sua pròpria avantagem que lhe ordena de fazer o que ele deseja.È o que faz àquele que propõe a um outro um mercado qualquer; o sentido de sua proposição é o seguinte: Me deem o que eu preciso, e vocês terão de mim aquilo que vocês precisam; e a maior parte desses bons oficios que nos são necessàrios obteem-se dessa maneira.Não é à benevolência do cortador, do comerciante de cerveja e do padeiro, que nòs esperamos no nosso jantar, mais o cuidado que eles têm para com seus pròprios interesses.

- Pesquisa sobre a natureza e as causas da riqueza das nações ( 1776 ), livro I, Cap. 2, Trad.G.Garnier, Revista por A.Blanqui ( 1881 ).

Assim, deixando de lado todos esses sistemas ou de preferências ou de obstàculos, o sistema simples e fàcil da liberdade natural vem se apresentar dele-mesmo e encontra-se totalmente estabelecido.
Todo homem, enquanto ele não transgride às LEIS DE JUSTICA, permanece em plena liberdade de seguir o caminho que lhe mostra seu interesse, e de portar onde lhe agrada sua industria e seu capital, concurrentemente - Não sei se essa palavra existe?; de concurso, concorrer ?, me perdoem, resgatando a lìngua Pàtria, Grata - com aqueles de toda outra classe de homens. O soberano se encontra inteiramente livre de uma responsabilidade que ele não poderia tentar cumprir sem se expor infalivelmente a ser incessantemente enganado de mil maneiras, e que para o cumprimento conveniente dessa responsabilidade não existe nenhuma sabedoria humana nem conhecimento que possam satisfaze-la, a responsabilidade de ser o superintendente da indùstria dos particulares, de dirigir em direção aos empregos mais apropriados ao interesse geral da sociedade.
No sistema da liberdade natural, o soberano sò tem três Deveres a cumprir; TRÊS DEVERES, na realidade de uma ALTA IMPORTANCIA, mais que são CLAROS, SIMPLES e ao Alcance de uma Inteligência ordinaria.O primeiro é o DEVER de DEFENDER a sociedade de TODO ATO DE VIOLÊNCIA ou de INVASÃO da parte de Outras Sociedades INDEPENDENTES. - O segundo, é o DEVER de PROTEGER, na medida do possìvel, Cada Membro da sociedade contra a INJUSTICA ou a OPRESSÃO de TODO OUTRO MEMBRO, ou então o DEVER de ESTABELECER UMA ADMINISTRACAO EXATA DA JUSTICA. - E o terceiro, é o DEVER de ERIGIR e de se OCUPAR de CERTAS OBRAS PUBLICAS e CERTAS INSTITUICÕES que o interesse privado de um particular ou de alguns particulares não poderia jamais lhes portar a erigir ou se ocupar, porque jamais o benefìcio não reemborsaria a despesa a um particular ou a alguns particulares, se bem que em consideração de uma grande sociedade esse benefìcio faça muito mais do que reemborsar as despesas.

- Idem - Livro IV, CAP.9 - Adam Smith -

A autoregulação do mercado

"Entre a doutrina dos economistas [ que os precederam no século XVIII] e a de Adam Smith, existe a mesma distancia que separa o sistema de Tycho Brahé da fìsica de Newton "
È assim que Jean-Baptiste Say, o grande economista liberal do começo do século XIX, faz uma homenagem a Adam Smith, vendo nele o Newton da economia.Sua admiração vai, evidentemente, à "Pesquisa sobre a natureza e as causas da riqueza das nações " ( 1776 ), o livro fundador do liberalismo economico.Sem dùvida algumas obras preconisando a liberdade do comercio foram publicadas antes da "Pesquisa", entre elas a de David Hume ou a dos fisiocratas.Mais jamais antes de Smith a doutrina liberal tinha sido exposta de maneira tão sistematica e tão fortemente argumentada:David Hume sò escrevia ensaios dispersos, enquanto que o partido dos fisiocratas em favor da agricultura foi julgado pouco "convaincant" - de convencer, adj.me perdoem,resgatando a lìngua Pàtria - para a posteridade.
Smith relaciona toda troca economica com a procura do interesse privado.Serà uma maneira de dizer cinicamente que os homens sò se preucupam naturalmente que deles-mesmos ? Certamente que não, por três razões pelo menos.Primeiramente, se os homens devem se dirigir ao interesse de outrem em vez de se dirigir a benevolência deles, não é por causa de um egoismo iredutivelmente inerente à natureza humana.Isso é devido ao desenvolvimento històrico de nossas sociedades, onde a abundancia da produção reposa na divisão do trabalho, esta tendo por consequência que todo homem depende de uma multitude de outros homens para obter os bens que ele deseja.Ora, està excluìdo o fato que nòs possamos fazer apelo a benevolência de uma multitude de desconhecidos.
Em segundo lugar, mesmo em uma sociedade dominada pela divisão do trabalho, existem mùltiplas relações de benevolência; simplesmente, eles não tem a função da troca economica.Em outras palavras,Smith jamais pretendeu fazer do mercado o paradigma de todo elo social.Em terceiro lugar, como ensina outra grande obra de Smith, a "Teoria dos sentimentos morais" ( 1759), a procura do interesse passa necessariamente pela simpatia com outrem, que conduz a uma avaliação moral. A simpatia dita dessa maneira aos homens uma forma de conciliar seus interesses uns com os outros que leva em conta necessariamente a moral : o mercado supõe duas virtudes, a prudência e a justiça. Sem elas,nenhuma troca economica é possìvel.
O mercado se autoregula de maneira a coordenar todas as demandas e todas as "offres" oriundas do interesse privado, como se os homens fossem conduzidos sem saber por uma "mão invisìvel".Essa metàfora significa que os interesses privados,trabalhando para se satisfazer,servem ao mesmo tempo o interesse geral, mesmo se eles o fazem sem querer e sem saber.

Jamais antes Smit
a doutrina liberal
tinha sido exposta
de maneira tão sistematica
e tão bem argumentada.

O Estado indispensàvel

No entanto, o mercado precisa do Estado, que deve cumprir três deveres indispensàveis a atividade economica ( SEGURANCA NACIONAL, PAZ CIVIL, TRABALHOS DE UTILIDADE PUBLICA ).
Porquê não pedir mais ao Estado ? simplesmente porque o mercado é tão complexo que a inteligência, em particular a dos legisladores, é incapaz de apreender o mecanismo de detalhe.
As boas intenções legislativas possuem efeitos perversos que ninguém pode prever.Melhor então não fazer nada que fazer mal. A não-intervenção do Estado tem aos olhos de Smith uma justificação moral, reposando aqui tambem nos ensinamentos da "Teoria : os efeitos perversos das decisões dos legisladores riscam de ser contràrias a virtude de justiça.

- M.B - France - 2007

O mercado supõe
A Prudência e a Justiça
Sem elas, nenhuma
Troca economica
È possìvel.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

A farsa da Campanha da Fraternidade socialista - (e do Ensino Religioso)


Preparem-se para mais uma decepção: o Papa vem aí! Primeiro foi o Bush, agora o Papa. Eles têm tudo a ver – são visíveis como dois bons alvos! Mas neles encontramos a mesma posição diante do óbvio. Pois eles vêm visitar quem não gosta deles e gostaria de vê-los mortos! Estou me referindo à decepção que será causada na mente das pessoas informadas, como nós, que sabem para quê e para quem trabalha a CNBB. Não estou me referindo à acolhida calorosa que o povo brasileiro dará ao Papa. Será uma grande emoção, sem dúvida. Por isso mesmo a decepção, por não podermos ver o Papa dizendo a verdade que gostaríamos que o povo brasileiro soubesse, se é que ele sabe. Isso da boca de um Papa seria maravilhoso.
Mas o mote da Campanha da Fraternidade deste ano é conhecer a “realidade” dos povos da Amazônia. Segundo o texto oficial desse órgão do Foro de São Paulo, a Campanha desse ano ( Vida e Missão Neste Chão) “visa a conhecer a realidade em que vivem os povos da Amazônia, sua cultura, seus valores e as agressões que sofrem por causa do atual modelo econômico e cultural, e lançar um chamado à conversão, à solidariedade, a um novo estilo de vida e a um projeto de desenvolvimento à luz dos valores humanos e evangélicos, seguindo a prática de Jesus no cuidado com a vida humana, especialmente a dos mais pobres, e com toda a natureza”.
Quanto aos povos da Amazônia (ou os índios):
“Os povos da Amazônia, profeticamente, convidam a mudar o estilo de vida. Não basta preservar a Amazônia para garantir a vida do planeta. Cada uma e todas as pessoas, dentro das condições e no bioma em que vivem, precisam converter-se a um estilo de vida baseado na simplicidade e na sobriedade, no respeito e no cuidado para com a natureza, na valorização do outro como parte imperativa da sua existência no presente e no das futuras gerações”.
Mas analisemos o texto oficial da CNBB que selecionei. Aqui estão bem claras duas mentiras: a primeira, que aponta o “sofrimento causado pelo atual modelo econômico e cultural” (!); e a segunda, uma falsa preocupação com a prática de Jesus naquela região (por que mesmo naquela região?). Até aí, nenhuma novidade – a Igreja Católica do Brasil faz isso há anos, mas o modelo econômico e cultural que ela farisaicamente condena é o dos governos que ela apóia! O que ressalta de novo mesmo é o uso de outra instituição, a Educação, e o instituto do “Ensino Religioso” da cartilha vagabunda do MEC como veículo da propaganda da Teologia da Libertação. Temos, então, dois problemas: a farsa do Ensino Religioso no Brasil, e a Teologia da Libertação, as duas faces da mesma moeda. A Igreja brasileira está no chão. Hoje você olha para baixo e desce escadas para encontrá-la, na companhia do governo Lula!
Da mesma maneira e pelo mesmo motivo que a Guerra Fria foi vencida pelos comunistas, a Teologia da Libertação é amplamente vitoriosa no mundo de hoje, pelo menos desde o Concílio Vaticano Segundo. Ela é a linguagem verdadeira da Igreja. A outra é a linguagem oficial, política, diplomática. No mínimo é a sua luz pública, desde que o Papa, seguindo João Paulo II, evita cuidadosamente de fazer desaparecer pela via da informação, desprezando o seu enorme poder de persuasão as sandices criminosas da Teologia da Libertação. Prefere, ao contrário, se valer de aspectos pontuais, ora penalizando um, ora penalizando outro religioso recalcitrante pela ruptura das aparências através do instituto da censura obsequiosa. Ora, isso é ainda fazer o jogo do Concílio Vaticano II que negociou a Igreja com o comunismo internacional, se comprometendo a não tocá-lo, senão na forma inquisitorial de dar exemplos. Em outras palavras, a Igreja Católica não tem capacidade articulada de fazer frente à onda avassaladora do socialismo triunfante dos nossos tempos, deixando de tocar sempre no essencial. O Papa nos visitará como antes Fidel foi visitado e fará as concessões de sempre.
A visita do Papa ao Brasil selará de forma indelével essa verdade. Tal conclusão, vinda de um não-católico e de um ex-cristão como eu, poderia ser interpretada com sarcasmo e desprezo. Aconselho aos sarcásticos, em geral, que meditem mais, que façam seu mea culpa e admitam por fim que o conservadorismo cristão esteja sofrendo o seu pior golpe. A Igreja Católica de hoje é refém do socialismo e de seus subterfúgios e morre sem nenhuma dignidade. Quando se posiciona em alguns aspectos contra ele, o faz de maneira imprudente de modo a espantar o seu rebanho, como é o caso da ex comunio dos casados pela segunda vez. Dela sobrarão apenas os justos, os puros, os inocentes, os incautos e os inadvertidos de sempre do perigo mortal.
Mas agora passemos a olhar mais de perto algumas mentiras da Campanha da Fraternidade. Lembro aos nossos ouvintes* que as minhas críticas e denúncias se referem apenas à CNBB e seu envolvimento político-ideológico com as esquerdas revolucionárias comunistas da América e do mundo, e com o corrupto governo Lula. Em primeiro lugar, vocês saberão agora o que é a Amazônia hoje e desde há 10 anos. Hoje a Amazônia perdeu suas fronteiras ao norte com a Venezuela, ao oeste com a Bolívia e a Colômbia, este último país com uma parte perdida para as FARC. As fronteiras nacionais estão desaparecendo e caindo nas mãos de guerrilhas comunistas. Soldados comunistas venezuelanos, bolivianos e colombianos entram e saem do Brasil como se fossem suas casas. O Brasil finge que não vê nada. Como sempre, Lula nega tudo. O Exército brasileiro faz um papel de tolo na região. A falsa preocupação da Igreja comunista brasileira com a Amazônia é política e estratégica – a Igreja, obedecendo ordens de Cuba e Venezuela, não quer ninguém lá dentro que não esteja sob o controle comunista dela mesma e das ONGs que têm permissão do governo brasileiro para estar lá e cuja missão “ é internacionalizar a Amazônia, um falso patrimônio da humanidade”. Patrimônio da humanidade é conversa fiada de quem quer a Amazônia e está ganhando todo dia um pedacinho dela.
A CNBB quer falar em narcotráfico? Pois bem, falemos. A guerrilha comunista das FARC que comete crimes e mais crimes, e é a principal responsável pelo narcotráfico de cocaína na região, é defendida pela Igreja comunista, pelo governo Lula, por Hugo Chávez e Fidel Castro. Olivério Medina passa por padre aqui no Brasil e pertence às FARC. Todos pertencem ao Foro de São Paulo, uma entidade que dá as diretrizes de ação, inclusive para a Igreja da CNBB e suas campanhas de fraternidade que não são fraternidade coisíssima nenhuma, mas sim o uso descarado e sacrílego da voz de Cristo e dos Evangelhos para a comunização dos povos.
Leio, a seguir, da Cartilha comunista da CNBB algumas passagens que farão vocês saberem a verdade. Da Cartilha dos Encontros Catequéticos com Crianças e Adolescentes, na página 19, encontramos uma heresia e um crime sem nome contra a religião cristã verdadeira, a de Cristo: EU VOU CRIAR UM NOVO CÉU E UMA NOVA TERRA” – objetivo: perceber que a criação de um novo céu e uma nova terra como grande sonho de nosso Deus é responsabilidade de todos”. Isto é de um pecado sem tamanho! Agora já não falam mais em terra, falam no Céu, no Reino dos Céus de Nosso Senhor! Desde quando isso é sonho de Deus ou de Jesus? Os bispos da CNBB que estão por trás dessa frase infame deveriam ser excomungados pelo Papa! Alguém tem que avisar o Papa. Aliás, seria um bom teste para o Sumo Pontífice, uma escolha de sabedoria, uma escolha de Sophia.
Reparem a preocupação com a palavra nova, novo. Parece o Forum Social Mundial e seu mundo novo possível – é a mesma conversa marxista, revolucionária. E o pior, a palavra de Deus é usada desavergonhadamente por estes bispos vermelhos!
“Trabalho e educação para uma nova sociedade” Cartilha Encontros Quaresmais e CNBB, pagina 18. O objetivo da Campanha é “chamar à conversão e um novo estilo de vida”, pág. 5. O que é um novo estilo de vida senão a vida no socialismo?
Na pág. 5 está estampada a “preocupação” evangélica com a biopirataria, a militarização, o narcotráfico e exploração de outros países. Mas, que países estão lá? A Venezuela, a Colômbia, a Bolívia, não os Estados Unidos. Vocês não ficariam sabendo imediatamente se fossem os Estados Unidos? Haveria passeatas nas ruas do mundo todo contra os Estados Unidos. O mundo que morre de paixão pela Amazônia e odeia americanos sairia às ruas; veríamos no Jornal Nacional. Mas sobre a Venezuela comunista de Hugo Chàvez, nenhuma palavra contra. Pelo contrário, só há elogios e proteção. Vejam o seguinte na Cartilha Jovens na CF, à pág. 39: “Os grandes países capitalistas intensificam a corrida pelo controle da região, principalmente os Estados Unidos. O Plano Colômbia, a ofensiva contra a Revolução Bolivariana na Venezuela e a ALCA são exemplos contundentes dos interesses sobre a região”. O que isso tem de fraterno? Quem protege os comunistas venezuelanos é a Igreja brasileira! A Revolução Bolivariana é uma revolução comunista, sem Deus, assassina! O Plano Colômbia é uma invenção americana socialista de Bill Clinton que deixou as FARC sozinhas para a exploração da cocaína! Quem fala contra a ALCA é o PT, o PSOL da Heloisa Helena, a Maria do Rosário!
Ouçam o sacrilégio nessas linhas, à pág. 10 dos Encontros Quaresmais: “Senhor, pedimos pelos povos da Amazônia a difusão de alternativas de convivência frente ao modelo consumista neoliberal”. Estejam certos: Deus não vai ouvir tal sacrilégio. Quem fala em modelo consumista neoliberal é alguém da esquerda; é um socialista de algum partido dos porcos no Congresso; isso é linguagem de políticos comunistas. Deus não os ouve. Onde está a Fraternidade cristã nessa frase ideológica e política?
Na pág. 13 dos Encontros, que se refere à Regional Sul 3 da CNBB, há essa pouca vergonha: “Cristo aponta para a Amazônia. A realidade da Amazônia também está presente em nosso estado do Rio Grande do Sul onde temos realidades de arenização do solo, de plantio de monoculturas (eucalipto, fumo) que embora sejam geradoras de renda, geram o empobrecimento das culturas, do solo e escassez de água”. Ah, D. Dadeus Grings, eu confiava no senhor! Só faltou falar em desertos verdes! Quem é que tem essa conversa mole e mentirosa senão o MST?
Os exemplos se multiplicam nessas cartilhas comunistas. Na Celebração Penitencial nos Encontros Quaresmais, na pág. 21, há a seguinte heresia: “hoje queremos pedir perdão, quando nos acomodamos e nos deixamos levar pelo demônio da economia neoliberal que tem sido a raiz dos males na Amazônia”.
Pensem agora comigo: quem é o demônio, senão o chefe da Igreja comunista do Brasil e sua CNBB? Qual é o partido do demônio que está no poder há 10 anos? Não existe marxismo cristão. Ou se é marxista, ou se é cristão!
Esse é o programa de hoje. Amanhã falarei como os comunistas da Igreja brasileira se aproveitam da ignorância do povo, dos políticos humildes, das pessoas de boa-fé, e do poder público, ao usar o Ensino Religioso como veículo de propaganda marxista-leninista. Amanhã vocês saberão o que é Ensino Religioso do ministro Paulo Renato de Sousa e a quem ele serve. Vocês já adivinharam, não é?

Este artigo foi originalmente lido no programa “A Verdade dói” da Rádio Amaralense FM 101.9, da cidade de Amaral Ferrador – RS


A "mão invisìvel " Adam Smith

" Os ricos são conduzidos por uma mão invisìvel

"Qual é o objetivo do labor e de todo corre-corre desse mundo ? Qual é o fim da avareza e da ambição, da pesquisa da riqueza, do poder e da preêminência ? Serà para responder as necessidades da natureza ? O salàrio do trabalhador modesto pode ser uma resposta. Nòs observamos que este salàrio lhe dà a comida e a roupa, o conforto de uma casa e de uma famìlia. Se nòs examinassemos sua economia com rigor, nòs poderiamos ver que ele gasta uma grande parte de seu salàrio para ter comodidades que podem ser consideradas como superfluidades, e que, nas ocasiões fora do comum, ele pode mesmo consagrar uma parte à vaidade e à distinção. Qual é então a causa de nossa aversão por sua situação? E porquê àqueles que foram educados nos meios mais elevados consideram ser mais horrìvel do que a morte o fato de ser reduzido, mesmo sem trabalho, a viver da mesma comida simples que ele, a morar no mesmo teto humilde e a ser vestido da mesma roupa modesta ?
Serà que eles imaginam que seus estômagos são mais satisfeitos ou que seu sono é mais profundo em um palàcio do que em uma cabana ? O contràrio foi vàrias vezes observado e é tão evidente,se bem que essa evidência nela-mesma nunca foi observada, ninguém a ignora. De onde nasce então essa emulação que corre atravéis as diferentes classes da sociedade ? E quais são as avantagens que nòs propomos atravéis esse grande objetivo da vida humana que nòs chamamos a melhoração de nossa condição ?
Ser observados, ser destacados, ser considerados com simpatia, satisfação e aprovação são todas as avantagens que nòs podemos nos propor a obter.

- Théorie des sentiments moraux ( 1759 ) ( Teoria dos sentimentos morais ), Parte 1, seção III, cap.2 - Trad.M.Bizion, Puf - Adam Smith

È independentemente de qualquer objetivo que o orgulhoso e insensìvel proprietàrio se alegra da imensidade de seus campos, e é sem o mìnimo pensamento para as necessidades de seus irmãos que ele consome na sua imaginação a totalidade da "colheita" que cobre seus campos.
O proverbio familiar e vulgar segundo o qual os olhos são maiores do que a barriga nunca foi tão verdadeiro em relação a esse propòsito. Seu estômago tem uma capacidade insignificante em relação a imensidade de seus desejos, e ele não poderà conter nada mais do que o estômago do mais modesto agricultor.Quanto ao resto, o rico deve distribuir para os que trabalham, da melhor maneira possìvel, essa pequena porção que ele-mesmo utiliza, àqueles que cuidam do palàcio onde essa pequena porção serà consumida, àqueles que procuram e mantem em ordem "les bibetots et les babioles" que são empregados na economia da grandeza. È de seu luxo e de seu capricho que todos obtem sua parte de necessidades da vida, que eles teriam inutilmente esperado de sua humanidade ou de sua justiça. O produto da terra faz viver quase todos os homens que ele é susceptìvel de fazer viver !
Os ricos escolhem apenas nessa quantidade produzida o que é mais precioso e o mais agradàvel.Eles não consomem nada mais do que os pobres e, apesar do egoìsmo e da rapacidade natural, se bem que eles sò aspiram à sua pròpria comodidade, se bem que o ùnico objetivo que eles se propõem de obter dos milhares de braços que eles empregam seja a ùnica satisfação de seus vains e insaciàveis desejos, eles compartilham assim mesmo com os pobres os produtos das melhorações que eles realizam. Eles são conduzidos por uma mão invisìvel a cumprir quase a mesma distribuição das necessidades da vida que aquela que teria sido realizada se a terra tivesse sido dividida em porções iguais entre todos seus habitantes; e dessa maneira, sem querer, sem saber, eles servem os interesses da sociedade e dão os meios para a multiplicação da espécie.
- Idem - Parte IV , cap.1

Adam Smith e a moral do liberalismo econômico

Alguém sabe suficientemente que Adam Smith ( 1723 - 1790 ), o pai fundador do liberalismo econômico, tambem é um profundo filòsofo da moral?
Quinze anos antes de publicar sua obra prima da teoria econômica, a "Procura sobre a natureza e as causas da riqueza das nações " ( 1776 ), ele redige a "Teoria dos sentimentos morais" ( 1759 ).
A relação entre esses dois livros intrigou durante muito tempo seus leitores: ninguém compreendia que um economista gastasse seu tempo - pois o tempo, nòs sabemos, é dinheiro - a dissertar sobre os sentimentos morais.
A surpresa acaba quando compreendemos que a " Teoria " tem por função de expor o fundamento moral do liberalismo econômico preconisado pela "Procura", os valores que são destinados a justifica-lo.Esse ponto é decisivo, pois nòs temos demasiadamente tendência nos dias de hoje a considerar o liberalismo econômico como um discurso puramente pragmàtico, a exposição de uma simples técnica de direção em favor da mundialização, excessivamente ocupada da eficacidade ( gestora ? ) para se embarassar de uma teoria normativa dos valores.
Ao contràrio, a leitura da "Teoria" nos assegura que o liberalismo econômico é uma verdadeira filosofia que posa com força e transparência seus valores.Nòs podemos aceita-los, ou combatê-los, mas em todo caso é preciso conhecê-los para saber do que falamos.
A tese central da "Teoria " é que os julgamentos morais se fundam sobre a simpatia entre os homens.Porque eu simpatizo com outrem, fazê-lo sofrer me faria sofrer, e eu proìbo isso a mim-mesmo.O dever moral é então o produto de um acordo que se instaura entre meus sentimentos e os sentimentos de outrem graças a simpatia.

Simpatia e estima

A influência moral da simpatia intervem em todos os domìnios da vida humana, inclusive no domìnio econômico. Assim, nos dois extratos acima, Smith começa mostrando que o desejo de riquezas tem por motivo principal a procura da simpatia de outrem. Com efeito, é preciso pouca coisa para satisfazer nossas necessidades vitais. Tudo que vai além delas serve sobretudo para atirar a atenção dos outros sobre nòs, atravéis a simpatia. Isso quer dizer que nòs procuramos a suscitar a inveja exibindo nossos sinais exteriores de riqueza ? Não,não essencialmente ( mesmo se isso não està excluìdo), pois, como acabamos de explicar, a simpatia funciona produzindo a estima moral.Nòs então não desejamos realmente ser invejados com a mesma intensidade que nòs desejamos ser aprovados moralmente.
O rico procura legitimar atravéis seu enriquecimento, a provar que ele tem mérito. E se esses bens são mal adquiridos, ele pode aproveitar deles, mas correndo o risco de ser desaprovado por outrem.

A partilha das riquezas

Se a riqueza é adquirida de uma maneira moral ou imoral, o que acontece com aqueles que permanecem pobres ? Vamos imaginar o caso de um rico totalmente egoista, que não quer partilhar nada com os pobres.
Desenvolvendo um paradoxo surpreendente, Smith afirma que ele sò poderà usufruir sozinho de uma pequena parte de sua riqueza, e que ele é obrigado de partilhar o resto com os outros, sem querer e mesmo sem saber.
Com efeito o rico fornece o trabalho a todos àqueles que são encarregados de produzir o que ele deseja:remunerando seus empregados, ele consagra então uma grande parte de sua riqueza a cuidar de seus semelhantes. Tal é a tese ilustrada pela famosa "mão invisìvel", metàfora em que a primeira ocorrência aparece na "Teoria", antes de ser reutilizada na "Procura" com o sucesso que sabemos.

- M.B - France 2007

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Justiça e interesse, David Hume

"Serà de meu interesse de deixar outrem em possessão de seus bens"

Longe de negligenciar nosso interesse pessoal ou o interesse de nossos mais pròximos amigos em nos abstendo de tocar aos bens de outrem, nòs não podemos levar em consideração esses dois interesses de maneira mais adequada do que atravéis uma tal convenção; pois é dessa maneira que nòs conservamos a sociedade que é tão necessària ao bem estar e a conservação de outrem, da mesma maneira que ao nosso bem estar e a nossa conservação.
Essa convenção não é da mesma natureza que uma "promessa", pois as promessas nelas-mesmo,como nòs veremos em seguida,nascem das convenções humanas. È apenas o senso geral do interesse comum; esse senso, todos os membros da sociedade se expressam uns aos outros; esse senso os engaja a regular suas condutas de acordo com certas regras. Eu observo que serà do meu interesse de deixar outrem em possessão de seus bens, contanto que outrem aga da mesma maneira comigo. Outrem a consciência que ele tem um interesse anàlogo a regular sua conduta.
Quando nòs nos expressamos reciprocamente esse senso comum do interesse e que nòs o conhecemos de um lado como do outro, dessa atitude nasce uma resolução e uma conduta apropriadas. È o que nòs podemos chamar com assaz propriedade uma convenção ou um acordo entre os homens, sem que se interponha uma promessa; pois as ações de cada um se relacionam às relações dos outros e nòs as cumprimos supondo que outrem deve, em contraponto, cumprir outras. Dois homens que remam na mesma canoa, a fazem segundo um acordo ou uma convenção, se bem que eles não tenham jamais feito promessas um ao outro. A regra que se aplica a estabilidade dos bens não deriva menos de convenções humanas do que ela nasce gradualmente e do que ela adquire pela força por uma lenta progressão e pela repetição da experiência dos inconvenientes que existem ao transgredi-la.
Ao contàrio essa experiência nos assegura mais ainda, que o senso do interesse tornou-se comum a todos os nossos companheiros e ela nos dà confiança na regularidade de suas condutas para o futuro; é somente na espera de uma tal conduta que se fundam nossa moderação e nossa abstenção.
Foi dessa mesma maneira que as lìnguas se estabeleceram gradualmente atravéis as convenções humanas,sem nenhuma promessa. È da mesma maneira que o ouro e a prata tornam-se as medidas comuns das trocas e que nòs os estimamos como um pagamento suficiente para o que possui cem vezes seu valor. Desde o estabelecimento dessa convenção sobre a abstenção dos bens de outrem e a estabilização de cada um em seus bens, nascem imediatamente ideias de justiça e de injustiça, e igualmente as de propriedade, de direito e de obrigação.

- Traité de la nature humaine ( Tratado da natureza humana) - (1739-1740 ), Livro III, Parte 2, Seção 2, Trad.A.Leroy, Aubier, 1946 - David Hume -

È dessa maneira que as leis de justiça nascem de princìpios sobrenaturais, de uma maneira ainda mais oblìqua e artificial. È o amor de si-mesmo que é sua origem real: e como o amor de si-mesmo de uma pessoa é naturalmente contràrio ao amor de si-mesmo de outra pessoa,essas diferentes paixões interessadas são obrigadas de se ajustar entre elas de maneira a concorrer em um sistema de condutas e de ações. Esse sistema, que compreende o interesse de cada indivìduo, é naturalmente avantajoso ao pùblico, se bem que seus inventores não tenham visado esse fim.

- Idem - Livro III, Parte 2, Seção 6 - David Hume -

Convenção e força de hàbito

David Hume ( 1711 - 1776 ) é um filòsofo iconoclasta.No seu "Tratado da natureza humana " ( 1739 - 1740 ), ele começa mostrando que os conceitos tradicionais da metafìsica ( a alma, a verdade, etc ) são apenas ficções.Ele continua denunciando o caràter tambem fictivo dos grandes conceitos da filosofia moral e polìtica clàssica (a lei, a autoridade, etc.). Em seguida, nos "Discursos polìticos" (1752), ele propõe uma teoria economica liberal que tira todas as consequências do "Tratado". A ideia geral é que o corpo social é capaz de ajustamentos espontaneos em materia economica. O Estado tem evidentemente uma certa influência, mas essa influência é de facilitar a espontaneidade do mercado, não de contraria-la.

Ação limitada do Estado

Os extratos acima permitem de compreender como a crìtica do conceito clàssico do contrato social no "Tratado" conduz a uma tese central do liberalismo economico, ou seja: os interesses particulares, trabalhando para obter uma satisfação, servem espontaneamente o interesse pùblico. Em outras palavras, os homens podem muito bem se coordenar entre eles sem a ajuda do Estado, que é apenas um meio de fazer perdurar essa coordenação inicial.
Essa tese parece com a tese que serà desenvolvida por Adam Smith atravéis a célebre metàfora da "mão invisìvel" - se bem que Smith insista bem mais que seu predecessor sobre o fato que a coordenação espontanea dos interesses particulares realiza-se sem que nòs tenhamos consciência.
Hume interrroga-se primeiramente sobre as razões que conduziram os homens a inventar as leis de justiça. Estas tem por função de evitar os conflitos que nascem quando os homens se encontram em concorrência para obter os bens que eles desejam. Elas fixam os critérios para a apropriação desses bens, delimitando o que cada um pode legitimamente considerar como sua propriedade privada. As leis de justiça permitem então a coordenação e a satisfação dos interesses particulares servindo o interesse pùblico, quer dizer, evitando um conflito generalisado entre todos os homens.

Crìtica do contrato social

Ora, eis o essencial, essa coordenação não tem a forma de um contrato social, que é apenas uma ficção polìtica. Ela não é uma promessa que os homens enunciam com unanimidade, imediatamente conscientes que se trata de uma questão de interesse pùblico. Não, ela é na realidade o que Hume chama uma "convenção", quer dizer, uma sorte de hàbito que cada um adquire progressivamente de não mais tocar nos bens de seu vizinho. Esse hàbito, cada homem adquire em paralelo com os outros homens, quando eles compreendem tambem que eles se habituam eles-mesmos a se abster dos bens de outrem.
O que quer cada um, na realidade, é aproveitar em paz de seus bens, sem visar a pacificar a sociedade na sua totalidade. Mas no fim desse processo, todos acabam tendo consciência que esse objetivo sò pode ser realizado com a condição que todos respeitem as leis da justiça.

Conflito dos liberalismos ?

Pode parecer surpreendente que o liberalismo economico apresente-se aqui como uma crìtica do conceito de contrato social, portanto tão importante no liberalismo polìtico de John Lock.
È que os dois liberalismos, mesmo se eles são plenamente conciliàveis na pràtica, não reposam necessariamente sobre as mesmas posições teòricas. Em ocorrência, o conceito de contrato social supõe uma atitude demasiadamente voluntarista, quer dizer, homens imediatamente super conscientes de servir o interesse pùblico para poder ser aceita pelo liberalismo economico.

Michaël Bizion, autor de Adam Smith e a origem do liberalismo ( PUF, 2003 )

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Deixai-os fazer : eis o grande, o ùnico princìpio

O bem geral deve ser o resultado dos esforços de cada particular para seu pròprio interesse.
Todo homem sadio deve procurar sua subsistência atravéis seu trabalho, porque se ele fosse alimentado sem trabalhar,ele seria as custas de outrem;dos que trabalham. O que o Estado deve a cada um de seus membros,é a destruição dos obstàculos que os incomodaria em seu trabalho, ou o que os pertubaria na fruição dos produtos que são a recompensa desse trabalho. Se esses obstàculos subsistem, os beneficios particulares não diminuirão a probeza geral, porque a causa permanecerà inteira.
Da mesma maneira,todas as familias devem a educação as crianças que nascem:é do interesse imediato delas de faze-lo,e é somente dos esforços de cada uma em particular que pode nascer a perfeição geral da educação.Se vocês se divertam a fundar mestres e bolsas nos colégios, a utilidade disso serà apenas um pequeno nùmero de homens favorizados por acaso, e que talvez não terão os talentos necessàrios para aproveita-los.Isto serà para a nação como uma gota d'àgua derramada no vasto oceano, e vocês terão feito coisas muito pequenas a um alto preço.Além disso, é preciso acostumar os homens a pedir tudo,a receber tudo, a não dever nada a eles-mesmos ? Essa espécie de mendicidade que se estende em todas as condicões degrada um povo,e substitue a todos os sentimentos nobres um caràter de baixeza e de intriga.Os homens estão potencialmente interessados no bem que vocês querem lhe proporcionar, deixai-os fazer:eis o grande , o ùnico pricìpio. Eles parecem não se interessar como vocês gostariam, aumente o interesse deles.Vocês querem aperfeiçoar a educação:proponha prêmios à emulação dos pais e das crianças;mas que esses prêmios sejam oferecidos a qualquer pessoa que possa merece-los,pelo menos em cada ordem de cidadãos;que os empregos e os lugares em todos os generos tornem-se a recompensa do mérito e a perspectiva assegurada de um trabalho,e vocês verão a emulação se iluminar ao mesmo tempo em todas as familias; logo sua nação se elevarà mais alto do que ela-mesma;você terà esclarecido seu espìrito,você lhe terà dado costumes,você terà feito coisas imensas,e não lhe terà sido mais caro do que fundar um colegio.
- Encyclopédie, Article "Fundation" ( 1757 ) - Turgot -

Esses princìpios que qualificavamos de "novo sistema",não lhe pareciam que as màximas do mais simples bon senso.Todo esse pretendido ""sistema" era apoiado nessa màxima : um homem conhece melhor seu interesse do que outro homem a quem esse interesse é inteiramente diferente.
Disso, M. de Gournay concluirà que là onde o interesse dos particulares é o mesmo que o interesse geral, o que podemos fazer de melhor é de deixar cada homem livre de fazer o que ele quer.Ora, é impossìvel que no comercio abandonado a ele mesmo o interesse particular não concorra com o interesse geral. O comercio não pode ser relativo ao interesse geral, ou, o que é a mesma coisa, o Estado sò pode se interessar ao comercio que sob dois pontos de vista: como protetor dos particulares que o compõem, seu interesse é que ninguem possa causar a outem um prejudicio consideràvel, que este não possa se garantir; como formando um corpo polìtico obrigado a se defender contra as INVASÕES EXTERIORES, e a empregar grandes somas nas melhorações interiores,seu interesse é que a massa das riquezas do Estado, e das produções anuais da terra e da industria,seja a maior possìvel[...]Ora,relativamente a todos esses objetos,està claro que o interesse de todos os particulares libertado de todo incômodo,cumpre necessariamente todos esses aspectos de utilidade geral.
- Turgot - Èloge de Gournay - ( 1758 )


Turgot e o interesse particular bem compreendido

Bem mais que as célebres "Reflexões sobre a formação e a distribuição das riquezas" ( 1766 ),é o artigo "Fundação" que Turgot publica na "Enciclopedia" em 1757 que o revela no seu caràter mais fundamental: antes de ser um economista,ele é um homem importante do Iluminismo.O primeiro de todos, ele se inspira na filosofia dos direitos do homem para combater pela liberdade do mercado.Assim é sublinhada a relação entre o Iluminismo e o liberalismo que começa,mais tambem a verdadeira natureza do liberalismo,que excede a noção ùnica de liberdade econômica."Deixem-o fazer": a injunção que Turgot dirige aos gouvernantes afim de que eles não intervenham na atividade dos particulares aparece sobre uma formulação vizinha no "Eloge de Gournay" ( 1758 ).Ela ilustra sua contribuição capital na elaboração da teoria liberal, com o mercado e o câmbio livres.


Liberdade e concorrência

Mas porquê é preciso deixar fazer os indivìduos ?
Por que eles são livres de agir para melhorar o destino deles,eles seguirão espontaneamente a motivação mais poderosa e o guia mais competente que os habitam pela pròpria natureza : seu "interesse particular",conceito que esconde os dois textos citados.A condição todavia que ele não reivindique nenhuma proteção privilegiada,senão a criação de riquezas que favoriza a eficiente liberdade deixada aos particulares seria contrariada.
E porquê dirigir-se tão abruptamente aos governantes ?
Para que eles cessem as pràticas discriminatorias e que eles renunciem a taxar e regulamentar a atividade humana.Para que eles tambem façam o esforço de compreender as mùltiplas virtudes do interesse particular bem compreendido : primeiro de tornar o indivìduo mais modesto responsàvel dele-mesmo quando ele pode assegurar sua pròpria subsistência atravéis seu trabalho,e assim preservar sua dignidade sem nenhuma ajuda.
Turgot anticipa dessa maneira a crìtica que os liberais formularão de encontro ao Estado providência.A partir da coordenação desses interesses particulares sobre a forma de concorrência resulta necessariamente, se bem que não intencionalmente, uma prosperidade conforme ao "bem geral".Outra anticipação de Turgot: a ideia da "mão invisìvel" da qual Adam Smith se inspirarà na "Riqueza das nações" ( 1776 ).Para esse promotor do "deixar-fazer", o interesse geral não salienta nem comprime os interesses particulares, ele se alimenta.
Em que transformaria-se então o Estado nesse "novo sistema" que corresponde ao que o autor chama em outro lugar " o sistema liberdade " ? Se ele não intervem mais na regulação da economia,ele deve cumprir coisas essenciais:eliminar os obstàculos que impedem a ação dos indivìduos,garantindo a cada um que ele poderà desfrutar livremente do resultado de seus esforços, logo de seu direito natural de propriedade, e viver em PAZ, Protegido da VIOLÊNCIA.
Dessa vez anunciam-se ao mesmo tempo o Estado limitado e o Estado de direito dos liberais, Protetor da Liberdade e da Propriedade.

Ministro de Louis XVI

Nesses dois textos nòs podemos ver a grande influência de Turgot na elaboração do liberalismo clàssico.Neles se encontram os grandes temas que os grandes liberais franceses do século XIX, como Benjamin Constant, Jean-Baptiste Say e Frederic Bastiat se inspirarão.
Paradoxo ?Exercendo o cargo de " contrôleur général des finances" de 1774 a 1776, Turgot, o adversàrio declarado do despotismo, deverà se comportar como despòtico esclarecido para combater os interesses hostis à supressão do trabalho não remunerado que os "serfs" les "roturiers" deviam aos senhores das corporações.Coalizados, os senhores conseguirão fazer que ele seja afastado do poder...
- Alain Laurent, autor do "Liberalismo americano "( Les Belles Lettres , 2006 )

terça-feira, 3 de abril de 2007

" A liberdade sò se encontra nos governos moderados"

A liberdade polìtica sò se encontra nos governos moderados
[...] Ela sò està presente que se nòs não abusamos do poder ; mas é uma experiência eterna que todo homem que tem o poder é levado a abusar dele.[...].
Existe em cada Estado três sortes de poderes: o poder legislativo, o poder executivo das coisas que dependem do direito das pessoas, e o poder executivo das coisas que dependem do direito civil.Atravéis o primeiro, o prìncipe ou o magistrado fazem as leis por um tempo determinado ou para sempre, e corrige ou abole aquelas que são feitas.Pelo segundo ele faz a paz ou a guerra, envia ou recebe embaixadas, estabelece a segurança, prevem as invasões. Pelo terceiro, ele pune os crimes, ou julga os diferendos dos particulares.Nòs chamamos o ùltimo de poder de julgar, e o outro simplesmente o poder executivo do Estado.
A liberdade polìtica de um cidadão é essa tranquilidade de espìrito que provem da opinião que cada um tem de sua segurança; e para que nòs tenhamos essa liberdade, é preciso que o governo seja tal que um cidadão não possa temer outro cidadão.[...]
Tudo estaria perdido, se o mesmo homem, ou o mesmo corpo[...]exercessem esses três poderes: o de fazer as leis, o de executar as resoluções pùblicas, e o de julgar os crimes ou os diferendos dos particulares.
Na maior parte dos reinos da Europa, o governo é moderado, porque o prìncipe, que tem os dois primeiros poderes,deixa a seus sujeitos o exercìcio do terceiro.[...]
O poder executivo[...] deve participar da legislação pela sua faculdade de impedir;senão ela seria logo despojada de suas prerogativas.Mas se o poder legislativo participa da execução, o poder executivo serà igualmente perdido.
Se o monarca participasse da legislação pela faculdade de estatuar,não teria mais liberdade.Mas, como é preciso no entanto que ele participe da legislação para se defender, é preciso que ele participe atravéis a faculdade de impedir.
Eis então a constituição fundamental de que nòs falamos. O corpo legislativo sendo composto de duas partes, um acorrentarà o outro pela sua faculdade mùtua de impedir.Todas duas serão ligadas pelo poder executivo, que serà ele mesmo pelo legislativo.
Essas três potências deverão formar um reposo ou uma inação.Mas, como pelo movimento necessàrio das coisas,elas serão obrigadas de ir, elas serão forçadas de ir de concerto.[...].
- De l'esprit des lois ( 1748 ) Livre XI - Mostesquieu

Não é suficiente de ter tratado da liberdade polìtica na sua relação com a constituição; é preciso vê-la na relação que ela tem com o cidadão.
Eu digo que, no primeiro caso,ela é formada por uma certa distribuição dos três poderes; mas, no segundo ela consiste na segurança, ou na opinião que nòs temos de nossa segurança.
Essa segurança não é jamais atacada que nas acusações pùblicas ou particulares.Então é da bondade da lei criminal que depende principalmente a liberdade do cidadão.[...]
È o triunfo da liberdade, quando as leis criminais tiram cada pena da natureza particular do crime.Todo o arbitràrio cessa; a pena não depende da vontade do legislador, mas da natureza das coisas [...).
- Idem - Livre XII

O comercio cura os preconceitos destruidores; e é quase uma regra geral, que em todos os lugares onde os costumes são "suaves",tem comércio; e que seja qual for o lugar onde tiver comércio,existem costumes "suaves" [...]O efeito natural do comercio é de levar a paz.
Duas nações que negociam juntas se rendem reciprocamente dependentes : se uma tem interesse em comprar, a outra tem interesse em vender, e todas as uniões são fundadas sobre as necessidades naturais.[...]
Quanto ao Estado despòtico, é inùtil de falar.[...] Em uma nação que està na servidão, nòs trabalhamos mais a conserva-la do que a adquiri-la.
- Idem - Livro XX - Montesquieu.


Separação dos poderes e moderação polìtica

A luta contra toda forma de arbitràrio està na origem de todo pensamento liberal.
Porque o homem nasce livre,é importante de descobrir os meios de preservar essa liberdade.No pensamento de Montesquieu, isso significa que "na sua relação com a constituição" como "na relação que ela tem com o cidadão" ( Do espìrito das leis, livro XII ), a liberdade deve ser protegida contra o arbitràrio.
È uma equação a vàrias incognitas que o filòsofo deve resolver.Se a liberdade não significa a independencia absoluta, pois o homem vive em sociedade, cada sociedade obedece no entanto a um espìrito nacional que lhe é pròprio, o que torna impossìvel toda tentativa de estabelecer um modelo ideal.

A lei, garantia da liberdade

Montesquieu afeiçoa-se dessa maneira ao estudo dos meios de desenvolvimento da liberdade polìtica.Afirmando que na sociedade, ela não pode encarar-se fora da lei, o autor parece provocador a um leitor moderno.Na realidade, a lei deve garantir a efetividade da segurança ( livro XII): obedecendo as leis e unicamente a elas, o cidadão escapa ao despotismo.
Contudo, o legislador não estende sua ação de maneira ilimitada pois as boas leis são moderadas e pouco numerosas.
È por essa razão que é preciso adotar uma atitude de desconfiança em relação ao poder, pois "todo homem que tem o poder é levado a abusar dele" ( livro XI ).A dificuldade sò pode se resolver na descoberta de um difìcil equilìbrio encontrado nas competências das sociedades elas-mesmas. Montesquieu é assim conduzido, além de uma tipologia inovadora em vàrios pontos, convem insistir na distinção entre governos moderados e despòticos.Ora, tudo concorre a fazer do despotismo um "governo monstruoso".


O modelo inglês

O autor de "Do espìrito das leis" não fecha o liberalismo em uma ùltima orientação fixa.
Vàrias direções se apresentam para a preservação da liberdade.Algumas privilegiam a existência de corpos intermediàrios que são tantos obstàculos a potência toda poderosa do Estado : o século XIX se inspirarà defendendo a autonomia local contra uma centralisação excessiva.
Contudo, a mais ilustre defesa continua a separação dos poderes.
Montesquieu encontra os fundamentos na constituição da Inglaterra, que ele descobre durante sua estadia em Londres, de 1729 a 1731.Sua exposição no capìtulo VI do livro XI é uma verdadeira carta constitucional do liberalismo.Sua leitura mostra que o autor não se contenta de definir três poderes, executivo, legislativo e judiciàrio, mas expõe com sutilidade o agenciamento. "Tudo estaria perdido se o mesmo homem " ( livro XI ) detesse sozinho esses três poderes.Então é preciso que os orgãos detentores desses poderes se equilibrem entre eles usando de suas faculdades respectivas de impedir e de estatuar para " ir de concerto ".

Elogio do comercio

Liberal, Montesquieu é um defensor da tolerância religiosa e um opositor a tortura e a escravidão.Ele ainda elogia os benefìcios do comercio que "cura os preconceitos destruidores" ( livro XX ).Benjamin Constant se inspirarà vendo na "liberdade dos modernos" a independencia particular oriunda do comercio, oposta a "liberdade dos antigos", participação dos cidadãos à cidade.Contudo, adverte Montesquieu, o comercio deve continuar, como o governo, moderado.Sem freio, ele conduzirà a destruição das relações entre os particulares.Ainda nesse domìnio, o autor de " Do espìrito das leis " preconisa a prudência na ação, outra caracterìstica do liberalismo.

- S.L.G - Le Point - France - 20007

domingo, 1 de abril de 2007

OS NOVOS SOFISTAS


Zero Hora, 1º de abril de 2007 - Percival Puggina
"O relato a seguir não é ficção. Qualquer semelhança com situações ou personagens atuais não deve, em hipótese alguma, ser tomada como coincidência".

Por volta do século VI a.C., os caminhos da Filosofia, ainda recentes na antiga Grécia, estavam sendo iluminados por gênios como Tales, Pitágoras e Parmênides. Começava uma árdua e sincera busca da verdade e da essência das coisas e dos seres. As circunstâncias dos anos subseqüentes, contudo, fizeram com que essas emocionantes tentativas de expandir a compreensão humana sobre as realidades físicas e metafísicas fossem assumidas pelos sofistas. Passou-se a valorizar, então, não o conhecimento, mas o talento discursivo e argumentativo, fonte de prestígio e poder. Os mestres dessa ciência emergente se converteram em personalidades destacadas porque ensinavam métodos de conquista da opinião alheia.

Diferentemente de seus antecessores, os sofistas sustentavam que o êxito humano não consistia em alcançar o saber, mas na aplicação da inteligência para conquistar os privilégios do poder. Enquanto as gerações anteriores usavam o debate para chegar à verdade com a força dos argumentos, os sofistas ensinavam seus alunos a vencer defendendo posições erradas. É fácil imaginar o quanto essa total abstração de exigências morais se tornava proveitosa para os aspirantes aos privilégios e quanta vantagem lhes concedia perante a ignorância das massas. Protágoras, que pode ser considerado o fundador do relativismo, ensinava que o homem é a medida de todas as coisas. Górgias, para quem chegou a ser construída uma estátua de ouro em Olímpia, sustentava a legitimidade da aparência.

Já se vê o quanto é antigo o relativismo e o quanto é velha a sedução dos impostores: a justiça aparente, a verdade aparente, o uso da erística como conjunto de ardis para vencer debates sem as limitações do reto, do justo e do bem. Se o falso é mais conveniente do que o real, o sofista, sem qualquer constrangimento, empregará suas técnicas argumentativas para travestir o falso de verdadeiro.

Portanto, o que assistimos no Brasil, ao longo das últimas décadas, é o retorno a uma atitude mental e a uma retórica amorais, agravadas pela falta da coragem necessária para as assumir como tal. Olhe à sua volta, leitor, e veja como se conduzem os que chegaram ao poder com um discurso moralista e pregando justiça que não realizam. O que ensinam? Por quais causas se empenham? Contra o que discursam? Ensinam o relativismo. Cuidam de eliminar toda influência religiosa sobre os corações e as mentes. Avançam contra a ordem e a lei. Atacam os valores. Menosprezam as virtudes. Manipulam o imaginário social e a opinião pública com suas utopias. Estas últimas, saudadas como horizontes encantadores e fugidios que se deslocam a cada passo, mas fazem andar, já levaram nações inteiras para o despenhadeiro dos sofistas.

Contra eles é preciso retomar o pensamento forte, sadio. Os sofistas de ontem entraram para a história como aqueles que buscaram liquidificar a verdade em proveito próprio. Os novos sofistas vivem, no Brasil, seu momento de glória. Não ganharão uma estátua de ouro, como Górgias. Mas já se vestem com as túnicas do poder.


Fonte: www.puggina.org

sábado, 31 de março de 2007

LUTA SEM CLASSE


Mírian Macedo

Acabei de tirar minha filha, de 14 anos, do Colégio Pentágono/COC (unidade Morumbi - São Paulo) em protesto contra o método pedagógico "porno-marxista" adotado pela escola no ensino médio este ano. O sistema COC, que começou como cursinho pré-vestibular há cerca de 40 anos em Ribeirão Preto-SP, está implantado hoje em mais de 150 escolas em todo Brasil, atingindo cerca de 200 mil alunos. O Pentágono - que, além do Morumbi, tem colégios em Alphaville e Perdizes - é uma das escolas-parceiras.

As provas de desvio moral-ideológico são incontáveis. Numa apostila de redação, a escola ensina "como se conjuga um empresário" e, para tanto, fornece uma seqüência de verbos retratando a rotina diária deste profissional:

"Acordou, barbeou-se... beijou, saiu, entrou... despachou... vendeu, ganhou, lucrou, lesou, explorou, burlou... convocou, elogiou, bolinou, estimulou, beijou, convidou... despiu-se... deitou-se, mexeu, gemeu, fungou, babou, antecipou, frustrou... saiu... chegou, beijou, negou, etc., etc.".

A página 4 da apostila de Gramática ostenta a letra de uma música de Charlie Brown Jr, intitulada Papo Reto (Prazer É Sexo O Resto É Negócio) – assim mesmo, tudo em maiúscula, sem vírgula. Está escrito:

"Otário, eu vou te avisar:

o teu intelecto é de mosca de bar

(...) Então já era,

Eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer".

Noutro exemplo, uma letra de Vitor Martins, da música Vitoriosa:

"Quero sua alegria escandalosa

vitoriosa por não ter vergonha

de aprender como se goza".

As apostilas de História e Geografia, pontilhadas de frases-epígrafes de Karl Marx e escritas em 'português ruim', contêm gravíssimos erros de informação e falsificação de dados históricos. Não passam, na verdade, de escancarados panfletos esquerdejosos que as frases abaixo, copiadas literalmente, exemplificam bem:

"Sabemos que a história é escrita pelo vencedor; daí o derrotado sempre ser apresentado como culpado ou condições de inferioridade (sic). Podemos tomar como exemplo a escravidão no Brasil, justificada pela condição de inferioridade do negro, colocado (sic) como animal, pois era ‘desprovido de alma’. Como catequizar um animal? Além da Igreja, que legitimou tal sandice, a quem mais interessava tamanha besteira? Aos comerciantes do tráfico de escravos e aos proprietários rurais. Assim, o negro dava lucro ao comerciante, como mercadoria, e ao latifundiário, como trabalhador. A história pode, dessa forma, ser manipulada para justificar e legitimar os interesses das camadas dominantes em uma determinada época".

Sandice é dizer que a Igreja legitimou a escravidão. Em 1537, o Papa Paulo III publicou a Bula Veritas Ipsa (também chamada Sublimis Deus), condenando a escravidão dos 'índios e as mais gentes'. Dizia o documento, aqui transcrito em português da época que "com authoridade Apostolica, pello teor das presentes, determinamos, & declaramos, que os ditos Indios, & todas as mais gentes que daqui em diante vierem á noticia dos Christãos, ainda que estejão fóra da Fé de Christo, não estão privados, nem devem sello, de sua liberdade, nem do dominio de seus bens, & que não devem ser reduzidos a servidão".

Outra pérola do samba do crioulo doido, extraída da apostila de História:

"O progresso técnico aplicado à agricultura (...) levou o homem a estabelecer seu domínio sobre a produção agrícola em detrimento da mulher".

Ok, feministas. Agora, tratem de explicar a importância e o poder das inúmeras deusas na mitologia dos povos mesopotâmicos, especialmente Inana/Ishtar, chamada de Rainha do Céu e da Terra, Alta Sacerdotisa dos Céus, Estrela Matutina e Vespertina e que integrava, com igual poder, a Assembléia dos Deuses, ao lado de Anu, Enlil, Enki, Ninhursag, Nana e Shamash. Na Suméria,"tanto deuses quanto deusas eram patronos da cultura; forças tanto femininas quanto masculinas estavam envolvidas com a criação da civilização. A realidade dos papéis das mulheres dentro de casa estava em perfeito acordo com a projeção destes papéis no mundo divino". (Tikva Frymer-Kensky em seu livro de 1992, In the Wake of Goddesses: Women, Culture and Transformation of Pagan Myth. Fawcet-Columbine, New York.

Mais delírio marxista de viés esquerdológico:

"Estas transformações provocaram a dissolução das comunidades neolíticas, como também da propriedade coletiva, dando lugar à propriedade privada e à formação das classes sociais, isto é, a propriedade privada deu origem às desigualdades sociais - daí as classes sociais - e a um poder teoricamente colocado acima delas, como árbitro dos antagonismos e contradições, mas que, no final de tudo, é o legitimador e sustentáculo disso: o Estado". (Definição de propriedade privada, classes sociais e de Estado, em sentido marxista, no neolítico, nem Marx!).

Calma, não acabou: No capítulo sobre a Mesopotâmia, a apostila informa que o deus Marduk (grafado Manduque) ordenou a 'Gilgamés' que construísse uma arca para escapar do dilúvio. (Gilgamesh é, na verdade, descendente do Noé caldeu/sumério, chamado Utnapishtin/Ziusudra. É Utnapishtin que conta a Gilgamesh a história da arca e do dilúvio. Há versões em que Ubaretut, filho de Enki, é que é o verdadeiro Noé; Utnapishtin apenas revela a história do dilúvio a Gilgamesh).

Outro trecho informa que o "dilúvio seria enviado por Deus, como castigo às cidades de Sodoma e Gomorra". (Em Genesis (19,24), lê-se: "O Senhor fez então chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra". Além disto, a destruição de Sodoma e Gomorra nada tem a ver com Noé e sim, com o patriarca Abraão e seu sobrinho Ló).

Outros achados:

"Diz a tradição que Sargão era filho de um jardineiro, o que nos faz pensar que, nesta época, como era possível alguém das chamadas camadas baixas da sociedade, ter acesso ao poder?". (Que reflexão revolucionária! E que estilo!). No capítulo "Geografia das contradições" lê-se: "Uma das graves contradições relaciona-se à economia: na sociedade capitalista quase todos trabalham para gerar riquezas, mas apenas uma minoria burguesa se apropria dela (sic) (...) Por outro lado, é necessário compreender que a sociedade foi e é organizada por meio das relacões sociais de produção. Entre nós, e na maioria dos países, temos o modo de produção capitalista, em que a relação básica é representada pelo trabalho. Nele encontram-se os proprietários dos meios de produção e os trabalhadores que, não possuindo os meios de produção, vendem sua força de trabalho". (Marxismo puro, simples assim). O mais grave é que estas apostilas, de viés ideológico explícito, vêm sendo adotadas por um número cada vez maior de escolas no País. Além das escolas próprias, o COC faz parcerias com quem queira adotar o sistema, como aconteceu este ano com o Colégio Pentágono, onde minha filha estuda desde o primário. Estas apostilas têm de ser proibidas e as escolas-parceiras e o COC têm de ser responsabilizados. É a escuridão reinante.


La desaparición del pensamiento liberal en la educación


Alicia Delibes – Cortesía de La Ilustración Liberal.

Cuando repaso la historia de la educación en España desde que las Cortes de Cádiz dictaron las primeras normas que debían regular la instrucción pública hasta nuestros días, lo que siempre me resulta más sorprendente es que a principios del siglo XX la Institución Libre de Enseñanza (ILE) fuera el modelo educativo para los políticos que se llamaban liberales y, al mismo tiempo, sirviera de referente para lo que, a partir del XI Congreso del PSOE (1918), sería el proyecto educativo socialista.

Posiblemente, esa extraña ambivalencia del pensamiento pedagógico de Francisco Giner de los Ríos y sus discípulos sea lo que hace que, hoy en día, cualquier crítica, por menor que sea, hacia la ILE y los que se llamaron "institucionistas" sea mal recibida, no solamente por los intelectuales de izquierdas, también por muchos sectores de la derecha, que profesan un respeto más que reverencial hacia Giner de los Ríos y su obra.

Para buscar una explicación lógica de por qué, llegado un momento, liberales y socialistas parecen compartir los mismos principios pedagógicos, o, mejor dicho, de cómo en España va desapareciendo, en materia de instrucción pública, todo principio liberal, es preciso tener en cuenta, por un lado, lo que fue el krausismo español y su relación con los hombres de la ILE y, por otro, el triunfo de las ideas de Rousseau en el siglo XX, un triunfo que en el terreno de la educación fue tan grande que se ha considerado escuela libre la inspirada en la filosofía educativa que el pensador francés había expuesto con todo detalle en su obra Emilio.

Las primeras leyes de instrucción pública

El 9 de septiembre de 1813 se firmó en Cádiz un documento, el llamado Informe Quintana, que había sido elaborado por una comisión de educación en la que había participado el poeta liberal Manuel José Quintana. Las bases para su elaboración se habían tomado del Rapport sur l’instruction publique que el marqués de Condorcet había presentado ante la Asamblea Nacional francesa en 1792. Condorcet sostuvo siempre que solamente una instrucción general podría garantizar la igualdad real de los individuos ante la ley. Reclamaba una enseñanza gratuita sostenida por el Estado, pues sólo de esa forma se podría asegurar que la instrucción estuviera al alcance de todos los ciudadanos. Sin embargo, se mostró contrario a hacer obligatoria la enseñanza, pues la instrucción, aseguraba, era un bien tan atractivo que bastaba con ponerlo a disposición de todos para que todos lo codiciasen. Reservaba al Estado la tarea de instruir, pues, para él, la de educar era competencia exclusiva de los padres. Para Condorcet, la instrucción había de ser pública y la educación, privada. En cuanto a las creencias religiosas, el Estado debía ser respetuoso con ellas, pero sin admitir ninguna en sus instituciones. Se puede decir que Condorcet es el padre de la escuela pública francesa "republicana": laica, exigente e intelectualmente elitista.

Pues bien, los liberales españoles sitiados en Cádiz, influidos por el enciclopedista francés, decidieron que la educación elemental debía ser gratuita y común a todos los ciudadanos, pero para ellos era fundamental que hubiera una absoluta libertad de enseñanza.
En 1836 Ángel de Saavedra, duque de Rivas (1791-1865), fue nombrado ministro de la Gobernación. El duque de Rivas era un hombre de fuertes convicciones liberales. Había sido diputado por Córdoba durante el Trienio Liberal (1820-1823), y vivió exiliado en Londres, París y Malta hasta la muerte de Fernando VII. Aquel año presentó un Plan de Instrucción Pública que, aunque apenas estuvo vigente unos días, sentó las bases sobre las que se fundamentaron los dos planes de estudios que mayor consenso político alcanzaron antes de la Restauración: el Plan Pidal (1845), durante el Gobierno de Narváez, y la Ley Moyano(1857), bajo el mandato de O’Donnell.

En el preámbulo del plan del duque de Rivas se pueden leer unos párrafos que ilustran bien sobre la preocupación que los políticos de ideas liberales tenían por no entrometerse en lo que consideraban un sagrado derecho y deber de las familias: la educación de los hijos.
"El pensamiento es de suyo lo más libre entre las facultades del hombre; y por lo mismo han tratado algunos gobiernos de esclavizarlo de mil modos; y como ningún medio hay más seguro para conseguirlo que el de apoderarse del origen de donde emana, es decir, de la educación, de aquí sus afanes por dirigirla siempre a su arbitrio, a fin de que los hombres salgan amoldados conforme conviene a sus miras e intereses. Mas si esto puede convenir a los gobiernos opresores, no es de manera alguna lo que exige el bien de la humanidad ni los progresos de la civilización. Para alcanzar estos fines es fuerza que la educación quede emancipada; en una palabra, es fuerza proclamar la libertad de enseñanza."

Otra de las cuestiones más discutidas en los medios educativos durante la primera mitad del siglo XIX fue la gratuidad de la enseñanza. Los liberales de Cádiz, cuando dictaron las primeras leyes para regular el establecimiento de las escuelas, la creación de las universidades y otros centros de instrucción pública, no entraron a discutir la costumbre española de que la enseñanza universitaria fuera gratuita, antes bien quisieron extender la gratuidad a toda la enseñanza pública. La primera vez que, desde posturas liberales, se proclama un principio opuesto a la gratuidad absoluta es el ya citado plan del duque de Rivas, para quien la gratuidad de la enseñanza debía alcanzar sólo a aquellas familias que no pudieran costearla:
"La enseñanza gratuita jamás ha producido los efectos que se esperaba de ella, y no por haberse adoptado en una nación ha sido bastante a acelerar sus progresos. Lo que poco cuesta se aprecia también poco, y con efecto común es en España que al empezar los cursos se matriculen infinitos discípulos y que al concluirse aquellos estén las cátedras casi desiertas. Cuando algo haya costado la matrícula, no sucederá lo mismo; pues los padres tendrán ya cuidado de que sus hijos asistan a todas las lecciones, lo hagan con aprovechamiento para no perder la cantidad, auque corta, que hayan desembolsado."

Esta idea de gratuidad relativa se mantuvo tanto en el Plan Pidal de 1845 como en el de Claudio Moyano del 57. Durante la segunda mitad del XIX la gran cuestión que se debatió en el terreno de la educación fue la libertad de enseñanza, y el asunto de la gratuidad empezó a perder interés.

El krausismo español

La doctrina fundada por Friedrich Krause (1781-1832), el krausismo, si bien en Alemania no logró mucho más de una docena de seguidores, en la política española de la segunda mitad del siglo XIX llegó a tener bastante importancia. Los exiliados españoles en Francia durante los años del absolutismo de Fernando VII conocieron a un discípulo de Krause que vivía en París, llamado Ahrens, que les dio a conocer las ideas filosóficas de su maestro. El krausismo, más que una doctrina o una filosofía, era toda una forma de pensar y de filosofar, suponía una actitud ante vida. El krausismo de Ahrens que conocieron los liberales españoles estaba centrado en la libertad, los derechos individuales y la desconfianza hacia el Estado. En el campo de lo político, Ahrens predicaba el equilibrio y la templanza.

Al iniciarse la década de 1840 los liberales españoles más moderados, entre los que se encontraba Sanz del Río, andaban deseosos de renovación ideológica, y encontraron en el pensamiento krausista de Ahrens una buena base sobre la que construir su nueva filosofía política. Sanz del Río, que ignoraba la lengua alemana, estudió la doctrina de Krause en francés. En 1843 viajó a Alemania para conocer al círculo de los krausistas de Heildelberg. A su regreso se concentró en la tarea de elaborar las bases filosóficas de lo que habría de ser el krausismo español. Cuando en 1863, con 24 años, Francisco Giner de los Ríos llegó a Madrid dispuesto a hacer su tesis doctoral, se incorporó al grupo de discípulos de Sanz del Río.

En esos años 60 existía también en Madrid un grupo de economistas liberales que habían leído al francés Frédéric Bastiat y eran partidarios del libre cambio. Entre ellos estaban Figuerola, Gabriel Rodríguez y el entonces joven ingeniero de caminos, que llegó a ser premio Nobel de Literatura y conocido político, José Echegaray. Pues bien, Echegaray, cuando al final de su vida recordaba el pensamiento político de los krausistas, en los meses previos a la revolución de septiembre del 68, lo hacía de esta manera (Recuerdos, Madrid, 1917):

"Los krausistas eran nuestros compañeros de combate, aunque no existiese absoluta conformidad de opiniones entre ellos y nosotros (…) Para nosotros casi no existía más que el derecho individual. Respecto al derecho colectivo, o dígase al derecho del Estado, los más radicales de nuestro grupo lo negaban en absoluto, otros lo achicaban sobremanera, y todos lo mirábamos con desconfianza. En cambio, los krausistas, a la par que afirmaban el derecho del individuo, afirmaban enérgicamente el derecho del Estado."

Efectivamente, como recordaba Echegaray, en todos los acontecimientos históricos de la segunda mitad del siglo XIX encontramos muestras de esa alianza en el "combate" entre krausistas y liberales. Lo que no está muy claro es cuándo la tendencia al estatalismo empezó a ser en los krausistas más fuerte que su defensa de la libertad individual. Un rastro de esta evolución se puede encontrar en la obra de Gumersindo Azcárate Estudios económicos y sociales, publicada en 1876, donde el autor critica lo que llama "escuela económico-individualista", entre cuyos miembros cita al francés Frédéric Bastiat.

La educación en la España de la Restauración

La Institución Libre de Enseñanza nació en agosto de 1875 con la idea de crear una Universidad Libre donde se garantizara la libertad de ciencia, que, según Giner de los Ríos y sus amigos, la universidad pública no respetaba. Entre sus primeros accionistas se encontraban conocidos liberales, como Figuerola, Gabriel Rodríguez, José Echegaray o Juan Valera.

El proyecto de crear una Universidad Libre resultó un fracaso. Por otra parte, dos discípulos de Giner, Bartolomé Cossío y Germán Florez, en el curso 1878-79 abrieron una escuela infantil que empezó a tener bastante éxito; tanto que Giner decidió abandonar el proyecto universitario y consagrarse a la nueva escuela y a la formación de sus maestros.

En la segunda mitad del siglo XIX, y por iniciativa alemana, se instauraron los Congresos Internacionales Pedagógicos, a los que acudían los pedagogos de la Institución, en los que tomaban buena nota de las ideas más modernas que corrían por Europa. En el verano de 1878 Torres Campos asistió como representante de la ILE a la Exposición Universal de París. De allí volvió convertido en un entusiasta de las nuevas ideas pedagógicas que estaban de moda en Francia. Era lo que se llamó la enseñanza intuitiva, de influencia roussoniana, que proclamaba el abandono de la enseñanza tradicional por ser demasiado memorística y abstracta.

La filosofía de la educación que Rousseau había expuesto en el Emilio tenía para los institucionistas de Giner de los Ríos un doble atractivo. Por un lado, la aparente libertad en la que el joven Emilio crecía, siempre guiado por la naturaleza y sin que aparentemente nadie ejerciera autoridad alguna sobre él, debió de sonar a gloria en los oídos de los pedagogos renovadores y "liberales" de la ILE; y, por otro, no cabía duda de que el Emilio resultaba un magnífico manual para lograr la regeneración social y cultural a través de la educación con que siempre habían soñado los discípulos de Friedrich Krause.

En 1882 se celebró en Madrid el Congreso Nacional Pedagógico. En él se discutió sobre la obligatoriedad, la gratuidad, el carácter de la enseñanza primaria, el método intuitivo, la cultura de la mujer, las condiciones de los maestros y las Escuelas Normales. Por boca de Cossío, la ILE definió su postura respecto a una de las cuestiones más discutidas de la época: el papel de la enseñanza media. Para los institucionistas, la primera y segunda enseñanza debían fundirse de forma que sólo hubiera dos periodos en la educación del hombre: uno de educación integral y general, para todos los individuos, y otro de educación especial, facultativa, técnica o universitaria.

"Los legisladores empiezan a no saber qué hacer con la segunda enseñanza, y de aquí todos esos tanteos, en el fondo de los cuales palpita, aunque tal vez aún con inseguridad, esta idea: o la segunda enseñanza está llamada a desaparecer por inútil, retórica y abstracta, o tiene que fundirse con la primera, como parte de esta misma, adoptando en absoluto su carácter."

De aquel congreso lo más destacable fue el enfrentamiento entre la ILE y los maestros de la escuela pública, que acusaron a los discípulos de Giner de ocuparse solamente de los niños "privilegiados del talento o de la fortuna", algo que hirió profundamente al maestro, que se fue de allí sintiéndose incomprendido. El congreso acabó abriendo una enorme brecha entre la ILE y la enseñanza pública.

En los últimos años del siglo XIX los principales puntos de discusión se centraban en la libertad de enseñanza, esto es: quién podía abrir colegios y bajo qué control del Estado, cómo se regularían esos colegios, qué titulación oficial debían tener sus profesores y cómo se examinaría a los alumnos. Estas discusiones tenían como punto más recurrente los derechos adquiridos por la Iglesia en materia educativa. Hay que tener en cuenta que, durante la Restauración, la Iglesia tenía, prácticamente, el monopolio de la enseñanza secundaria. En 1900, por ejemplo, había 59 institutos públicos y 466 colegios religiosos. Este poder de la Iglesia obsesionaba tanto a los liberales que, a pesar de sus principios, intentaron poner trabas a la enseñanza libre.
El 18 de abril de 1900 se creó el Ministerio de la Instrucción Pública y de las Bellas Artes. El primer ministro sería el antiguo liberal reconvertido en conservador Antonio García Alix, al que sucedió el Conde de Romanones.

Los políticos liberales no estaban ya dispuestos a poner al día sus ideas sobre el papel del Estado en la educación de los ciudadanos y, dado que los discípulos de Giner habían desarrollado una completa teoría sobre la educación y representaban el frente que se oponía al poder de la Iglesia, depositaron en ellos su confianza e hicieron suya la pedagogía de los institucionistas, a pesar de que éstos se habían inspirado en las ideas de Rousseau y a pesar de que cada día eran más propicios a recibir los favores del Estado.
La eterna cuestión de la libertad de enseñanza dejará poco a poco de preocupar. Las ideas liberales irán desapareciendo del terreno de la instrucción. Frente al poder de la Iglesia se levantará un nuevo e indiscutible poder: el del Estado. El nuevo liberalismo tomará carácter más social y conservará casi como única seña de identidad su anticlericalismo.

La Escuela Nueva de Núñez de Arenas

Otra de las cuestiones poco explicadas en la historia de la educación española es cómo el modelo pedagógico de la Institución Libre de Enseñanza llegó a convertirse, en 1918, en el modelo educativo del PSOE. Pues bien, para entenderlo es preciso hablar de lo que fue la Escuela Nueva de Madrid y de su fundador, Manuel Núñez de Arenas.

Núñez de Arenas nació en Madrid el 1 de abril de 1886 en el seno de una familia de clase media acomodada e ilustrada, y estudió el bachillerato en el colegio de los jesuitas de Chamartín. Después marchó a Francia para estudiar Ciencias Químicas, pero antes de terminar la carrera regresó de nuevo a España y se licenció en Filosofía y Letras. Ingresó en las filas del PSOE en 1909, y un año después fundó la Escuela Nueva. Fue miembro de la comisión ejecutiva del PSOE desde 1918 hasta 1921.

La que se llamó Escuela Nueva de Madrid nació como una asociación cultural que pretendía establecer lazos de unión entre intelectuales y obreros. La idea de Núñez de Arenas fue formar unos grupos de profesores y literatos que, de cuando en cuando, tuvieran reuniones en la Casa del Pueblo con obreros y trabajadores manuales. El primer año de su existencia la Escuela mantuvo un carácter abierto y poco politizado. En ciertos sectores socialistas no estaba muy bien vista, pero poco a poco se fue politizando y, dos años después de su creación, en septiembre de 1912, fue admitida como participante en el IX Congreso del PSOE, del que salió definida como "centro de estudios socialistas".

La Escuela Nueva luchó durante toda su existencia por mantener el doble carácter de centro social e intelectual. Llegó a tener un local propio en la madrileña calle del Prado. En 1918 tenía ya 104 socios: muchos de ellos eran profesores de enseñanza media, y una tercera parte militaba en las filas del Partido Socialista. En el Congreso del partido que se celebró ese año la Escuela presentó una ponencia, Bases para un programa de Instrucción Publica, que se convirtió, a partir de entonces, en el programa socialista para la educación.

En las bases de aquella ponencia se reclamaban la gratuidad de la enseñanza en todos sus grados y la organización de las escuelas de acuerdo con el principio de la "unificación", que, según se definía en el texto, suponía la desaparición de todas las barreras que separaban la enseñanza primaria de la secundaria y a ésta de la superior, y que hacían de ellas verdaderos compartimentos estancos. Una unificación que debería hacerse tanto en los planes de estudio como con el personal docente.

Se puede decir que, a partir del congreso del PSOE de 1918, el proyecto pedagógico de los socialistas estuvo totalmente influido por la Institución Libre de Enseñanza. No es de extrañar que al socialismo de Pablo Iglesias le conviniera perfectamente la falacia de educación liberal creada por Rousseau, con su idea de que educar es conducir la conciencia del niño para que, buenamente, renuncie a sus deseos de libertad y ponga su voluntad en manos del Estado. En cuanto al modelo de escuela unificada, se entiende también que encajara perfectamente en la política igualitaria de los socialistas españoles.

Cuando la izquierda republicana llegó al poder, en 1931, el Ministerio de Instrucción Pública inició los cambios necesarios para cumplir su sueño de escuela unificada, pero el Gobierno republicano no llegó a instaurar ni siquiera las fases previas, por una parte porque no tuvo tiempo y, por otra, porque los grupos afectados se opusieron fuertemente a ello.

Una escuela antiliberal

El pensador liberal francés Jean-François Revel decía que el mal que hoy aqueja a la enseñanza francesa arrancaba del movimiento del 68, que nació en Estados Unidos con un carácter fundamentalmente antiautoritario y de revolución de costumbres y que, al trasladarse a Europa, se vio rodeado de todos los tópicos de la izquierda más totalitaria. Para él, la pedagogía que desde entonces ha dominado en Europa se inspiró en dos principios fundamentales. Uno de ellos era un feroz antiliberalismo, que ha llevado al profesorado a combatir abierta y decididamente la sociedad capitalista; el otro, la idea de que la simple transmisión del conocimiento era reaccionaria.

Pues bien, estos males que el intelectual francés denunciaba cuando hablaba de la enseñanza francesa son perfectamente trasladables a la educación española, y, si bien es verdad que se empiezan a hacer evidentes a partir de las revueltas del 68, su germen estaba ya sembrado en el primer tercio del siglo XX.
A partir del llamado mayo del 68 fue extendiéndose la idea de que el único sistema "equitativo" de educación era aquél que procurase la misma instrucción a todos los ciudadanos durante el mayor tiempo posible. En Inglaterra, los laboristas impusieron las llamadas Comprehensives Schools en 1976; en ellas, los escolares reciben la misma formación hasta los 16 ó 18 años. En Suecia, el Gobierno socialdemócrata había implantado un sistema parecido en 1970. Se trata de un sistema unificado donde la enseñanza secundaria es una mera continuación de la primaria y donde el bachillerato es prácticamente inexistente. Es decir, aquel modelo de escuela unificada que los institucionistas habían defendido, que el PSOE había adoptado en 1918 y que, como todo el mundo sabe, en España se implantó con la ley socialista de 1990, la Logse.

Por otra parte, la filosofía pedagógica que domina hoy en el terreno de la educación sigue siendo de inspiración puramente roussoniana: educar es más importante que instruir, el niño debe construir sus propios conocimientos, el profesor nunca ha de forzar al niño sino acompañarle en su autoaprendizaje, la disciplina no se ha de imponer, la enseñanza memorística y abstracta no sirve para nada, los exámenes son una rémora autoritaria y sólo sirven para traumatizar al alumno.
Por si fuera poco, nada queda ya de las cautelas de los liberales de Cádiz sobre el papel que había de corresponder al Estado en la instrucción de los ciudadanos, o del miedo del duque de Rivas a que algún Gobierno sucumbiera a la tentación de esclavizar el pensamiento de los individuos. Ni siquiera se reclama, como hacía Condorcet, que la instrucción sea pública y la educación, privada. Cada día el Estado asume nuevas tareas educativas, que son recibidas con aplausos por la mayor parte de eso que se llama "comunidad educativa".
Si los políticos liberales de principios del siglo XX se hubieran preocupado por elaborar una teoría sobre la educación de acuerdo con sus convicciones habrían podido darse cuenta de que, como dice Isaiah Berlin, Rousseau fue "uno de los más siniestros y más formidables enemigos de la libertad en toda la historia del pensamiento moderno". Si hubieran mantenido las cautelas hacia la estatalización de la enseñanza o si hubieran, al menos, mantenido los principios de Condorcet, quizás no habríamos llegado a la situación actual, en la que no solamente no se encuentra ni rastro de pensamiento liberal en la escuela pública, sino que, además, su profesorado está convencido de que sólo el sistema público de enseñanza puede ser socialmente justo y respetuoso con la libertad de conciencia.

Liberales

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fonte: www.liberalismo.org

domingo, 25 de março de 2007

Terminal da Cargill no Pará é fechado por ordem judicial


SÃO PAULO (Reuters) - O terminal graneleiro da Cargill em Santarém, no Pará, foi fechado na manhã deste sábado por determinação judicial devido a irregularidades no regulamento ambiental, confirmou a Procuradoria da República no Pará.
Segundo comunicado da produradoria emitido na última sexta-feira, o desembargador federal Souza Prudente, Tribunal Regional Federal da 1 Região, determinou "a imediata suspensão de toda e qualquer atividade desenvolvida no porto da cidade de Santarém" até a conclusão do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (Eia-Rima).
A análise deve ser realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Secretaria Executiva de Ciência Tecnologia e Meio Ambiente (Sectam).
Segundo a assessora de comunicação da procuradoria, Helena Palmquist, o terminal foi vistoriado em conjunto pela Procuradoria no Pará, pelo Ibama e pela Polícia Federal e teve as entradas lacradas pela manhã.
O porto, controlado pela subsidiária local Cargill Agrícola S.A., ficará fechado "até ser realizado o estudo de impacto ambiental que não foi feito na época da construção", informou Palmquist por telefone à Reuters. Segundo ela, a empresa disse que vai recorrer.
De acordo com a nota, a decisão foi enviada por faz à Cargill. Ninguém da multinacional consegiu ser encontrado para comentários neste sábado.
A Cargill tem lutado contra grupos ambientais como o Greenpeace e com o Ministério Público desde o ano 2000 em tribunais brasileiros sobre a legalidade de seu terminal, que fica à beira do Rio Amazonas e mais perto do principal cinturão de soja e dos mercados estrangeiros da commodity do que os portos brasileiros no sul do país.
"Em vez de adequar suas operações de exportação de soja às leis ambientais, a empresa preferiu explorar as brechas da legislação brasileira e ganhar tempo, através de longa batalha judicial, para construir e operar o seu terminal em Santarém", disse um comunicado do Greenpeace neste sábado.
O Brasil é o segundo maior produtor e exportador de soja do mundo e a grande maioria de sua área de cultivo fica no Sul e no Centro-oeste, não na região amazônica.


http://br.today.reuters.com/