segunda-feira, 24 de março de 2008

Vacance au Brésil

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Brésil !
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Ah ! le Brésil !
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Amazonie........Brésil !
http://www.youtube.com/watch?v=t7OEH_QRuJE&feature=related

Desmatamento na Amazônia
http://www.youtube.com/watch?v=kTuckteIYmk&NR=1

Um drama ecològico !
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Tributo a Chico Mendes
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Un anjo assassinado !
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Salve a Amazônia ! ! !
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Amazônia para sempre ! ! !
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Amazônia insônia do mundo !
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O Maior Tesouro da humanidade ! ! !
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Amazônia vendida !
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A amazônia nos pertence !
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Força Aérea Brasileira
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Demostração da Força Aérea
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Soldado da Amazônia
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Oração do guerreiro ! Amem !
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Homenagem ao Exército Brasileiro !
http://www.youtube.com/watch?v=FUVal9XIYM4&feature=related




Brasil Acima de Tudo ! ! !
http://www.youtube.com/watch?v=2G9tr7htdbY&feature=relatedE tenho dito !
Uma excelente semana para todos !
Paz ! Luz ! Liberdade ! Justiça e Amor !
Viva Brasil !
Viva o povo brasileiro !

domingo, 23 de março de 2008

Mitologia Egípcia - ANÚBIS



Qual estrela reinventado a imanência da sua luz no cosmos da imortalidade, onde a mítica constelação da vida se traduzia e renovava num fulgor eterno, Anúbis (Anupu em egípcio) iluminava a noite do panteão egípcio enquanto pilar que sustinha o templo de um mito intemporal que prometia às almas a eternidade.

Escravizados pelo alento de vogarem no regaço da imortalidade, superando os próprios limites da existência, os Egípcios conceberam a arte do embalsamamento, que, ao conservar os seus corpos, os arrebatava ao abominável espectro da deterioração, tal como sugere uma das muitas inscrições talhadas sobre os caixões: “Eu não deteriorarei. O meu corpo não será presa dos vermes, pois ele é durável e não será aniquilado no país da eternidade”. Esta arte divina, apta a enfeitiçar o tempo, tornando-o escravo daqueles que a ela recorriam, era ditada, reinventada e abençoada por Anúbis, guardião das sublimes moradas da eternidade, Soberano das mumificações e embalsamamentos, intermediário entre o defunto e o tribunal que o aguardava no Além e deidade cuja aparência é estigmatizada pelas incumbências de que é investido. Por conseguinte, e numa flagrante evocação dos cães e chacais que velavam pelas inóspitas e desérticas necrópoles, esta divindade surge como um animal da família dos Canídeos ou, então, como um homem detentor de uma cabeça de chacal. A mitologia egípcia revela-nos que Anúbis era fruto de uma ilegítima noite de amor vivida por Osíris nos braços de Néftis.

A lenda revela-nos que tão inusitada união dera-se quando do retorno do então Soberano do Egito ao seu magnífico país. Extenuando de uma viagem que o mantivera longe da sua pátria por uma eternidade, Osíris ardia em desejo de sentir o Sol que raiava no olhar de Ísis despir a mortalha de nuvens, tecida pela saudade, que vestia e sufocava os céus de sua alma. Ao vislumbrar Néftis, o deus enlaça-a então em seus braços, tomando-a pela sua esposa. E os seus sentidos, cegos pela paixão, revelam-se impotentes para lhe desvendar a traição que ele cometia, antes desta encontrar-se consumada. Graças a uma coroa de meliloto abandonada por Osíris no leito de Néftis, Ísis abraça a percepção de que o seu amado esposo havia-lhe sido infiel e, desesperada, confronta a sua irmã, que lhe revela que de tão ilídimas núpcias nascera um filho, Anúbis, o qual, temendo a cólera do seu esposo legítimo, Seth, ela havia ocultado algures nos pântanos. Ísis, a quem não fora concedido o apanágio de conceber um filho de Osíris, enleia então a resolução de resgatá-lo ao seu esconderijo, percorrendo assim todo o país até encontrar a criança. Acto contínuo, e numa notória demonstração da benevolência que lhe era característica, a deusa amamenta Anúbis, criando-o para tornar-se o seu protetor e mais fiel companheiro.

A lenda de Osíris comprova que Ísis foi coroada de sucesso, uma vez que, após o desmembramento do corpo de seu esposo, Anúbis voluntariou-se prontamente para auxiliar a deusa a reunir os inúmeros fragmentos do defunto. Posteriormente, Anúbis participa com igual dedicação nos rituais executados com o fim de restituir a Osíris o sopro de vida e que lhe facultaram a concepção da primeira múmia, fato que legitimou a sua conversão no venerado deus do embalsamamento, eterno guia do defunto no Além. A sua crescente influência garantiu-lhe um posto relevante no tribunal composto por quarenta e dois juizes que julgava os recém- inumados. De fato, é ele quem conduz o morto até Osíris, apresentando-o ao tribunal por ele presidido, para de seguida proceder à pesagem do coração. Se porventura o morto desejar mais tarde regressar à terra, é Anúbis quem ele tem a obrigação de notificar previamente, dado que esta surtida só será exequível com o seu consentimento expresso, formalmente consignado sob a forma de um decreto.

As suas múltiplas funções permitem a este deus deter diversas denominações, embora todas elas se encontrem intrincadamente relacionadas com o seu papel na vida póstuma dos egípcios. Assim, Anúbis é reconhecido como “o das ligaduras”, como patrono dos embalsamadores, “presidente do pavilhão divino”, enquanto soberano do edifício onde a poesia da mumificação era declamada por peritos, “senhor da necrópole” ou então “aquele que está em cima da montanha”, designações que exaltavam a sua posição enquanto guardião dos túmulos e condutor dos defuntos nos traiçoeiros labirintos do mundo inferior. Como tal, não é de todo inusitado o rol interminável de hinos e preces a ele destinados, que encontramos não raras vezes nas paredes das mastabas mais antigas e igualmente no famigerado “Texto das Pirâmides”.

Anúbis constitui igualmente a deidade tutelar da décima sétima província do Alto Egito, cuja capital, Cinopólis (“A Cidade dos Cães”), era o âmago do seu culto, não obstante a sua imagem ser também uma constante em relevos e textos figurativos existentes nas sepulturas reais ou plebéias do vale do Nilo. Com efeito, ao longo de toda a época faraônica, Anúbis usufruiu de uma inefável popularidade que se refletiu na sólida implantação do seu culto nos díspares centros religiosos do país, particularmente em Tebas ou Mênfis. Em Charuna, localidade próxima do seu principal santuário, deparamo-nos com uma necrópole de cães mumificados, os quais eram venerados enquanto animais sagrados do deus.

Mas afinal que arte era esta que Anúbis protegia e representava? Originalmente, antes de haverem alcançado o seu meticuloso método de mumificação, os Egípcios envolviam os seus defuntos numa esteira ou pele de animal, visando que o calor e o vento dissecassem os cadáveres. Após um moroso processo evolutivo, os embalsamadores conseguiram enfim obter de forma artificial tal conservação natural, mediante um prolixo tratamento, que se prolongava por setenta dias. Uma vez ser necessário quantidades abundantes de água para lavrar os corpos, este ritual era realizado na margem Ocidental do rio Nilo (a considerável distância das habitações), onde os embalsamadores trabalhavam numa tenda arejada. Ultimado o referido período de tempo, os defuntos seguiam para as designadas “Casas de Purificação”, meras salas reservadas para as práticas de mumificação, onde cada gesto dos embalsamadores era talhado no olhar vigilante dos sacerdotes. Segundo inúmeros baixos-relevos e pinturas, estes primeiros ostentavam máscaras com a efígie do deus- chacal Anúbis, a deidade protetora dos mortos, talvez num desejo de atrair a sua benevolência.


O único exemplar que se conserva de semelhante máscara leva a crer que esta servisse igualmente de proteção contra os diversos cheiros que fustigavam os embalsamadores. Alguns momentâneos descuidos destes levaram-nos a esquecerem-se, por vezes, de determinados instrumentos no interior das múmias, o que nos permite conhecer, aprofundadamente, os seus diversos utensílios de trabalho: ganchos de cobre, pinças, espátulas, colheres, agulhas, vasos munidos de bicos para deitar a goma escaldante sobre o cadáver e furadores com cabeça de forcado, para abrir, esvaziar e tornar a fechar o corpo. Dada a ausência de qualquer informação legada pelos Egípcios sobre as suas técnicas de embalsamamento, é necessário recorrer aos relatos de historiadores gregos, como Heródoto, para que a nossa curiosidade seja saciada. As suas descrições permitem-nos vislumbrar cada movimento dos embalsamadores. Em primeiro lugar, estes extraíam o cérebro do defunto pelas narinas, com o auxílio de um gancho de ferro. Seguidamente, “com uma faca de pedra da Etiópia” (segundo refere Hérodoto) efetuavam uma incisão no flanco do defunto, pelo qual retiravam os intestinos do morto.

Após terem limpo diligentemente a cavidade abdominal, lavavam-na com vinho de palma e preenchiam o ventre com uma fusão de mirra pura, canela e outras matérias odoríferas. Deixavam então o corpo repousar numa solução alcalina, baseada em cristais de natrão seco, onde permanecia durante setenta dias, ao fim dos quais a múmia era envolvida com mais de vinte camadas de ligaduras e coberta por um óleo de embalsamamento (uma mistura de óleos vegetais e de resinas aromáticas- coníferas do Líbano, incenso e mirra), que endurecia, rapidamente. Todavia, as suas propriedades anti-micósicas e anti-bacterianas não protegiam a estrutura do corpo esvaziado, dessecado e leve, facto comprovado pelo incidente ocorrido com a múmia do jovem faraó Tutankhámon, que se fragmentou, quando a tentaram remover do seu caixão. As faixas que envolviam o defunto eram, preferencialmente, de cores vermelho e rosa, jamais sendo utilizado para a sua concepção linho novo, mas sim, aquele que era obtido a partir das vestes que o morto envergava em vida. À medida que as ligaduras eram colocadas em torno dos defuntos, os sacerdotes presentes pronunciavam fórmulas sagradas. Simultaneamente, depositavam-se nos leitos de linho inúmeros amuletos profilácticos, tendo mesmo sido encontrada uma múmia com cerca de oitenta e sete destes objetos de culto. Entre estes encontrava-se ankh (vida), uma das mais preciosas dádivas oferecidas aos homens pelos deuses; o olho de oudjat, ou olho de Hórus, símbolo de integridade, que selava a incisão feita pelos embalsamadores, para retirar as entranhas do morto; um amuleto em forma de coração, concebido para assegurar que os defuntos seriam bem sucedidos nos seus julgamentos; e o escaravelho, esculpido em pedra, barro ou vidro. Este inseto enrola bolas de esterco, onde depõe os ovos. Os Egípcios creiam que um escaravelho gigante gerara o Sol de forma similar, rolando-o em direção do horizonte, até ao firmamento. Uma vez que todas as manhãs este astro soberano desprende-se de um abraço de trevas, o escaravelho tornou-se num símbolo da ressurreição dos mortos.

No exórdio da civilização egípcia, ultimados os seus processos de mumificação, as pessoas notáveis eram inumadas num caixão de forma retangular, depositado num sarcófago de pedra, considerado como depositário das vida. Porém, ao longo da história, os caixões sofrem diversas metamorfoses, que alteraram, radicalmente, os seus simulacros. No Médio Império, os caixões tornaram-se antropomórficos, aumentando a sua produção. A própria múmia principiou a ter uma máscara de linho estucado, isenta de qualquer semelhança com o defunto. Na realidade, inúmeras múmias eram sepultadas em diversas urnas, sendo colocada uma dentro da outra, à semelhança das bonecas russas. Deste modo, a urna interna, mais ajustada, deveria encontrar-se apertada atrás. Durante muito tempo, os sarcófagos eram construídos em madeira. Não obstante, num período mais tardio, as urnas interiores eram efetuadas com camadas de papiro ou linho, o que se tornava mais economicamente acessível. Junto aos túmulos, repousavam cofres de madeira, que guardavam quatro recipientes, desde o mais humilde pote de barro ao mais faustoso vaso de alabastro. Estes canopes, cujo nome advém de Kanops, cidade situada a leste de Alexandria, continham as vísceras do defunto, uma vez que sem estas, o corpo não se encontraria completo. Inicialmente, esta pratica consistia em mais uma prerrogativa reservada aos soberanos do Egito, mas com alguma rapidez estendeu-se igualmente aos sacerdotes e altos funcionários e, por fim, no Novo Império, a todos os egípcios abastados.



O fígado, o estômago, os pulmões e os intestinos eram envolvidos separadamente em tecidos de linho, formando embrulhos que eram, em seguida, depositados no interior dos díspares canopes, após terem sido impregnados com resina de embalsamamento. Em contrapartida, o coração, símbolo da razão, cerne do encontro do espírito e simulacro da alma, após ser submetido a um rigoroso tratamento que visava a sua conservação, era sempre recolocado no corpo do defunto, que iria necessitar dele, ao longo do seu julgamento no Além. Por seu turno, as intrínsecas vísceras eram entregues a quatro deidades protetoras, filhos de Hórus, cujas cabeças ornamentavam freqüentemente as tampas dos canopes: Amset, com cabeça de homem, (cujo nome resulta de aneth, uma planta conhecida pelas suas propriedades de conservação), tornado protetor do estômago; Hápi, possuidor de uma cabeça de babuíno, que vela pelos intestinos; Duamoutef, que ostenta uma cabeça de
cão e cuja missão é proteger os pulmões; e Quebekhsenouf, detentor de uma cabeça de falcão, que preserva o fígado. A partir do Novo Império, eram representadas nas arestas dos canopes deusas protetoras, que, com as asas abertas, resguardavam os seus conteúdos. As mesmas deusas surgiam ajoelhadas nos cantos dos sarcófagos. Nut, a deusa da abóbada celeste, adorna a face interior do tampo do caixão.


Paradoxalmente, os mais humildes eram privados de qualquer prerrogativa, sendo sepultados no deserto, envoltos numa pele de vaca, uma vez que não possuíam meios para pagar o avultado preço da imortalidade.

Detalhes e vocabulário egípcio:


Djed- eternidade;


Keres- caixão;


Na Época Greco-Romana, Anúbis foi investido de novas incumbências, encarnando numa deidade cósmica, regente dos céus e da terra.
Etimologicamente, o epíteto “Anupus” pode possuir a sua origem na palavra inep, empregue com o significado de “putrificar”.


A imagem de Anúbis, nas suas díspares representações, é uma constante não apenas nas múmias e sarcófagos, mas também nas vinhetas dos papiros funerários. A estatueta de Anúbis com cabeça de cão selvagem constituía igualmente um amuleto, que colocava os defuntos sobre a proteção do deus. Evoca-se como exemplo o túmulo do jovem Tutankhámon, entre muitos outros.


A famigerada múmia do faraó Ramsés III sobreviveu inderme durante quase 3000 anos, graças à arte egípcia do embalsamamento e à preservação do deserto. Porém, alguns meses de permanência num museu teriam causado a sua total destruição, caso inúmeros egiptólogos não houvessem agido, prontamente.


out- embalsamadores


vabet- lugar de purificação, 'Casa da Purificação'


Mitologia Egípcia - AMON




Entre os cerúleos pilares de lápis- lazuli do enleante templo dos céus, o Sol, sedutor feiticeiro do Infinito, transfigurava, através da mística alquimia da luz, a noite da inexistência, perpétuo algoz da alma humana, no resplandecente dia da vida eterna. E seus lábios luzentes, pétalas de luz da fragrante rosa de fogo que a aurora desfolhava sobre o leito do horizonte, na ânsia de perfumar as núpcias do céu e da terra, albergavam o berço da humanidade e a matriz da perfeição universal. No Antigo Egito, Ámon- Ré, imanente encarnação do astro- rei, era soberano do sublime éden de fruição espiritual, de cujo seio de apoteoses divinas brotava o fruto da harmonia cósmica que deuses e homens cobiçavam. Ávidos de saciar a sua sede no néctar de paz intemporal dele resvalado, estes coroavam os céus com arco –íris talhados em hinos esplendorosos que exaltavam a magnificência do excelso regente dos deuses: “Único é o oculto que permanece velado para os deuses, sem que a sua verdadeira forma seja conhecida. Nenhum deles conhece a sua verdadeira natureza que não é revelada em nenhum escrito. Ninguém o pode descrever, é demasiado vasto para ser apreendido, demasiado misterioso para ser conhecido. Quem pronunciasse o seu nome secreto seria fulminado.” (Hino a Ámon).

Todavia, oráculo algum preconizara que tal deidade, quase escrava do anonimato total no Antigo Império, viria a coroar-se “rei dos deuses” (nesu- netjeru) e incontestável soberano do vasto reino dos céus. Com efeito, é apenas no decorrer do Médio Império, que Ámon, efígie do Sol criador, após haver vagueado, enquanto peregrino de luz, pelos ignotos céus do desconhecimento, alcança por fim o santuário de magia imarcescível, erguido no horizonte da fé em honra do panteão egípcio, onde, volvida uma viagem mágica, que lhe permitiu a absorção de diversas outras deidades, o deus solar renasce, cantando a Aurora do seu poder como divindade nacional, dinástica, universal e criadora. Os jardins onde a mitologia egípcia semeou as origens de Ámon constituem ainda um paraíso proibido, cujos encantos florescentes se oferecem somente à nossa Imaginação nômada. Porém, alguns egiptólogos crêem que originalmente Ámon não era senão uma deidade do ar, que no Infinito nas crenças egípcias, partilhava as características de Chu, estatuto do qual não jamais viu-se privado, mesmo após a sua meteórica ascensão até ao trono celeste. É, de fato, como rosa de vento, orvalhada de doces brisas, que Ámon desabrocha para a Primavera da popularidade na região tebana de Ermant. Esta teoria é, contudo, contestada por uma fração oponente, a qual defende que Ámon, na realidade, floresceu na mitologia egípcia enquanto um dos membros da Ogdóade de Hermopólis, formando assim com Amonet, sua parceira feminina, um dos quatros casais que a constituíam. Nesta representação, Ámon e a sua esposa encarnam os princípios primordiais, suspensos nos braços da escuridão, que se transfiguravam num hipotético dinamismo criador. A introdução de Ámon na região tebana ofereceu-lhe uma inaudita ascensão no seio da Ogdoáde, ao indigitá-lo líder dos deuses que a formavam.

Independentemente das dúvidas que, quais planetas perdidos no Universo da História, orbitam em torno da fulgurante estrela que exaltara o nascimento de Ámon, é certo que este deus manteve-se cativo do cárcere do anonimato até ao Império Médio. Com efeito, a partir da XII dinastia, o seu culto desenvolve-se de forma surpreendentemente célere, permitindo a Ámon ser consagrado soberano incontestável do panteão egípcio. Despindo a mortalha de nuvens que obliterava o seu rutilante corpo de Sol, Ámon inundou de luz as almas dos monarcas egípcios que, em retribuição, permitiram que o sublime pulsar do coração da eternidade entoasse até ao seu atroz eclipsar, a maviosa sinfonia composta pelo doce epíteto do deus criador. Assim, em Karnak foram edificados templos, cujo esplendor conquistou o tempo e desafiou a morte. Concomitantemente, o faraó torna-se filho carnal de Ámon, proclamando-se assim emissário dos deuses entre os homens e vice- versa. Em Tebas, cidade cuja cosmogonia combina elementos oriundos de Hermopólis, Heliópolis e Mênfis, Ámon tange no doce harpa do coração da doce deusa Mut a harmoniosa melodia do amor. Com ela e com Khonsu, fruto dos seus esponsais, formará uma poderosa tríade. Na qualidade de deus patrono da capital egípcia (Tebas), Ámon é coroado regente dos deuses.


Contemplando a surpreendente ascensão ao trono dos céus do agora prestigiado deus criador, o clero abraça a resolução de talhar na sua coroa de luz a jóia rara de uma teologia apta a exaltar o fastígio da sua soberania, fato facilmente constatável através da leitura e análise do seguinte mito. Canta a lenda que a serpente Kematef, ou seja, “a que cumpre o seu tempo”, emergiu de Nun, o excelso oceano de energia primordial, no local exato da cidade de Tebas, brindando os céus com o nascimento de Irta, isto é, “aquele que fez a terra”, para de seguida desbravar o paraíso indômito dos sonhos.


Por seu turno, Irta, sublime ourives da Criação, converteu as trevas do nada no suntuoso tesouro do Universo, principiando por esculpir a terra, eterna barca de rubis navegando nos mares de pérolas negras do Infinito e, ato contínuo, os já citados oito deuses primordiais que se dirigiram a Hermopólis, a Mênfis e a Heliópolis para sonharem o esplendor da luz divina que do áureo corpo do Sol se desprendia (Ptah e Atum). Traídos pela sua obra colossal, que no decorrer da sua concepção todas as suas forças havia furtado, as oito deidades retornaram a Tebas, onde, à semelhança de Kematef e Irta, saborearam as nascentes de fruição espiritual que brotavam do éden das quimeras. No cosmos deste mito, a constelação de Ámon brilhou enquanto ba (poder criador) de Kematef, o que cimentou a sua posição fautor das maravilhas da Criação. Gradualmente, Ámon fundiu a sua identidade com a de Ré, senhor de Heliópolis, concebendo assim a deidade Ámon- Ré, suprema encarnação do astro- rei. Esta conotação solar do deus tebano é enfatizada pelos seus adoradores: “Tu és Ámon, tu és Atum, tu és Khepri”, numa clara oblação às inúmeras metamorfoses vividas pela deidade solar, principiando pelo seu derradeiro mergulho no oceano do horizonte, enquanto Sol poente (Atum), até à sua ressurreição sob a forma de Sol nascente (khepri).

Conquistando igualmente aparência e funções de Min, deus da fertilidade, Ámon, agora, Ámon- Min, encarna os elementos primordiais da Criação. De facto, algumas das primeiras representações de Ámon em Karnak, datadas do início da XII dinastia, representam o deus tebano, enquanto fruto da sua fusão com Min. Através da associação ecléctica às mais proeminentes deidades do panteão egípcio (Ré, Ptah e Min), Ámon conquista a dádiva do poder, inevitavelmente depositada no suntuoso altar de sua alma iluminada, bordando nas sedas consteladas que velam a etérea silhueta do Universo a poesia da sua sublimação, enquanto divindade nacional, primordial e demiúrgica. Durante o reinado de Akhenaton, em meados do séc. XIV, o deus tebano é alvo da perseguição do regente, quiçá numa represália contra o intimidatório poder do clero amoniano, que aumentara proporcionalmente ao prestígio da deidade em questão. Após uma noite de cerca de quinze anos, uma aurora adornada de paradoxos e controvérsias canta a ressurreição do Sol, que uma vez mais se apodera do trono dos céus, sob a forma de Ámon. Este converter das trevas na luz deve-se à alquimia secreta de um único faraó: Tutankhámon (reinado: 1337- 1348 a . C.).


Um orvalho cristalino, eivado de mil enigmas, perla a rosa da fortuna, em cujas pétalas repousa o simulacro incerto do príncipe Tutankháton, espírito isento de origens concretas. Teria o futuro faraó despontado dos braços de Akhenaton ou do seio de uma família nobre? Um vórtice de conjecturas enlaça igualmente o significado do seu nome, sendo “ imagem viva de Áton” ou “poderosa é a vida de Áton” as traduções mais credíveis. Após a extinção de Akhenaton, o trono do Egipto oferece-se ao olhar hesitante de Tutankháton, uma criança de apenas nove anos, que, contudo, havia já desposado a terceira filha do faraó falecido. Inebriado pelo fausto de jogos e festas, enclausurado num débil esboço de uma personalidade esbatida, Tutankháton prostra-se diante dos conselhos de um preceptor, possivelmente, o alto- dignitário Ay, ignorando as ferozes querelas entre os partidários de Ámon e de Áton, cujo fulgor torna-se num sorriso da heresia. Gradualmente, a influência do clero enleia, irreversivelmente, o ingénuo jovem, depositando na sua alma ainda perfumada pela infância, o desejo de retornar ao seio da primordial religião, tecida em torno de Ámon. Por conseguinte, o jovem altera o seu nome para Tutankhámon, entregando cada suspiro do seu império aos lábios de nácar do politeísmo. Desta forma, no regaço de seu reinado o compasso do tempo esculpiu o sepulcro da excelsa “Cidade do Sol”, cujo fulgor foi extinto com o fito de restituir a soberania à olvidada cidade de Tebas, no seio da qual o faraó se reinstalou, concedendo, uma vez mais, imensuráveis poderes aos sacerdotes que se prostravam diante do divino simulacro de Ámon. Submissamente, todos aqueles que haviam ornado de vida a quimérica cidade de Akhenaton seguiram a família real, entregando Armana aos nefastos braços da decadência. As carícias letais do vento árido arrebatou o fastígio dos templos e palácios, resumindo-os a lúgubres escombros, no coração da areia enclausurados. Somente após 3000 anos, a alma desta cidade foi enfim libertado do seu lúrido cárcere.

Intoxicado pelo incenso celestial queimado sobre a cidade de Tebas, Tutankhámon não empreendeu qualquer campanha militar, impedindo assim uma ascensão do Egito no plano internacional. Privado do seu antigo poder, o exército egípcio entrega-se aos braços da decadência. Na realidade, somente a contínua vigília de Horemheb, a quem Tutankhámon havia entregue plenos poderes, impediu toda e qualquer invasão do território egípcio. Este general encontrava-se deveras distante da imagem de soldado grosseiro e rude que inúmeras vezes lhe é atribuída na atualidade. Trata-se, na verdade, de um escriba, um letrado, cuja alma se encontra escravizada pelo amor ao direito e à justiça. Ao completar quinze anos, no ano 6 do seu reinado, a consciência dos seus deveres fende as pálpebras outrora cerradas de Tutankhámon, Desprendendo-se do torpor da infância, o jovem faraó principia a mergulhar nos seus ofícios de soberano, recorrendo ao pronto auxílio de seus mentores Ay e Horemheb, detentores de um poder imensurável, concedido pelo próprio regente. Surpreendentemente, Tutankhámon lida, habilmente, com a política externa, solucionando diversas questões pendentes. Simultaneamente, almeja restituir ao Egito o seu esplendor estonteante, pelo que ordena a restauração e construção de monumentos e o levantamento de ruínas. De seu espírito resvalaram rasgos de luz, orvalhados pelo gotejar da independência, que fenderam enfim a sufocante influência que Ay e Horemheb possuíam sobre o faraó e sobre o destino do Egito. Porém, quando Tutankhámon completou dezoito anos, a auspiciosa melodia entoada pela sua fortuna extinguiu-se nas trevas de uma sinfonia de silêncio, concebida pelas lúgubres carícias da morte...

Intrigados com tão suspicaz falecimento, os egiptólogos lançaram-se numa desesperada procura pela verdade, já sepultada entre as valsas do tempo. Por fim, após um inexaurível rol de pesquisas e investigações, uma autópsia realizada à múmia do faraó concedeu-lhes o fulgor da solução que tanto haviam cobiçado: uma fratura na base do crânio de Tutankhámon comprovava que este havia sido, brutalmente, assassinado. Porém, que mãos cruéis e isentas de compaixão haviam desferido o golpe fatal que oferecera aos lábios sequiosos da morte o travo da vida de Tutankhámon? Os sacerdotes tebanos, movidos pelo temor de que o regente, agora livre igualmente da sua influência, abraçasse os devaneios de Akhenaton? Ou aquele que queimara o incenso da sua vontade sobre o débil altar da alma de Tutankhámon, submetendo-a aos seus caprichos e alentos: o divino- sacerdote Ay, tornado mais tarde em sucessor do faraó falecido? A verdade oferece-se ao olhar daqueles que pressentem os silvos das conjecturas, em cujo regaço quase sentimos o toque do sangue do jovem faraó tingir as mãos do ambicioso Ay. Na realidade, sobre a imagem de Tutankhámon baila um inexorável paradoxo, delineado pela imensurável fama que este insignificante faraó alcançou na atualidade. Inderme à ação dos inúmeros saqueadores, o seu túmulo, descoberto em 1822 por Howard Carter, derramou sobre a alma perplexa da humanidade a fragrância do fausto e fastígio do Antigo Egito. Jamais houve uma descoberta mais preciosa do que a do túmulo de Tutankhámon. A grácil beleza dos móveis e as suas obras de arte ultrapassaram tudo o que até então fora encontrado no Egito. Graças ao túmulo do jovem faraó, o único encontrado intacto, a cultura egípcia atraiu muitos mais admiradores do que no passado; admitiu-se que esta cultura havia exercido sobre os povos vizinhos uma influência muito mais profunda do que então se cogitara. Ao contemplarem-se as excelsas riquezas que um faraó considerado verdadeiramente irrelevante, cujo reinado prolongou-se por um escasso período de tempo, levava para a sua derradeira morada, calcula-se o esplendor que brincaria nos túmulos de poderosos faraós como Tutmés III, Amenófis II, Seti I e Ramsés II.

No paraíso de seu reinado, brotou a cobiçada fonte da ressurreição, onde Ámon, outrora cativo do sepulcro do esquecimento, saciou a sua sede de vida. Durante cerca de meio século, mais precisamente de 1000 a.C. até 525 a.C., data da invasão persa, a soberania da sumptuosa cidade de Tebas não foi senão dança ritmada da melodia de luz reflectida pelos cristais de Sol, que no olhar de uma magnificente dinastia de mulheres haviam esculpidos pela benção do astro- rei. A estas mulheres, intituladas “Adoradoras Divinas” ou, em egípcio, duat- netjer, o faraó havia concedido, sem hesitar, um poder espiritual e régio sobre a principal cidade santa do Alto Egipto.

Sacerdotisas iniciadas nos mistérios de Ámon, a quem se uniam em esponsais divinos, com o fito de lhes prestarem um culto ornado de um certo erotismo, as Adoradoras Divinas eram regra geral provenientes de famílias nobres. Em diversas representações, contemplamos o rito que permitia à dama despertar na carne e espírito do deus tebano os ardores da paixão. Sob a liderança desta casta de mulheres viviam sacerdotisas, contempladas como o “harém de Ámon”, a quem era também confiada a incumbência de semear o desejo no peito do rei dos deuses e preservar a harmonia entre os céus e a terra. Enquanto esposas de Ámon, as Adoradoras divinas, não obstante não serem coagidas a celebrar votos de castidade, eram privadas não de vincular um casamento humano, mas também de ter filhos. De fato, a herdeira do seu cargo era a sua filha espiritual, elevada a este estatuto através da adoção.
Consagrando-se exclusivamente ao culto da deidade, as Adoradoras Divinas, excelsas instrumentistas que na harpa do cosmos fazem vibrar a energia celestial, garante da vida terrena, embora não fossem reclusas, usufruíam da maior parte do seu tempo no interior do templo de Ámon em Karnak, onde todos os dias persuadiam o deus a exprimir de forma benéfica o seu poder criador.


Personalidades proeminentes no seio da cidade tebana, as Adoradoras Divinas eram incontestáveis proprietárias de casas, terrenos, servidores e diversos outros bens que contribuíam para a sua comodidade e autonomia.


Detalhes e vocabulário egípcio:

Amonet- Deusa constituinte da Ognóade de Hermopólis. É freqüente depararmo-nos em Tebas com efígies suas, enquanto versão feminina do deus Ámon, papel geralmente concedido a Mut. Diversos textos da dinastia ptolomaica apresentam-nos Amonet ou Amaunet como encarnação do vento do Norte, a mãe primordial que “é pai”, isto é, aquele que sem intervenção masculina se encontra apta a conceber os seus filhos. Algumas fontes revelam que Amonet deu à luz Ré, ou, segundo outras vozes, Ámon, enquanto personificação de Ré. É exequível aventurar que o culto dedicado à deusa ultrapassa o da sua versão masculina em antiguidade.


Identificamos Ámon nas diversas representações que o honram, como um homem ostentando sobre a sua cabeça uma coroa com duas plumas (kachuti) e em suas mãos (consoante as circunstâncias em que é invocado) o signo da vida (ankh), uma cimitarra (khopech) ou o cetro uase, entre outros. O seu trono assenta sobre uma esteira que, por seu turno, se encontra sobre um pedestal dotado dos símbolos da deusa Maet.


Ámon, “aquele cuja natureza escapa ao entendimento”, é representado por um carneiro de chifres curvos ou, pontualmente por um ganso. Com freqüência, as díspares formas de animais adoptadas por um deus confere-lhe o poder para se tornar irreconhecível ou apto a ser confundido com outra deidade. A imagem do carneiro simboliza o conjunto das forças criadoras, quer aquelas encarnadas pelo Sol, quer aquelas que permitam garantir a reprodução dos seres vivos.


“Tu és o deus oculto (Ámon), Senhor do silencioso, que acorre ao apelo do humilde, tu que dás alento a quem dele é privado” (Estela de Berlim).

terça-feira, 18 de março de 2008

TIBET


O Tibete é uma região histórica na Ásia Central. Com uma altitude média de 4.900 metros, é a região mais alta do mundo e é comumente referida como o "Teto do Mundo".

O Tibete hoje é parte da República Popular da China, com uma área de aproximadamente 1,2 milhão de quilômetros quadrados (sendo que uma pequena parte, dependendo das definições, controlada pela Índia). A região também é reivindicada pela República da China (Taiwan). Sobre a questão da soberania tibetana, o governo da República Popular da China e o governo do Tibete em exílio discordam quanto à legitimidade de sua incorporação pela China. A UNESCO e a Encyclopædia Britannica[1] consideram o Tibete como parte da Ásia Central, enquanto outras organizações a veem como parte do Sul Asiático.

O rei Songtsän Gampo uniu muitas partes da região durante o século VII. A partir do século XVII, os dalai lamas, conhecidos como chefes espirituais da região, têm sido os chefes administrativos do Tibete centralizado e na religião tibetana são tidos como emanações de Avalokiteśvara ("Chenrezig" [spyan ras gzigs] em tibetano), o bodhisattva da compaixão.

Entre o século XVII e o ano de 1959, o Dalai Lama e seus regentes serviram como principais autoridades tanto na política como na religião de grande parte da região a partir de sua tradicional capital Lhasa.

A história do Tibete teve início há cerca de 2.100 anos, quando em 127 a.C. uma dinastia militar fixou-se no vale de Yarlung. Esta dinastia comandou o país durante oito séculos. Após centenas de anos belicistas, o Tibete investiu sobre terras vizinhas, até que em 617 o Imperador Songtsen Gampo - o 33º rei do Tibete – começou a transformar a civilização feudo-militar em um império mais pacífico. Seu reinado durou até 701 e seu legado foi imenso. Criou o alfabeto tibetano, escreveu e estabeleceu o sistema legal tibetano, baseado no princípio moral que naquela época já mencionava a importância da proteção do meio-ambiente e da natureza, patroneou o budismo e construiu vários templos, dentre eles destacam-se o Jokhang e o Ramoche.

Seus sucessores continuaram a transformação cultural, custeando traduções e criando instituições. O próximo rei do Tibete foi Tride Tsukden (704754), que, por sua vez, teve seu filho como sucessor, o rei Trisong Detsen.

A partir do século VII, torna-se o centro do Lamaísmo, religião baseada no budismo, que transforma o país num poderoso reinado. Motivo de cobiça dos chineses desde o século XVII, quando é declarado território soberano da China, o Tibete luta durante séculos pela independência, conquistada em 1912.

O Tibete é hoje considerado pela China como uma região autônoma chinesa (Xizang). Conhecido como o "teto do mundo" por seus picos nevados, as montanhas do Tibete têm, em média, 4.875 metros, com destaque para a Cordilheira do Himalaia.

Em 1950, o regime comunista da China ordena a invasão da região, que é anexada como província. A oposição tibetana é derrotada numa revolta armada em 1959. Em conseqüência, o 14° Dalai Lama, Tenzin Gyatso, líder espiritual e político tibetano, retira-se para o norte da Índia, onde instala em Dharamsala um governo no exílio .

O país torna-se região autônoma da China em setembro de 1965 contra a vontade popular. Entre 1987 e 1989, tropas comunistas reprimem com violência qualquer manifestação contrária à sua presença. Há denúncias de violação dos direitos humanos pelos chineses, resultantes de uma política de genocídio cultural. Em agosto de 1993, iniciam-se conversações entre representantes do Dalai Lama, laureado com o prêmio Nobel da Paz em 1989, e os chineses, mas mostram-se infrutíferas.

Em maio de 1995 é anunciado pelo Dalai Lama o novo Panchen Lama, Choekyi Nyima, de 6 anos, o segundo na hierarquia religiosa do país. O governo de Pequim reage e afirma ter reconhecido Gyaincain Norbu, também de 6 anos, filho de um membro do Partido Comunista, como a verdadeira encarnação da alma do Panchen Lama.

Ugyen Tranley, o Karmapa Lama, terceiro mais importante líder budista tibetano, reconhecido tanto pelo governo da China como pelos tibetanos seguidores do Dalai Lama, foge do país em dezembro de 1999 e pede asilo à Índia. A China tenta negociar seu retorno, mas Tranley, de catorze anos, critica a ocupação chinesa no Tibete.

A causa da independência do Tibete ganha força perante a opinião pública ocidental após o massacre de manifestantes pelo exército chinês na praça da Paz Celestial e a concessão do Prêmio Nobel da Paz a Tenzin Gyatso, ambos em 1989. O Dalai Lama passa a ser recebido por chefes de Estado, o que provoca protestos entre os chineses. No início de 1999, o governo chinês lança uma campanha de difusão do ateísmo no Tibete. A fuga do Karmapa Lama causa embaraço à China.

A língua do Tibet

A língua tibetana é falada no vasto plateau tibetano, e também no Butão, partes do Nepal e norte da Índia como em Sikkim. É normalmente classificada como uma língua tibeto-birmanesa da família das línguas sino-tibetanas. A língua tibetana inclui numerosos dialetos regionais, que em geral são inteligíveis entre si. A diferenciação entre o Tibetano entre outras línguas himalaias são muitas vezes indefinidas. Em geral, os dialetos da parte central do Tibete como Lhasa, Kham, Amdo, e outras áreas próximas são considerados dialetos tibetanos, enquanto outras como dzongkha, sikkimês, a língua sherpa e a língua ladakhi são consideradas separadas por razões políticas. Tendo em vista esse entendimento dos dialetos e formas do tibetano, o tibetano "padrão" é falado por cerca de seis milhões de pessoas no plateau tibetano, mais 150 mil de falantes em exílio na Índia e em outros países. A língua tibetana possui sua própria escrita, que deriva da escrita Devanagari Sânscrita.


Mostre seu apoio aos Tibetanos!
Precisamos de liberdade, e não de opressão!

http://www.freetibet.org/




Apóie esta causa!

Chega de violação aos direitos humanos!

Friedrich Heinrich Alexander, Barão de Humboldt

Friedrich Heinrich Alexander, Barão de Humboldt, (14 de setembro de 1769, Berlim - 6 de Maio de 1859, Berlim), mais conhecido como Alexander von Humboldt, foi um naturalista e explorador alemão, irmão mais jovem do ministro e linguista prussiano Wilhelm von Humboldt.

Foi etnógrafo, antropólogo, físico, geólogo, mineralogista, botânico, vulcanólogo e humanista, tendo lançado as bases de ciências como a Geologia, Climatologia e Oceanografia. Apesar de ter pesquisado diversas coisas nos seus mínimos detalhes, fê-lo com uma visão geral e imparcial. Com catorze anos de idade, fixou-se em Berlim para continuar seus estudos, e mais tarde frequentou as universidades de Frankfurt e Göttingen, onde cursou Filosofia, História e Ciências Naturais.

Em 1789, com vinte anos fez a sua primeira viagem de carácter científico, passando pelos Países Baixos, Alemanha e Inglaterra, e principalmente ao longo das margens do rio Reno, seguindo George Forster, um naturalista que estava acompanhado pelo Capitão Cook na sua viagem ao redor do mundo. O resultado de toda a exploração científica foi a obra intitulada “Observações Sobre os Basaltos do Reno”.

A viagem exploratória pela América Central e América do Sul (1799-1804) e pela Ásia Central (1829) tornaram-no mundialmente conhecido ainda antes da sua morte. A sua correspondência científica com colegas cientistas compõe-se de mais de 35 mil cartas, das quais, só, aproximadamente 12 500 estão arquivadas. Além das ciências naturais, foi também um influente mecenas da Literatura. Humboldt apoiou os poetas e escritores Heinrich Heine, Ludwig Tieck e Klaus Groth.

Entre seus amigos e conhecidos estavam Matthias Claudius, Jacob e Wilhelm Grimm, August Wilhelm Schlegel, assim como Johann Wolfgang von Goethe e Friedrich Schiller.

terça-feira, 11 de março de 2008

Benjamin Franklin



(Boston, 17 de Janeiro de 1706 - Filadélfia, 17 de Abril de 1790) foi um jornalista, editor, autor, filantropo, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata e inventor americano, que foi também um dos líderes da Revolução Americana, e é muito conhecido pelas suas muitas citações e pelas experiências com a electricidade. Um homem religioso (calvinista), ele é ao mesmo tempo uma figura representativa do Iluminismo. Ele trocava correspondência com membros da sociedade lunar e foi eleito membro de Royal Society. Em 1771, Franklin tornou-se o primeiro Postmaster General (Ministro dos Correios) dos Estados Unidos da América.

Nasceu em Milk Street, Boston. O seu pai, Josiah Franklin, era comerciante de velas de cera, e casou duas vezes. Benjamin foi o mais novo de 17 crianças nascidas dos dois casamentos. Deixou os estudos aos dez anos de idade e com 12 anos começou a trabalhar como aprendiz do seu irmão, James, um impressor que publicava um jornal chamado “New England Courant”.

Ele tornou-se um contribuidor desta publicação e foi por algum tempo o seu editor nominal. Os irmãos tiveram uma discussão e Benjamin fugiu, indo primeiro a Nova Iorque e depois a Filadélfia, aonde chegou em Outubro de 1723. Em breve encontrou trabalho como impressor, mas após alguns meses, ele foi convencido pelo governador Keith a ir para Londres, onde, desiludido das promessas de Keith, voltou a trabalhar como compositor tipográfico numa impressora, até que um mercador chamado Thomas Denham o fizesse regressar a Filadélfia, dando-lhe uma posição na sua empresa.

Com a morte de Denham, Franklin regressou à sua profissão original e em breve montou uma tipografia onde ele publicou a “Gazeta da Pennsylvania”, na qual publicou muitos artigos e que se tornou um meio de agitação para uma variedade de reformas locais. A sua inteligência, combinada com uma habilidade para criar uma imagem positiva de um jovem laborioso e intelectual, deram-lhe uma grande dose de respeito social.

Em 1732 ele começou a publicar o famoso Almanaque do Pobre Ricardo (Poor Richard’s Almanac), no qual se baseia uma boa parte da sua reputação popular nos EUA. Provérbios deste almanaque tais como “um tostão poupado é um tostão ganhado”, são hoje muito conhecidos, mesmo em todo o mundo.

Franklin e muitos outros membros da associação filosófica juntaram os seus recursos em 1731 e iniciaram a primeira biblioteca pública de Filadélfia. Fundaram para esse fim uma empresa, que encomendou os seus primeiros livros em 1732, na sua maioria livros de teologia e educacionais, mas em 1741 a biblioteca também incluía obras de história, de geografia, de poesia e de ciência. Os sucessos desta empreitada encorajaram a abertura de bibliotecas em outras cidades americanas e Franklin sentiu que este iluminismo fazia parte da luta das colónias na defesa dos seus interesses.

Assuntos públicos e estudos científicos

Em 1758, o ano em que ele deixou de escrever para o almanaque, imprimiu “O sermão do pai Abraão”, hoje considerado como o texto mais famoso da literatura produzida na América dos tempos coloniais.

Entretanto, Franklin estava preocupado cada vez mais com os assuntos públicos. Ele planeava criar uma academia, um projecto que acabou mais tarde por ser reelaborado, tendo dado origem à Universidade da Pennsylvania. Fundou a sociedade filosófica americana com o fim de fomentar a comunicação das descobertas entre os homens da ciência. Ele já tinha começado a pesquisa da electricidade, que o iria ocupar, juntamente com outros temas científicos, até ao fim da sua vida (juntamente com a política e com os negócios).

Em 1748 ele vendeu o seu negócio por forma a poder ter mais tempo livre para os estudos, agora que tinha adquirido uma riqueza notável. Num espaço de poucos anos ele fez descobertas sobre a electricidade que lhe trouxeram uma reputação internacional. Franklin identificou as cargas positivas e negativas e demonstrou que os trovões são um fenómeno de natureza eléctrica.

Franklin tornou esta teoria inesquecível através da experiência extremamente perigosa de fazer voar um papagaio durante a trovoada, em 5 de junho de 1752. Tem sido questionado recentemente se Franklin efectuou esta esperiência ou não. A questão permanece controversa.

Franklin, nos seus escritos, demonstra que estava consciente dos perigos e dos modos alternativos de demonstrar que o trovão era eléctrico. Se Franklin fez a experiência, ele não a fez da forma descrita (ela teria sido fatal).

As invenções de Franklin incluíram o pára-raios, o aquecedor de Franklin - franklin stove (um aquecedor a lenha que se tornou muito popular, debitando uma corrente de ar directamente na área a aquecer) e as lentes bifocais.

Ele foi um dos cientistas mais conhecidos do século XVIII. Como reconhecimento pelo seu trabalho com a electricidade, Franklin foi eleito membro da Royal Society e recebeu a medalha Copley em 1753. No sistema CGS de unidades, a carga eléctrica recebeu o seu nome: 1 Franklin (Fr), que é igual a 3,3356 x 10 -10 Coulombs ou 1 statcolombo.

Franklin estabeleceu duas áreas de estudo importantes das ciências naturais: electricidade e meteorologia. Na sua obra clássica ” A história das teorias da electricidade e do Éter”, Sir Edmund Whittaker (pag.46) refere-se à inferência de Franklin de que quando se esfrega uma substância não se cria nenhuma carga eléctrica mas esta é apenas transferida, de modo que “a quantidade total em qualquer sistema isolado é invariável”. Esta asserção é conhecida como o “princípio da conservação da carga”.

Como tipógrafo e editor de jornais, Franklin freqüentava os mercados dos agricultores para angariar notícias. Um dia, Franklin notou que a notícia que dava conta de uma tormenta num lugar distante da Pennsylvania deverá ser a mesma tormenta que visitou Filadélfia em dias recentes. Foi o impulso que o levou à noção de que algumas tormentas se deslocam, o que levou aos mapas sinópticos da metereologia dinâmica, substituindo a dependência única pelos gráficos da climatologia.

Em 1751, Franklin e o Dr. Thomas Bond obtiveram o alvará da legislatura da Pennsylvania para estabelecer um hospital. O hospital da Pennsylvania seria o primeiro hospital a ser criado naquela nação nascente que se chamará Estados Unidos da América.

Na política, ele provou ser um hábil administrador e também uma figura controversa. O seu bom registro como administrador é manchado pelo uso pessoal da sua influência no avanço dos seus familiares. O seu mais notável serviço à política doméstica consistiu na reforma do sistema postal. Mas ganhou fama especialmente como estadista, com os seus serviços diplomáticos e na ligação das colônias com a Grã-Bretanha e mais tarde com a França. Também esteve envolvido na criação do primeiro corpo de bombeiros voluntários dos EUA, a primeira biblioteca pública gratuita e muitos outros empreendimentos cívicos.

Em 1754 ele liderou a delegação da Pennsylvania ao congresso de Albany. Este encontro de várias colônias tinha sido requerido pela associação comercial (Board of Trade) inglesa para melhorar as relações com os índios na defesa perante os franceses. Franklin propôs um amplo plano de união para as colônias. Apesar do plano não ter sido adoptado, elementos dele encontraram posteriormente lugar nos artigos da confederação e da Constituição Americana.

Em 1757 ele foi enviado a Inglaterra para protestar contra a influência da família Penn no governo da Pensilvânia, e por 5 anos ele permaneceu ali, tentando esclarecer e iluminar o ministério do Reino Unido quanto à situação das colônias. Também assegurou um posto para o seu filho ilegítimo, William Franklin, como governador colonial de Nova Jersey.

terça-feira, 4 de março de 2008

Consumo de Carne versus Vegetarianismo

By Swami Yogananda:

A questão do consumo da carne e do vegetarianismo é assunto muito complicado e controverso, por isto vou apresentar os vários argumentos oferecidos pelos seguidores dos “cultos” dos açougueiros e dos vegetarianos, e acrescentar no fim, se possível, minhas próprias opiniões a respeito de ambos. O que direi será governado pelas necessidades atuais do mundo, e acredito que nunca poderá ser dada uma visão absoluta, que seja boa para todos os tempos e para todas as pessoas.


A origem do consumo de carne

Ao ver o peixe grande comer o peixe pequeno, a lagartixa recém-nascida pular sobre o pequeno inseto e engoli-lo, e o tigre e o leão, mais fortes, caçarem animais menores, o homem viu nisto o dedo indicador da Natureza, e começou a comer a carne de animais que satisfaziam o seu paladar.

O elefante e o rinoceronte são tão fortes quanto o leão e o tigre, e apesar disto são vegetarianos. O homem aprendeu a comer vegetais e desenvolveu o instinto de alimentar-se de vegetais ao ver as criaturas da Natureza que também consomem vegetais.

Como encontramos, no seio da Natureza, mais animais carnívoros do que vegetarianos, também vemos pessoas sobrevivendo mais de carne do que apenas de vegetais. Muitas pessoas dizem que comer carne produz câncer e diminui o tempo de vida. Eu acredito que o consumo excessivo de carne tende a produzir mais doenças do que o consumo excessivo de vegetais.


O elefante e a tartaruga, que consomem vegetais, vivem por muito tempo. As vacas comem vegetais, porém morrem cedo; cães comem vegetais, mas também comem uma quantidade maior de carne, e vivem pouco tempo também. Os crocodilos comem frugalmente carne e jejuam por longos períodos de tempo, e vivem até 600 anos ou mais. Sabe-se que alguns iogues que comiam vegetais e que conheciam a super-arte de viver, viveram mais de 600 anos.


Longevidade não depende somente de alimentar-se corretamente, mas também de se respirar menos, de não sobrecarregar o coração, da eliminação apropriada, do controle da força sexual e do correto recarregamento do corpo a partir da Fonte Divina.


A interdependência da vida

No seio da Natureza, vemos que os vegetais consomem os elementos químicos do solo, e as aves, os animais e os seres humanos comem vegetais e animais. Os vegetais gostam de fertilizantes de origem animal, como o sangue seco e os ossos de corpos animais em estado de putrefação, enquanto os animais comem a carne humana. Seres humanos comem animais, vegetais e elementos químicos do solo através da comida e dos remédios; a grande e velha Terra está sempre faminta e é canibal, uma vez que de seu útero vêm todos os elementos químicos que compõem os seres vivos, e em seu grande estômago devorador todos vegetais, animais e humanos devem retornar. Isto mostra que a Terra voraz, os vegetais, os animais e os seres humanos são ao mesmo tempo vegetarianos e carnívoros.

As diferenças entre vegetais e a carne

Vegetais e animais são diferentes apenas no grau de manifestação da vida. O Prof. J. C. Bose, da Índia, provou que os vegetais têm um sistema nervoso que responde a um estimulo favorável através do prazer, e a uma influência desfavorável através da dor. Eles têm batimento cardíaco, sistema circulatório, pressão da seiva e uma vida central, em certas células das raízes – o cérebro dos vegetais. Ampute um dedo seu e você não morrerá, corte um galho e a planta não morrerá, mas remova o cérebro humano e o corpo que o continha morrerá, exatamente como ocorre quando se corta a raiz de uma planta: ela morre.

Assim como os animais respondem a certos tratadores, os vegetais crescem em abundância sob certas vibrações humanas benignas, e definham ou crescem pouco quando cultivados por pessoas com vibrações erradas. Pode-se anestesiar uma planta, fazer com que sinta prazer ou dor, ou até envenená-la e matá-la. Cortar a cabeça de uma couve-flor é o mesmo que cortar a cabeça de um carneiro. Instrumentos de precisão desenvolvidos pelo Prof. Bose nos mostram a dor e a agonia da morte em plantas torturadas ou moribundas. Um pedaço de estanho pode sentir prazer ou dor, e pode expressar suas emoções através de instrumentos sensíveis feitos pelo homem. A couve-flor abatida só pode expressar sua agonia pré-morte através dos instrumentos do Prof. Bose. Os metais e as plantas torturados não podem falar. Alguns peixes expressam sua agonia através de um grito agudo e curto. Aves e animais manifestam seus problemas através de diferentes sons específicos. O homem se aproveita do fato de que ele não entende a linguagem dos animais e os mata contra a vontade deles.

O homem civilizado não tem direito de matar os animais ou os silvícolas, somente porque não entende a linguagem deles. Mas, do ponto de vista de resposta a dor, o homem é a manifestação mais sensível da vida. Depois do homem, segundo a sensibilidade, vêm os diferentes graus de animais, peixes, plantas e minerais. O carneiro e o frango, quando estão sendo mortos, sofrem menos do que os animais que resistem e se ressentem, como o boi e o porco. A maior parte dos peixes desistem rapidamente quando estão sendo mortos.

Não há dúvida de que o ser humano possui o sistema nervoso mais sensível, através do qual ele recebe e responde a estímulos na forma de prazer ou dor. Os animais são bem menos sensíveis e sentem menos dor e prazer. O animal, sendo menos sensível do que o homem, sente menos dor do que os seres humanos durante a morte. O sistema nervoso das plantas é bem menos desenvolvido do que o sistema nervoso dos animais. Os minerais são menos sensíveis a estímulos do que as plantas. Uma martelada pode matar uma planta, um animal ou um homem, mas não consegue facilmente extrair a Força Vital de um tenaz e menos sensível metal. No entanto, por meio de repetidas batidas, até mesmo os metais perdem sua tenacidade ou atributos da vida. Portanto, do ponto de vista da expressão através de sons e da sensibilidade do sistema nervoso, pode-se dizer racionalmente que o homem sofre mais quando é morto; que o boi sob o machado sofre mais do que o carneiro ou o frango, que o peixe sob a faca sofre menos do que o carneiro, e que os vegetais, quando comparados, sofrem muito menos do que o peixe, os animais e o homem.

O canibalismo não existe apenas entre os homens, mas também entre as plantas, as aves e os animais. Lobos comem lobos. Os indígenas Jivaro comem seus prisioneiros de guerra e poupam o custo de manutenção e de despesas com a compra de carne. Eles encolhem as cabeças de seus inimigos prisioneiros até o tamanho de uma bola de tênis e as guardam como troféus de guerra, assim como caçadores penduram a cabeça dos animais que eles mataram.

O consumo de carne obviamente não pode ser condenado sob o ponto de vista de ser um ato de matar, porque o consumo de vegetais e frutas também envolve a retirada da vida; o que é palpável é que a matança de animais desperta muito mais a nossa consciência e sensibilidade humanas do que a matança de vegetais e o descascamento e a mastigação das frutas. A maior parte dos consumidores de carne bovina desistiriam de comer carne se tivessem que matar os animais para obtê-la; mas nenhum vegetariano se importaria em descascar os vegetais e cortar as cabeças das cenouras ou de qualquer outro vegetal. O fato de que a matança de animais implica derramar sangue e produzir dor demonstra claramente que os animais são parentes próximos do homem e estão se aproximando dele na escala evolutiva.

Os vegetais não gritam de dor nem derramam sangue quando são mortos. Do ponto de vista da sensibilidade humana, podemos dizer que é menos dolorido matar um vegetal do que um animal. As almas adiantadas hesitam até em remover as cabeças das rosas de seus corpos vegetais que florescem em jardins domésticos, da mesma maneira como as outras almas odeiam matar seus animais de estimação para obtenção da carne.

Carne é alimento concentrado e é fortalecedora, mas é também altamente constipante e age como retentora dos venenos corporais, sendo assim precursora de doenças. Os vegetais têm de ser ingeridos com mais paciência e não são tão concentrados quanto a carne; por isto a ingestão inapropriada de vegetais não é boa fonte de energia. Frutas e vegetais, tendo um efeito laxativo natural, favorecem a saúde e a eliminação das doenças.

Os iogues da Índia opõem-se à ingestão de carne, enquanto os seguidores do Tantra advogam seu uso. As nações que comem carne são, em geral, politicamente livres. A Índia é vegetariana e não tem sido forte o suficiente para dispersar invasões estrangeiras. Os americanos estão sofrendo de obesidade devido ao consumo exagerado de todos os tipos de proteínas, como por exemplo carne, leite e nozes. Os americanos deveriam se tornar vegetarianos. Hindus quase não têm proteína para comer e, por causa do fanatismo, abusam das dietas em que predomina o amido e, assim, morrem cedo e magros. Na Índia, os animais vivem mais do que os seres humanos.

Apenas como um meio para um fim, ou como medida temporária, a Índia atual precisa comer carneiro, bodes e aves até que possa conseguir leite e substitutos da carne em quantidades suficientes. A vida espiritual hindu, mesmo que sustentada pelo consumo de carne, faria mais benefício ao mundo do que a dos animais mudos, aos quais se permitem viver sem fazer nada. A vida humana é mais valiosa e útil a todas as criaturas do que a vida de qualquer animal. Se uma escolha tem de ser feita entre um ser humano comer carne para sobreviver ou morrer sem comer carne, e os animais sobreviverem e não serem comidos pelos homens, eu diria que os homens deveriam sobreviver às custas dos animais.

Ninguém pode escapar. Os animais são sacrificados contra suas vontades para alimentar o homem; este, então, contra sua vontade, tem de morrer para que sua carne recomponha os elementos químicos da Mãe Terra. Um bilhão e meio de pessoas multiplicado por 44,6 quilos de elementos químicos, que são retirados da terra em forma de vegetais a cada sessenta anos para alimentar as pessoas, devem, a um intervalo de cerca de sessenta anos, ser devolvidos ao solo para sustentar a saúde da Mãe Terra. Se os corpos de um bilhão e meio de pessoas, ao invés de se misturarem com o solo, evaporassem no éter a cada sessenta anos, então ao final de alguns milhares de anos, a Terra ficaria fraca e infértil, seria apenas um torrão desértico, habitado por seres humanos sempre-crescentes e devoradores como formigas.

Testes químicos que introduziram sangue de certos animais em seres humanos, mostram que algumas pessoas podem comer apenas a carne de certos animais. Esse é um meio científico moderno para demonstrar quais carnes específicas se harmonizam com cada indivíduo. Igualmente, nem todas as frutas e vegetais são apropriados para todas as pessoas. Algumas frutas causam alergias em certos indivíduos. Algumas pessoas ficam doentes quando comem cebola. Batata às vezes causa constipação. Algumas pessoas ficam muito doentes quando comem carne bovina, e outras sofrem de azia ao comerem frango. A maioria responde favoravelmente à ingestão da carne de carneiro. Descobriu-se que carne de carneiro é mais compatível com os elementos químicos dos seres humanos, do que qualquer outra forma de carne.

Em locais frios, como o Alasca, as pessoas bebem óleo e sangue de foca para se manterem aquecidas. Elas vivem de carne de peixe, foca, caribu e morsa. Assim como algumas pessoas comem vegetais e frutas secas, os esquimós comem carne seca quando um suprimento de fresca é difícil de se encontrar. Dizem que muitos esquimós morrem de tuberculose devido ao frio intenso. Algumas pessoas dizem que eles morrem devido à sua dieta de carne, enquanto outras acham que suas mortes prematuras devem-se ao fato de quererem viver a vida nãonatural do homem branco.

Descobrimos através de estudos que ambos, vegetarianos e consumidores de carne, podem viver vidas saudáveis e longas. Jesus, Buda e São Francisco comiam carne, enquanto Shankara, Chaitanya e muitos santos crísticos da Índia não comiam carne. Em uma visão, São Pedro viu alguns animais e uma voz pediu que ele os matasse e comesse.1 O mandamento “Não matarás” destinava-se aos homens, não aos animais. Moisés e Jesus, ambos comiam carne, e foi Moisés quem transmitiu os dez mandamentos.

A vida se desenvolve de maneiras diferentes, nos seus diferentes estágios. Manifesta-se nos minerais, mas seus tecidos são duros e têm de ser reduzidos a pó e condicionados antes que possam ser absorvidos pelo organismo humano. Os minerais são emulsificados e transformados em forma orgânica na vida de vegetais para que possam ser consumidos pelos organismos menos duros de outros vegetais, animais e seres humanos. Os tecidos vegetais são macios, mas raramente mostram a presença de um forte sistema central, e quando os vegetais são abatidos com facas, eles nunca gritam de dor ou derramam sangue. Seu sangue é um fluido branco viscoso chamado seiva.

A vida desenvolve os tecidos de um peixe em tecidos mais complexos do que dos vegetais. A carne de peixe é em geral branca. Peixes têm sangue e um sistema nervoso, mas poucos peixes fazem qualquer som ou protestos quando são mortos. A vida evolui ainda para formas mais complexas de animais, portanto seus tecidos são diferentes do peixe. Animais protestam em voz alta durante o processo de matança. O boi e o porco, tendo sistema nervoso bem desenvolvido, sentem muita dor durante o processo a que são submetidos e protestam em alto e bom tom a qualquer tentativa que se faça de matá-los. Eles protestam mais violentamente do que o carneiro. Isto mostra que embora os animais não possam conversar inteligentemente como os humanos; ainda assim são evoluídos o suficiente para protestarem através de sons, que estão sentindo dor e não querem ser mortos.

O homem não é morto e consumido por outros homens, com exceção em tribos primitivas de canibais, porque ele pode protestar contra seu assassinato através de sons inteligíveis. Os homens não pensariam em matar animais se estes pudessem protestar contra a matança através da linguagem inteligível ou escrita perante um tribunal. Embora cães sejam consumidos em algumas partes do mundo, ainda assim ninguém pensa em matar um cão de estimação inteligente, quase humano, para servi-lo como repasto na mesa dos homens glutões. Assim, fica evidente, do ponto de vista do protesto sonoro, que o homem é a primeira criatura a recusar a matança e, portanto, não deve ser morto.

Em seguida vêm os touros, bois, vacas, porcos, entre outros, que protestam alto o bastante que não querem ser mortos – que têm a mente e a consciência evoluídas o suficiente para perceberem o amor pela autopreservação e a injustiça no ato de se infringir dor, e portanto não devem ser mortos. Parece que os mudos vegetais, peixes e animais mansos foram intencionalmente dotados pela Natureza de um sistema nervoso menos desenvolvido, que não registra tanto a dor nem provoca protestos na forma de sons durante a dor. Essa talvez possa ser uma das razões pelas quais essas formas menos desenvolvidas foram criadas para serem sacrificadas em prol da manutenção das formas de vida mais evoluídas.

(Título original: “Meat Eating versus Vegetarianism, by Swami Yogananda”, publicado na revista East-West, abril-maio de 1935.)

domingo, 2 de março de 2008

No presente.......

" Não existe o presente, sò existe o passado e o futuro"

Essa frase me marcou e despertou em minha alma mil interrogações, na realidade mil devaneios.
Devaneios mil a flutuar e a navegar no meu pensamento que afunda
Quanto mais profunda é minha inevitàvel confusão nesse oceano de ilusão
Tudo é ilusão
E o tempo mais do que qualquer outra coisa
Mesmo se ele deixa feridas cruéis no corpo e na mente
Ele passa, ele fere
Ele rouba o que eu mais amo
Ele traz o que perdi em lembranças doces amargas
Saudade....temor....ou esperança
Nada de muito concreto
E portanto........
No presente eu vivo
O presente é ação
È dor
È prazer
È sofrimento
È felicidade......
No presente eu sou
Sou mesmo se dou voltas no passado
Sou outra e sempre a mesma
Quando vem as ondas passadas
Balançar as màgoas presentes
Jà não mais vivo no que passou
O que foi é novamente
E jà se transforma no que serà ?
Serà que jà é ?
O que foi agora ?
E se esvanece em momentos efêmeros
Do que fui em um segundo
Sendo diferente
E cada vez mais eu
No que desejo, espero
Que serà realidade
Ou que nunca nada serà........
Mas, essa dor
Me dòi agora
Ela não passa no passado
Não é a dor que serà
Ela é dor agora
Plena, inteira e real
Ela é minha existência
E ela apaga tudo que foi
Tudo que serà
Porque estou cega
Cega de dor
Porque nada mais vejo
Nada mais sou
Além da dor que me corta
Me alucina
E me faz esquecer
Até mesmo a vida
A esperança
E sò desejo uma coisa
Que a morte me leve
Jà que nada mais sou
Jà que não tenho amor
E sò me resta a dor !