sábado, 9 de fevereiro de 2008

Totalitarismo - uma sociedade sem classes

1. As massas.

[.....]
Os movimentos totalitàrios visam e conseguem organizar as massas - não as classes, como os velhos partidos de interesses dos Estados-nações europeus; nem os cidadãos tendo opiniões sobre, e interesses no empreendimento das coisas pùblicas, como paìses anglo-saxons. Se todos os grupos polìticos dependem de uma força relativa, os movimentos totalitàrios dependem da ùnica força do nùmero, a tal ponto que os regimes totalitàrios parecem impossìveis, mesmo em circuntâncias que são de uma certa maneira favoràveis, em paìses com uma população relativamente reduzida. [....] È unicamente onde as vastas massas são supérfluas ou onde é possìvel se dispensar delas sem provocar uma depopulação desastrosa, que o regime totalitàrio, diferente de um movimento totalitàrio, é possìvel. [.....]
[....] Os movimentos totalitàrios são possìveis em todos os lugares onde se encontram massas que, por uma razão ou outra, se descobriram um apetite de organização polìtica. As massas não são unidas pela consciência de um interesse comum, elas não têm essa lògica especìfica de classes que se exprime pela procura de objetivos precisos, limitados e acessìveis. O termo de massas se aplica unicamente às pessoas que, ou pelo fato do nùmero delas, ou por indiferença, ou por essas duas razões, não podem se integrar em nenhuma organização fundada no interesse comum, que seja partidos polìticos, conselhos municipais, organizações profissionais ou sindicatos. As massas existem em potênca em todos os paìses, e constituem a maioria desses vastos conjuntos de pessoas neutras e politicamente indiferentes que não aderem jamais a um partido e votam raramente.
O que caracterizou o desenvolvimento nazista na Alemanha e os movimentos comunistas na Europa, apòs 1930, foi que eles recrutaram seus aderentes nessa massa de pessoas aparentemente indiferentes e que os outros partidos haviam ignorado, julgando-as apàticas ou muito estùpidas para merecer a atenção deles.
O resultado foi que a maioria de seus aderentes eram pessoas que não haviam jamais aparecido na cena polìtica antes. Isso permitiu de introduzir métodos de propaganda polìtica novas, e também de ficar indiferente aos argumentos dos oposantes polìticos; esses movimentos não se colocavam unicamente fora do sistema dos partidos no seu conjunto e contra ele, eles encontravam uma clientela que não fora jamais tocada, jamais "estragada" pelo sistema dos partidos. Por conseguinte eles não precisavam refutar os argumentos que lhe eram opostos, e preferiram sistematicamente os métodos que conduziam à morte ao invés das tentativas de persuasão, que implicavam o terror de preferência à convicção. Eles pretendiam que os desacordos são provenientes de fontes profundas, naturais, sociais ou psicològicas, que escapam ao controle do indivìduo, e por conseguinte ao controle da razão. [....]
[....] Nòs ressaltamos muitas vezes que os movimentos totalitàrios usam e abusam das liberdades democràticas para aboli-las. Isto não é simplesmente uma habilidade diabòlica da parte dos leaders nem estupidez pueril da parte das massas. È verdade que as liberdades democràticas são fundadas na igualdade de todos os cidadãos perante a lei; portanto elas sò adquirem o senso delas e sua função orgânica na medida em que os cidadãos pertencem a grupos que os representam, ou formam uma hierarquia social e polìtica. [....]
[...] Na realidade, as massas se desenvolveram a partir dos fragmentos de uma sociedade altamente atomizada, de qual a estrutura competitiva e a solidão individual que resultavam disso eram apenas limitadas pela filiação a uma classe. A principal caracteristica do homem de massa não é a brutalidade e a ignorância, mas o isolamento e a falta de relações normais. [....]
[....] Politicamente absurda, a liquidação das classes foi literalmente catastròfica para a economia soviética. As consequências da fome provocada em 1933 se fizeram sentir no paìs inteiro durante anos; a introdução do sistema stakhanoviste em 1935, com sua aceleração arbitrària de rendimento individual e seu desprezo total das necessidades do trabalho de equipe na produção industrial, teve por resultado "uma desastrosa ruptura do equilibrio" da jovem industria. A liquidação da burocracia quer dizer da classe dos diretores de usina e dos engenheiros, privou as empresas industriais da pouca experiência e do savoir faire que tinha adquirido a nova elite técnica russa. [....]

2. A aliança provisòria entre o povo e a elite


A incostestàvel atração que exercem os movimentos totalitàrios na elite da sociedade, e não somente no povo, é mais preucupante para nossa tranquilidade de espìrito do que a lealdade incondicional dos membros dos movimentos totalitàrios e a audiência popular dos regimes totalitàrios. Seria temeràrio de ignorar, sob o pretexto de capricho artìstico ou ingenuidade intelectual, a lista impressionante de homens eminentes que o totalitarismo tem entre seus simpatizantes, seus companheiros de caminhada e seus membros regularmente inscritos. [.....][....] A mesma disposição de espìrito explica um fenômeno surpreedente: as opiniões artìsticas, amplamente divulgadas, de Hitler e Staline, e a perseguição deles contra os artistas modernos nunca conseguiram destruir a atração que os movimentos totalitàrios exerciam nos artistas d'avant-garde; isso demonstra na elite uma falta do senso das realidades, assim que um desinteresse de si mesmo pervertido, dois aspectos que se parecem muito com o mundo fictivo e com a ausência de interesse pessoal entre as massas. [....]
[....] Por outro lado, é preciso ser justo com os membros da elite que, a um momento ou outro, se deixaram seduzir pelos movimentos totalitàrios, e que, por causa de suas capacidades intelectuais, são mesmo acusadas algumas vezes de terem inspirado o totalitarismo: o que esses desesperados do século XX fizeram ou não, não teve absolutamente nenhuma influência no totalitarismo. [....] Em todos os lugares onde os movimentos totalitàrios se apoderaram do poder, todo esse grupo de simpatizantes foi varrido antes mesmo que os regimes cometam seus crimes mais monstruosos. A iniciativa intelectual e artìstica é tão perigosa para o totalitarismo quanto a iniciativa criminosa do povo, e uma e outra são mais perigosas do que a simples oposição polìtica. A perseguição sistematica de todas as formas superiores de atividade intelectual pelos novos dirigentes de massa tem razões mais profundas do que o ressentimento natural deles por tudo o que eles não podiam compreender. A dominação total não tolera a livre iniciativa em nenhum domìnio da existência: ela não tolera nenhuma atividade que não seja inteiramente previsìvel. O totalitarismo, uma vez no poder, substitui invariavelmente todos os verdadeiros talentos, sejam quais forem suas simpatias, por esses iluminados e esses imbecis de quem a falta de inteligência e de criatividade é a melhor garantia da lealdade deles.

- Hannah Arendt - O Sistema totalitàrio - As origens do totalitarismo - Cap. I - Essais
Traduzido do americano por Jean-Loup Bourget, Robert Davren e Patrick Lévy - Revisado por Hélene Frappat.



Hannah Arendt ( 1906 - 1975 )

Aluna de Heidegger e de Jaspers, ela se exilou nos Estados-Unidos em 1941.
Ela ensinou a filosofia e as ciências polìticas nas universidades mais prestigiosas dos Estados-Unidos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A elite corrompida por sua seleção.

Nossa elite não vale nada; mas nòs não devemos nos surpreender; nenhuma elite vale nada; não por sua natureza, pois a elite é naturalmente o que tem de melhor; mas por suas funções. A elite, porque ela é destinada a exercer o poder, està destinada também a ser corrompida pelo exercìcio do poder. Eu falo em geral, existem exceções.
Vamos seguir o pensamento do filho de um lavrador, que mostra inteligência para o càlculo, e que obtem uma bolsa de estudos. Se, com sua aptidão às ciência, ele tem uma natureza de bruta apaixonada, nòs o veremos, aos dezesseis anos, pular o muro, ou chegar tarde, enfim perder seu tempo, zombar de seus mestres, cair em tristezas sem fundo, e beber para se consolar; vocês o encontrarão dez anos depois em algum emprego baixo onde nòs o deixamos por caridade.
Mas eu suponho que exista uma adolescência sem tempestades, porque todas as suas paixões se tornam ambições, ou que sua cabeça domina seu peito e sua barriga; voilà um homem jovem instruìdo de muitas coisas, capaz de aprender muito ràpido qualquer coisa, que tem hàbitos de ordem e de trabalho regular, e enfim, pela ùnica potência das idéia, uma moralidade superior. Tais são, muitas vezes, aqueles que nòs escolhemos através os concursos racionalmente instituìdos, para ser no futuro os auxiliares do poder, sob o nome de diretores, inspetores, controladores; na realidade eles serão os verdadeiros reis, porque os ministros passam; e esses futuros reis são muito bem escolhidos; realmente nòs designamos os melhores; os melhores dirigirão as coisas pùblicas, e tudo deveria ser positivo.
Simplesmente é preciso compreender que nessa elite vai existir uma corrupção inevitàvel e uma seleção das mais corrompidas. Eis algumas causas. Primeiro um nobre caràter, orgulhoso, vivo, sem dissimulação, é parado imediatamente, ele não tem o espìrito administrativo.
Em segundo aqueles que atravessam a primeira porta, se abaixando um pouco, não se levantam jamais completamente.
Eles fazem casamentos ricos, que os jogam em uma vida luxuosa e no embaraço do dinheiro; eles participam das coisas pùblicas; e ao mesmo tempo eles aprendem as astùcias pela quais nòs governamos o parlamento e os ministros; aquele que quer conservar alguma franqueza ou algum sentimento democràtico, ou alguma fé nas idéias, encontra mil obstàculos indefinìveis que o afastam e o atrasam; existe uma segunda porta, uma terceira porta onde sò passam as velhas raposas que compreenderam bem o que é a diplomacia e o espìrito administrativo; sò resta para eles, de suas antigas virtudes uma fidelidade inabalàvel nas tradições, no espìrito de corpo, na solidariedade burocràtica. A idade enfim gasta o que lhes resta de generosidade e de invenção. È assim que eles são reis. E não sem pequenas virtudes; mas suas grandes virtudes estão usadas. O povo não reconhece mais seus filhos. Esta é a Razão pela qual o Esforço Democràtico é uma Necessidade Rigorosa.

- 10 février 1911 -
- Alain - Propos sur les pouvoirs - .

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Os paradoxos da ação polìtica

[.....] O bom governante, quer dizer bom na sua pròpria ordem, decide sempre sem conhecer perfeitamente, pois ele se confronta perpetualmente com a urgência da ação. Ele não deve insistir muito nas suas pròprias dùvidas, mesmo se é sadio que ele as tenha. Mas ele sabe que ele não pode durante muito tempo dissimular a realidade com grandes palavras: ele se executa a dureza do real.
È conveniente de rever a aplicação dos termos " convicção" e "responsabilidade", pois eles não cansam a postura do homem polìtico. Que todo polìtico digno desse nome deva enunciar convicções e se esforçar de agir para lhe conferir uma dimensão concreta, é uma certeza. Ele deve também agir com responsabilidade, quer dizer apreciar o estado do paìs onde ele age, medir a influência das forças nacionais ou internacionais, que, a um dado momento, são mais poderosas que o Estado, levar em conta também a receptividade da opinião - sobre a qual ele também pode agir - e agir com esse "poder social" que ele não pode apagar de repente. A vontade não é jamais absoluta, nem jamais nula. Essa consideração exige muito em termos de convicção como responsabilidade.
Os homens polìticos podem exprimir convicções mas elas podem ser muito vagas para serem seguidas de atos. Quantos polìticos afirmaram tais convicções relativas aos direitos fundamentais, à exigência de uma maior igualdade, ao crescimento da independencia da justiça ou à luta contra a corrupção, mas se encontraram demunidos, com mais ou menos honestidade intelectual, quando se trata de traduzi-las em atos ? Vàrias vezes, esse fracasso concreto na aplicação do projeto deles não era por causa do cinismo - mesmo se este veio em seguida, quando trata-se de se justificar - , mas ao esquecimento de uma realidade. A polìtica não é da ordem da paz, mesmo se ela deve visa-la. Ela não é uma troca de argumentos, segundo o modo racional descrito por Habernas, que pode sempre chegar ao consensus, mas muitas vezes seguindo a ordem da confrontação.
A polìtica é fundada em conflitos, conflitos de repartição, e das rivalidades de interesses. Uma convicção, mesmo aquela que tem a aparência mais desinteressada, representa sempre um interesse entre outros que deve, para triunfar, desfazer interesses rivais. È preciso compreender dessa maneira todo processo de democratização, compreendido no sentido amplo. Ela não pode deixar todo mundo indemne e alegre.
Um comentàrio se impõe sobre o interesse geral. Como homem dotado de crenças, o homem polìtico poderà as vezes ter a convicção intima que ele age em favor do interesse geral. Um polìtico que desprezaria essa noção poderà muito bem ser o homem de uma facção e de um "clan", e verdadeiramente ser tentado por certas formas de corrupção. O povo também tem uma certa representação do interesse geral, certo nem unânime nem concordante, e terà tendência a negar o dirigente que parecerà não estar preucupado disso. Ora, esse interesse geral, no sentido rigoroso não existe. Não é nem o interesse da maioria, nem o interesse do povo compreendido como classe. Todos esses outros interesses que não são legitimos; eles são mesmo vàrias vezes constitutivos de um programa polìtico e são percebidos pelas frações da população como o interesse geral, mas eles lhe são por natureza estrangeiros. A démystification do interesse geral é uma das funções atribuìdas aos intelectuais. Ela conduz não a invalidar a polìtica como expressão de posições particulares, mas ao contràrio a explica-las e a mostrar a origem e as motivações das decisões polìticas. È melhor então sem dùvida falar de interesse nacional, noção que indica ao mesmo tempo a finalidade por natureza do polìtico e lhe restitue sua dimensão polêmica, pois nòs não podemos lhe dar uma definição consensual. O interesse nacional supõe debates e decisões.
A expressão de convicções não é então a expressão de uma verdade, mas de escolha, sempre contestadas e contestàveis. Não existe polìtica unamiste - mesmo se certas polìticas são mais amplamente aprovadas do que outras - mas toda ação é a de um partido. Nòs podemos imaginar algumas regras gerais de responsabilidade que participam da natureza da polìtica, que não saberia querer seu pròprio desaparecimento. Assim, seria absurdo de imaginar uma polìtica Indiferente à Ruina do paìs, à Insegurança de seus habitantes, à DESTRUICÃO de TUDO o que FAZ a Força do Estado e que Leva a Uma Decadência Irreversìvel. Mas se nòs podemos excluir esse Caso Extrêmo e pouco pedagògico, a Responsabilidade polìtica deve se conceber primeiro com relação àqueles que afirmam suas convicções e que, a maioria , escolheu de aprovar seu projeto. O polìtico é responsàvel primeiro com relação àqueles que esperam muito dele e que ele não pode enganar. A idéia de um homem polìtico acima das rivalidades, que poderia conduzir uma polìtica de união da nação, constitue uma grande ilusão. A necessidade pràtica impõe as vezes de levar em conta os adversàrios e de não trata-los bruscamente - ou de preferência sò é preciso faze-lo quando nòs estamos certos de ter os meios de aniquila-los. Mas a procura de um acordo mais amplo é o caminho mais certo de trair suas convicções como sua responsabilidade.
Permanece a questão da mentira, no centro da articulação entre convicção e responsabilidade na ação concreta. Existem duas maneiras falsas da apresentar os aspectos do problema. A primeira consiste em justificar a mentira em nome da responsabilidade: seria lìcito na medida em que ela seria "corollaire" de uma responsabilidade, tràgica ou solitària, de interesses superiores que não poderiam ser divulgados e de quais a natureza deles obrigaria a recorrer à dissimulação. A segunda leva a condenar a mentira em nome da convicção: a partir do momento em que ela seria exprimida e seria a base de um contrato de confiança entre o prìncipe e o povo, nenhuma mentira seria aceita, e toda ação deveria ser transparente pois tal seria a ùnica maneira de verificar a conformidade com o objeto enunciado.Essas duas regras opostas são um pouco curtas. O que é a mentira ?
Primeiro, o fato de dissimular uma realidade ou certos atos. Ora, em um mundo que não é de maneira alguma pacificado e onde todo fato torna-se um elemento de polêmica, verdadeiramente, como toda informação, uma arma de combate, a mentira é um instrumento de governar como qualquer outro. Ela não poderia por isso, em uma democracia, constituir seu princìpio. Sobretudo, a afirmação de uma convicção não saberia ser mentirosa, ao menos de desnaturar e pervertir o conjunto do sistema de referências polìticas no cidadão. Este não apreende mais a continuidade da ação que anima o poder e não existe mais nenhuma adequação possìvel entre a palavra e a coisa. Mas em termos pragmàticos, a ùnica questão interessante é a seguinte: até onde a mentira pode ir sem suscitar uma intolerância geral e catastròfica com relação aos dirigentes polìticos ? A polìtica é muitas vezes da ordem do teatro, pois ela repousa nas emoções. Nòs podemos as vezes admitir que o polìtico tenha que mentir para fazer triunfar uma causa justa: ele pode também enunciar que uma moral é verdadeira - o que não pode ser defendido rigorosamente - e que os princìpios são eternos. Mas uma polìtica que cria seu pròprio mundo fechado de ilusões que não podem aproximar-se da realidade é perversa e antidemocràtica. A pior coisa é a mentira que não é crua. Os cidadãos sabem então que os homens polìtico mentem para eles. Eles não têm conhecimento dos fatos e das ações reais, mas eles não acreditam mais em uma realidade dos discursos. È a realização da democracia de ter não somente reduzido nossa tolerância à mentira, mas de ter construìdo os sistemas de contrapeso e de Contra-Poder, o Prìncipe deve então primeiro aprender a não mentir ou a não se encontrar obrigado de faze-lo. Machiavel, atualmente, não teria dito outra coisa - e não mentir é com certeza uma arte difìcil e complicada.

Pour une nouvelle philosophie politique - Nicolas Tenzer - Puf
Quadrige - Essais - Debats -

- Nicolas Tenzer é alto funcionàrio, presidente do Centro de estudo e reflexão para a ação polìtica ( CERAP ) e diretor da revista Le Banquet. Ele é o autor de numerosas obras de filosofia polìtica e de ensaios relativos a atualidade e ensina em escolas e universidades francesas e estrangeiras.

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Ilustrissimus Moluskus !

Eu tava quetinha no meu cantu, e là vem o sinhô cum essa estoria de coçeira falandu da Soberana Amazônia
Cumé ki é ?
U ki foi ki u sinhô disse ?
Coçeira ?
Coçeira é aquela ki ti partiu
Seu raiu de Moluskus Merdalhus !
Estupidus !
o negòcio é o seguinti :
Não gostei dessa tal di coçeira
Que coça mesmu pra danar !
E vou ti dizer uma coisa
Antes de abrir sua latrina podre pra vumitar
Pense !
Reflita !
Purkê nòs, pobrizinhos que te damus o pão de cada dia
Não somos burros não
Mesmu si o sinhô mata e rouba pra alimentar bandidu, pra alimentar gado gringu, pros gringus, qui aliàs não tenhu nada contra eles, a culpa é sua
Destruindu a Soberana Amazônia e deixandu a genti na merdalha, brigandu uns cum os outros e cum Fome !
Seu Moluskus, vai pru buracus
Do raius daquellus
Que ti parius !
Maria da LuzesIlustrìssima, Serenìssima, etc.....etc.....etc......Brasileira, morando num buraku da Europa !
Et toc !
Qui dit mieux ?
Oh lu le
Oh la la !

A administração parasitària por interesse - 11

Tem um livro de Dickens, La Petite Dorrit, que não està entre os mais conhecidos, e que eu prefiro a todos os outros. Os romances ingleses são como rios preguiçosos: a correnteza é apenas sensìvel, o barco vira sempre em vez de avançar; nòs gostamos portanto dessa viagem, e nòs não debarcamos sem arrependimento.
Nesse romance, vocês encontrarão os Moluscos de toda idade e grossura; é assim que Dickens chama os burocratas, e é um nome que me servirà. Ele descreve toda a tribo dos Moluscos e o Ministério das Circonlocutions, que é a habitação deles preferida. Existe então grandes e poderosos Moluscos, como lord Decimus Tenace Molusco, que representa os Moluscos na Haute Chambre, e que os defende quando é preciso e como é preciso; existe os pequenos Moluscos nas duas "Chambre", que tem a função, através de Oh ! e Ah ! de figurar a opinião pùblica, sempre favoràvel aos Moluscos. Existem Moluscos trabalhando um pouco em todos os lugares, e enfim um grande "banc" de Moluscos no Ministério das Circonlocutions. Os Moluscos são muito bem pagos, e eles todos trabalham para ser pagos melhor ainda, para obter a criação de novos cargos onde vem incrustar-se seus parentes e aliados; eles casam suas filhas e suas irmães com homens polìticos errantes, que se encontram dessa maneira ligados ao "banc" dos Moluscos, e têm a função de pequenos Moluscos; e os Moluscos machos, fazendo igual, se casam com mulheres bem dotadas, o que liga ao "banc" dos Moluscos o rico sogro, os ricos cunhados, para a solidez, a autoridade, a glòria dos Moluscos futuros. Esses trabalhos ocupam todo o tempo deles. Não vamos falar dos inùmeros papeis que eles fazem os subalternos redigir, e que tem por efeito de desencorajar, desacreditar, ruinar todos os imprudentes que pensam em outra coisa que na prosperidade dos Moluscos e de seus aliados. O mesmo jogo se joga com a gente, e a nossas custas. Moluscos nas Ferrovias, nos Correios, na Marinha, nos Trabalhos Pùblicos, na Guerra;
aliados de Moluscos no Parlamento, nos Grandes Jornais, nas Grandes Coisas Pùblicas; casamentos de Moluscos, almoços de Moluscos, bailes de Moluscos. Se aliar, se empurrar, se cobrir; se opor a toda enquête, a todo controle; caluniar os investigadores e os inspetores; fazer acreditar que os deputados que não são Moluscos são ignorantes e imbecis, e que os eleitores são ignorantes, bêbados, estùpidos. Sobretudo velar à conservação do espìrito Molusco, fechando todos os caminhos aos jovens loucos que não acreditam que a tribo Molusco tem seu fim nela mesma. Acreditar e dizer, fazer acreditar e fazer dizer que a Nação està perdida assim que os privilégios dos Moluscos sofrem o mìnimo ataque, voilà a polìtica deles. Eles a fazem na nossa cara, julgando mais ùtil de nos desencorajar do que se esconderem, produzindo de vez em quando um grande escândalo afim de nos provar que nòs somos impotentes, que o eleitor é incapaz, se ele não adorar o Molusco. Eles farão de Briand um Deus, e de Painlevé um rascunho e um louco; eles perderão enfim a Repùblica se ela recusa de ser a Repùblica deles. O que um grande Molusco exprimia recentemente, dizendo, em um almoço de Molusco: " Nessa decomposição universal, nessa corrupção, nessa imoralidade, nesse ceticismo, nessa incompetência que se introduz em tudo, eu sò vejo a administração que ainda resista, e é ela que nos salvarà".

- 2 Janvier 1911 -
- Alain - Propos sur les pouvoirs - Folio essais -

Quem quer Molusco ?

Olha o jeitinho Molusco
Quem quer ?
Quem vai comprar ?
Esse jeitinho Molusco
Moluscamente misérable
Miseravelmente devagar
Molusco quando fala
Bate e enrola minha gente
Nossa !
Gente !
Molusco é duro
Duro pra danar !
Quem quer Molusco ?
Quem quer comer ?
Quem vai pagar ?
Molusco gosta de merdalha
Deixa a gente com fome
Para dar ao gado
Mais pra là do que pra cà
O sal
O pão
A terra
Que minha gente
Vai destruir
Em vez de respeitar !
Que jeitinho é esse ?
Molusco pra danar
Ele mente !
Ele rouba !
Ele mata !
Mata pra reinar !
Quem dà mais ?
Quem vai pisar minha terra ?
Minha gente
Ô gente !
Molusco é merdalha
Merdalha pra danar!
O Molusco misérable
Vai plantar banana
Talvez là se encontre
A honra
Da Pàtria amada
Dessa pobre gente
Ô gente !
Jogada no inferno
Jogada no mar !
Molusco é merdalha
Merdalha pra danar !
Ô jeitinho !
Ô gente !
Oh la la !

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Religião e ideologia, segundo Hannah Arendt


"O mal se revelou mais radical do que previsto"

Toda religião tradicional, judia ou cristão, não me diz mais nada de maneira alguma na realidade. Aliàs eu não creio mais que ela ainda possa dar algum fundamento para alguma coisa tão diretamente polìtica como as leis. O mal se revelou mais radical do que previsto. Com uma expressão superficial : o Décalogue não previu os crimes modernos.....

- Hannah Arendt - Karl Jaspers, Correspondance, 1926 - 1969, Traduction d'Èliane Kanfholz - Masmer Payot, 1995.



A luta entre o mundo livre e o mundo totalitàrio teve um efeito secundàrio surpreendente: ela revelou uma tendência marcada para interpretar esse conflito com a ajuda das categorias religiosas [.....]. O fato de interpretar as novas ideologias polìticas como religiões a caràter polìtico ou secular é uma consequência paradoxal, mesmo se ela não é sem dùvida fortuita, da crìtica bem conhecida que Marx fez das religiões, recusadas como ideologias puras e simples. Mas a verdadeira origem dessa representação é mais antiga ainda. Não é o comunismo mais o ateìsmo que foi a primeira doutrina que nòs recusamos ou aclamamos como uma nova religião [....]. A razão que faz qualificar o ateìsmo de religião està intimamente ligada à natureza que revestem os sentimentos religiosos em uma época caracterizada pela secularização [....]. Nosso mundo é um mundo secularizado do ponto de vista do espìrito, porque precisamente é um mundo de dùvida. Se nòs quisessemos verdadeiramente nos desfazer da secularização, seria preciso suprimir a ciência moderna assim que a maneira pela qual ela transformou o mundo. [....] Como ideologia e mesmo se ele recusa, entre outros elementos diversos, a existência de um Deus transcendente, o comunismo difere do ateìsmo. Ele não procura jamais dar às questões religiosas respostas precisas, mas ele faz com que seus adeptos, com sua preparação ideològica, nunca questionem. Aliàs, as ideologias, que se preucupam sempre de justificar a evolução històrica, não propõem o mesmo tipo de explicação que a teologia. Esta trata do homem como um ser razoàvel que questiona e de quem a razão precisa de um acordo, mesmo se ele é suposto acreditar no que ultrapassa essa razão. Uma ideologia - e o comunismo, na sua forma totalitària politicamente efetiva, mais do que qualquer outra - trata o homem como um corpo que cai mais seria dotado de consciência e capaz de obsevar, durante a queda, as leis newtoniennes da gravidade.
Qualificar de religião essa ideologia totalitària não significa apenas lhe fazer um cumprimento perfeitamente desmerecedor, essa atitude permite também de perder de vista o fato que o bolchevisme, mesmo se ele é oriundo da història do Ocidente, não pertence à tradição comum da dùvida e da secularização e que sua doutrina, assim que as ações que ele inspirou, criaram um verdadeiro abismo entre o mundo livre e as partes totalitàrias do planeta.
Até uma data muito recente, não se tratava mais, nisso tudo, do que uma briga terminològica, e o emprego da expressão "religião polìtica" para designar movimentos polìticos explicitamente antireligiosos era apenas uma maneira de falar [.....]. Mas nesses ùltimos tempos, duas correntes de pensamento e de anàlise bem distintas adotaram essa expressão de "religião polìtica ou secular". O primeiro é a perspectiva històrica segundo a qual uma religião secular é, de maneira totalmente literal, uma religião oriunda da secularização que conhece o mundo atual, de maneira que o comunismo é apenas a variante mais radical da "hérésie immanentiste". O segundo, é a perspectiva adotada pelas ciências sociais que tratam a ideologia e a religião como um ùnico e mesmo fenômeno, porque elas pensam que o comunismo - mais isso vale igualmente para o nacionalismo, o imperialismo, etc - preenche, para seus partidàrios, a mesma "função" que a que é atribuìda às confissões religiosas em um sociedade livre.

- Hannah Arendt, La Nature Du Totalitarisme, "Religion et Politique" ( Pages 139 - 144), Traduit et Préfacé par Michelle - Iréne Brudny de Launay - Payot 1990. -


Do Iluminismo até hoje


Oriunda de uma familia judia bem assimilada de Königsberg, a filòsofa polìtica Hannah Arendt não se sentia ligada à sua fé. O interesse exigente que ela manifesta pela questão judia - lhe consagrando perto do terço de sua obra - é contemporâneo de seu despertar polìtico e à història na Alemanha dos anos 1930. Desde seu primeiro grande livro, Les Origines du totalitarisme (1951), ela se esforça de compreender a irrupção de uma forma radicalmente nova do governo no século XX: o totalitarismo. Descobrir sua natureza, que rompe completamente com os despotismos, as tiranias e as ditaduras do passado, tal é sua ambição. No fim de sua anàlise, é verificado que a ideologia e o terror são os motores desse novo tipo de regime.


Religião e polìtica


No momento da recepção de seu livro, Karl Jaspers, o mestre de sua juventude, lhe perguntou: "Yahvé não teria muito desaparecido ?" No primeiro texto acima, ela lhe responde que a religião não pode mais ser de nenhum socorro diante os crimes completamente inéditos cometidos pelo totalitarismo. Com os campos da morte, o Inferno se realizou na terra. Um mundo onde a pròpria lei ordena : "Você matarà", demonstra que o quinto comandamento bìblico e, ao mesmo tempo, as noções de pecado e de castigo não teem mais decididamente autoridade. Nòs compreendemos então que Hannah Arendt recusa como "absurda" e "blasfematòria" a expressão de "religiões politicas ou seculares" utilizada, entre outros, pelo filòsofo polìtico americano Eric Voegehn (1901 - 1985), com quem ela teve um debate, para caracterizar os totalitarismos nazi e bolchevique.
Se substituindo aos antigos credo, o nazismo e o bolchevismo anunciavam o Paraìso na terra: para o III Reich, que queria para ele uma sociedade sem Judeus, a raça aryenne era a ùnica "raça eleita"; no caso do estalinismo era uma sociedade sem classes onde o proletariado tinha a função de Messie. A adesão massiva de tais movimentos atestaria a "necessidade de religião " presente no homem, e Eric Voegelin concluia disso na necessidade de um retorno à fé.




A "lògica da idéia"


No segundo texto acima, Hannah Arendt concede que o ateìsmo é uma condição sine qua non do advento dos totalitarismos, mas ele não saberia explicar o que se passou. A seus olhos, as massas modernas se caracterizam com efeito menos pelo seu agnosticismo do que pela ausência de todo interesse comum. Nada ligando mais os indivìduos uns aos outros, eles estão prontos a acreditar em qualquer coisa. Da mesma maneira que Hannah Arendt distingue entre religião e polìtica, ela distingue também religião e ideologia, a saber, " a lògica de uma idéia". È pretendendo querer explicar a història inteira através a luz de suas idéis - a luta de raças ou a luta de classes - , que o nazismo e o bolchevismo se tornaram ideologias totalitàrias.
Fazendo isso, eles forjaram uma realidade inteiramente fictiva, que se trate da pureza original da raça aryenne ou da restauração de um reino de justiça e de abundância. Enfim, substituindo o endoutrinamento ao pensamento, eles puderam desenvolver um raciocìnio lògico onde tudo se deduz a partir de uma ùnica prémisse: a raça inapta a viver" ( os Judeus) deve ser exterminada, a "classe moribunda" ( a burguesia ) é condenada à morte. È precisamente essa lògica que colocou as massas em movimento. " O fato que uma idéia tão "vulgar" como essa de raça tenha podido ter influenciado as pessoas cultas, e que idéias tão complexas como a dialética marxista tenham podido exercer uma influência tão forte nas pessoas incultas, mostra claramente que não é a idéia, mas a lògica da idéia que se apodera das massas".

- Sylvie Courtine - Denany -

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Brasil é incapaz de preservar a Amazônia, dizem ambientalistas

O governo federal não tem disposição nem capacidade para conter a devastação da Amazônia, apesar das medidas emergenciais anunciadas na semana passada, segundo especialistas.
O preço elevado dos produtos agrícolas no mercado mundial estimula agropecuaristas a avançarem sobre a Amazônia em busca de terras baratas e desocupadas, de acordo com ambientalistas.
Entre agosto e dezembro de 2007, foram devastados 7.000 quilômetros quadrados de florestas, segundo estimativas do governo, o que representa dois terços da taxa anual.
Em resposta a esses dados, o governo Lula proibiu a extração de madeira em 36 municípios com taxa elevada de desmatamento e também cortou créditos agrícolas para essas localidades.
Anunciou também a proibição do comércio de produtos de áreas desmatadas ilegalmente e o registro obrigatório de todas as propriedades para evitar a ocupação clandestina de terras.
Na quarta-feira (30), no entanto, enquanto a ministra do Meio Ambiente sobrevoava áreas de floresta desmatadas na região de Mato Grosso, o presidente Lula minimizava a gravidade da situação.
"A notícia é preocupante, mas é como se tivesse uma coceira e achasse que é uma doença mais grave", disse Lula a jornalistas em São Paulo. Segundo o presidente, o Brasil pode reverter esse quadro neste ano.
A ministra, mesmo sob pressão de produtores rurais e agricultores mato-grossenses, disse que os dados apontando aumento da devastação estão corretos. "Vamos agir com sentido de urgência. Neste ano, com maior rigor.
"Entre julho de 2005 e julho de 2007, a taxa de desmatamento caiu em 50 por cento, para voltar a subir no semestre passado.
"Gota do Oceano" - Ambientalistas dizem que as novas medidas foram adotadas sem convicção pelo governo, e que algumas podem até aumentar o desmatamento. "É um primeiro passo positivo, mas é só uma gota no oceano", disse Paulo Moutinho, coordenador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
Para Roberto Smeraldi, diretor da ONG Amigos da Terra no Brasil, a aplicação de medidas restritivas onde o desmatamento já ocorreu pode levar madeireiros e agropecuaristas para municípios vizinhos e menos devastados.
"O governo está seguindo o desmatamento em vez de se antecipar a ele. Essas medidas podem jogar lenha na fogueira", disse Smeraldi à Reuters.
Ele lembrou que é a terceira vez em quatro anos que o governo promete regularizar os títulos de propriedade, mas desta vez se concentrando em apenas 36 municípios. "Os madeireiros estão comemorando nas cidades que se livraram -- o governo tem um histórico terrível na fiscalização", afirmou.
Paulo Barreto, pesquisador-sênior do instituto Imazon, que promove o desenvolvimento sustentável da floresta, disse que apenas 2 a 3 por cento das multas impostas a madeireiras ilegais são efetivamente pagas.
Críticos dizem que grande parte do governo prefere o desenvolvimento econômico à preservação da Amazônia, e por isso falta apoio a várias das medidas. "Marina é uma voz solitária", disse Barreto.
Enquanto envia mais soldados e cartógrafos para conter a derrubada de árvores, o governo promove o desmatamento na forma de grandes projetos de infra-estrutura e mineração, e também assentando famílias sem-terra na região, segundo Smeraldi.
O projeto de uma hidrelétrica no rio Madeira (RO) poderia atrair até 100 mil colonos para a região. "O governo levanta uma bandeira vermelha com a mão esquerda e derruba árvores com a direita", afirmou Smeraldi.
Lula, os militares e políticos nacionalistas costumam se queixar da interferência estrangeira na Amazônia. O presidente afirmou na quarta-feira que as ONGs (internacionais) "precisam é plantar árvores nos seus países deles".
Na avaliação de especialistas, os fazendeiros vão continuar derrubando árvores para ter espaço para lavouras e pasto enquanto isso for mais barato do que recuperar a área degradada.
"O governo e a agricultura precisam lidar com os problemas econômicos subjacentes ao desmatamento, repensar radicalmente sua abordagem para a Amazônia, mesmo que seja por interesse próprio", disse Moutinho.
(Amazônia.org)


http://www.ambientebrasil.com.br/noticias/index.php3?action=ler&id=36232

Recado para os Representantes politicos!

do Povo Brasileiro e do Brasil

Lembrem-se e Nunca Esqueçam :

"Não existe homem polìtico digno desse nome que, a priori, não deva se afirmar responsàvel de tudo o que "acontece" na cena pùblica. Isso significa que não existe pior Traição para um homem de ação do que a de se abrigar atràs das Disfunções pretendidas ou reais, das outras partes da sociedade. São também Indignos aqueles que acusam o povo, tal ou tal grupo social, as autoridades internacionais - particularmente europeia - ou os mercados financeiros do fracasso de tal ou tal ação. Mesmo se isso pode parecer injusto, infundado ou muito pesado para carregar, o homem polìtico é Responsàvel dos Resultados, seja qual for a força daqueles que podem compromete-los. Esse princìpio também quer dizer que a Responsabilidade do homem polìtico não é jamais limitada - em particular para um Ministro ou um Eleito, que devem Velar em tudo o que acontece no dominio deles.Um homem polìtico deve Justificar a Organização que ele realiza - particularmente na Administração - e nas Instituições. Ele não pode Nunca dizer :
" EU NÃO SABIA"
[.....]Cada dia, parece que o mundo é tràgico, que cada ação tem potencialmente consequencias temìveis relativas à vida e à morte, e que, por essa razão, nada pode ser Indiferente. Enfim, a Responsabilidade chama o poder: o homem politico é aquele que não foge diante o poder, adiando Covardemente sua Decisão.
Ele o Assume e o Considera. O homem polìtico é, como o Estado, o responsàvel de tudo que é do Dominio de sua Competência.
Em uma Democracia ele é aquele que perpetualmente deve JUSTIFICAR SUAS ACÕES.
Ademais, a Polìtica é uma Função de Convicção. [.....] Mas essa Convicção deve ter as Capacidades relativas às suas Ambições. A Afirmação de princìpios que Tolera a Indiferença quanto às suas possibilidades é uma posição Covarde e fàcil [......]"

- Nicolas Tenzer - Pour une nouvelle philosophie politique - PUF
- Nicolas Tenzer é alto funcionàrio, presidente do Centro de estudo e reflexão para a ação polìtica ( CERAP ) e diretor da revista Le Banquet. Ele é o autor de numerosas obras de filosofia polìtica e de ensaios relativos a atualidade e ensina em escolas e universidades francesas e estrangeiras.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Doutrinas políticas - 141 -

Eu nunca aconselhei a uma pessoa de mudar de opinião. Nem de mudar seus olhos por outros; mas aprendam a utiliza-los. Façam a mesma coisa com suas opiniões, tornem elas boas. Não em procurando opiniões estrangeiras, até que vocês encontrem a que é verdadeira, pois não existe nenhuma que seja verdadeira. Ninguém nunca teve, ninguém terà jamais uma idéia verdadeira; mas existe uma maneira verdadeira de ter qualquer idéia; e é de ver as coisas tortas. Nossas idéias são nossos òculos. È uma boa coisa de ter alguns òculos para considerar a aparência do planeta Marte; mas guardar a sabedoria em seus julgamentos sobre o planeta Marte, isso não depende de maneira alguma de seus òculos. Então quando vocês dizem: "Eu sou socialista, comunista, ou catòlico, ou anarquista", não se pareçam com o aprendiz de botânica que se diria : " Eu comprei um microscòpio; agora eu sou bem sàbio".Se o que eu escrevo vos surpreende, vamos vira-lo do outro lado. Vamos examina-lo pelo contràrio, como Aristote gostava de fazer. Certamente que existe uma maneira idiota de ser socialista ou monarquista ou qualquer outra coisa; basta que nòs acreditemos de preferência no que os outros dizem do que naquilo que nòs percebemos através nossos pròprios esforços, basta que a còlera empurre os julgamentos, ou que o medo prenda eles. E o pior de tudo, é de se privar de examinar com medo de mudar. Jurem primeiro; não existe nenhum espìrito firme sem juramento. Jurem primeiro, em seguida examinem. Como uma conta, que vocês podem fazer, no sistema decimal, ou em um sistema no qual a base é doze; mas jurem, isso é evidente, de não mudar de sistema durante vossa conta. O exemplo é simples; mas é preciso primeiro refletir a partir de exemplos simples. O sistema decimal é verdadeiro ou falso ? Voilà uma questão ridìcula; pois é apenas uma maneira de apreender as quantidades enumeràveis. E nòs rirìamos do fìsico que citaria alguma experiência segundo a qual o sistema decimal deveria ser considerado falso.
Como vocês superaram sem dificuldade essa besteira, pensem que existem sem dùvida outras do mesmo modelo, mas um pouco mais complicadas. Algum Sorbonnagre me puxa aqui pela manga, dizendo: " Existem fatos de fìsica segundo os quais a geometria de Euclide é falsa." Eu fico desconfiado, tendo assaz provado que não tem nenhuma de nossas concepções que seja inteiramente dependente de uma experiência; até mesmo o espìritismo; mas de preferência nossas concepções são como os microscòpios, que mostram melhor a experiência; simplesmente é preciso saber utiliza-las, o que não acontecerà jamais se nòs as trocamos todas as semanas. Que nòs sejamos comunista, monarquista, catòlico, ou o que vocês quiserem, nòs reconhecemos o heroìsmo verdadeiro nesse homem jovem que a impaciência de ter medo empurra a levantar a mão para uma missão perigosa. E cada um, assim que ele sabe utilizar seus òculos acostumados, concederà que a energia de um Marechal, que decide que uma tropa resistirà a qualquer preço, não é de maneira alguma do mesmo gênero, e não merece a mesma homenagem

.- 16 avril 1921 -
Alain - Propos sur les pouvoirs -




Qual é o sentido do advento da democracia, fazendo triunfar a ideologia do povo soberano ?
Ele vem consagrar o poder do Estado dando-lhe sua legitimidade ? Ou ele introduz a legitimidade de um Contra-Poder que visa precisamente a impedir a unificação no Estado soberano das forças ativas de uma nação, integradas no sistema da competência, a dissociar os poderes, a Limita-los, quer dizer a Controla-los ?
O sentido da democracia é a consideração de uma Conscientização é à Resistência nos espaços não unificàveis da Obediência.





« O sentimento tràgico da vida, nos lembra que a procura da justiça e da verdade não deve ser apenas o que alimenta o nosso pensamento, mas tambem e sobretudo o que nos faz viver” !

“ Le roman du monde
– légendes philosophiques Pierra – Ruiz


« Um povo é subjugado ou por um compatriota hàbil, que se aproveita da sua ignorância e das suas divisões, ou por um ladrão chamado“conquistador”, que vem com outros ladrões apoderar-se de suas terras, matando os que resistem e escravisando os covardes que eles deixam vivos”

Idées Republicaines
VOLTAIRE

Voltaire - o rei do espírito



De longe o mais conhecido e celebrado homem de letras do século XVIII, Voltaire foi a própria encarnação do Iluminismo. Vivendo sua longa existência ao largo do Século das Luzes, representou os princípios maiores daquele movimento, engajando-se em grandes causas a favor da tolerância religiosa e a favor da liberdade de expressão, tornando-o um dos mentores indiretos da Revolução de 1789.


Um deísta

"Nossa divisa é: sem quartel aos supersticiosos, aos fanáticos, aos ignorantes, aos loucos, aos perversos, aos tiranos [...] será que nos chamamos de filósofos para nada?" Diderot a Voltaire (Carta de 29.09.1762)


Estando em Paris em 1778, Benjamin Franklin soube da recente presença de Voltaire na cidade e resolveu levar-lhe o neto para que o eminente ancião o abençoasse. "Deus e Liberdade!", disse o sábio homem ao pequeno, depois de ter trocado amabilidades com o embaixador itinerante dos americanos. Deus?! Na boca daquele herético? Sim, porque ao contrário da lenda e dos padres seus inimigos, Voltaire jamais fora um ateu. Acreditava sinceramente numa inteligência superior, numa força ordenadora do universo, no grande geômetra de Newton, não no ente afirmado pelas religiões reveladas capaz de operar milagres, de fazer parar o Sol, ou de curar escrofulosos ou leprosos. Era-lhe completamente estranho o Deus dos carolas, dos fanáticos, dos supersticiosos, da burocracia eclesiástica.
Estranhamente, o que o consagrou em sua época, pelo menos até os 50 anos de idade, foram suas peças teatrais e algumas óperas, quase todas esquecidas nos dias de hoje.


O militante das luzes

O Voltaire que projetou-se através dos tempos foi o escritor engajado, o militante do Iluminismo. Neste campo foi o mais preclaro antecessor de Jean-Paul Sartre que, como esse, utilizou-se de todos os meios ao seu alcance (teatro, romances, poemas, ensaios, correspondência ou panfletos) para divulgar suas idéias. A sua personalidade dominou o mundo das letras de todo o século XVIII (tão fabuloso que Saint-Just queria que fosse imortalizado e colocado no Panteão). Tanto é assim que são incontáveis os historiadores, escritores, críticos literários, ensaístas culturais e outros que chamam-no de O Século de Voltaire. Nascido numa tradicional família burguesa em 21 de novembro de 1694, os Arouet, já bem jovem tornara-se devido ao seu espírito ferino na coqueluche dos salões parisienses e, para desgosto dos pais, um familiar do templo dos libertinos.


Embastilhado

Conhecido como autor de poemas picantes e maldosos, termina conhecendo os cárceres da Bastilha e vários exílios. Aos 32 anos de idade chegou a ser furiosamente espancado por asseclas do cavaleiro de Rohan, com quem havia desejado duelar. Uns tempos antes, em 1716, por ter feito um poema satirizando o cavaleiro La Motte e o regente, foi desterrado para Sully-sur-Loire e, em seguida, encarcerado na Bastilha. Foi lá, preso, que ele escreveu La Henriada, uma poema épico em homenagem à tolerância de Henrique de Navarra, o rei Henrique IV dos franceses que foi assassinado por Ravaillac, um católico fanático que o abateu à facadas, por ter assegurado a liberdade religiosa dos huguenotes, os protestantes franceses, por meio do Édito de Nantes, de 1598. Também foi entre aquelas pedras tristes que o cercavam que resolveu mudar o seu nome de François-Marie Arouet para Voltaire, um anagrama de arovet le ieune, "Arouet, o jovem". Antes de partir para um curto e proveitoso exílio na Inglaterra, numa hilariante entrevista que tivera com o regente Felipe (que havia despachado a carta ordenando o seu encarceramento) nas Tulherias, pediu a autoridade que, doravante, não mais se preocupasse com sua moradia. A estada entre os ingleses, ainda que só de dois anos, foi-lhe vivificante.


Divulgador de Newton

Não só esteve no enterro de Newton, sepultado em 1727, como tornou-se um ardoroso difusor das suas concepções. Deve-se a ele a propagação da física newtoniana, não só na França como no resto do continente. Para tanto, ele preparou uma excelente exposição - o Elementos da Filosofia de Newton, de 1738, escrito sucinto e acessível das idéias gerais daquele grande nome das ciências (a metafísica e a física do que Newton chamou de filosofia da natureza).

Igualmente, no seu retorno à França, orientou a sua amante Madame du Chatelêt - mulher inteligentíssima, sua companheira de laboratório - na tradução para o francês da clássica obra de Newton, a Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, ainda desconhecida no resto da Europa.

Aquele esforço de divulgação fazia parte por assim dizer da campanha dos iluministas a favor do conhecimento científico da natureza para dessa forma (na tradição herdada da filosofia clássica, abeberada no epicurista Lucrécio) afastar o pavor supersticioso que os homens tinham dos fenômenos naturais. Pois, como asseverou ele: "é preciso que reconheçam, como todas as pessoas de bom senso, que não se deve procurar na Bíblia verdades de Física, e que nela devemos aprender a nos tornar melhores e não a conhecer a natureza".

Do contrário, ao acreditarem nos "mistérios de Deus", o temor ao sobrenatural facilmente os predispunha à crença nos prodígios, nos caldeirões do inferno, na crença nos milagres e assombrações, perseverando deste modo nas sombras, entregando o seu destino e seus bens nas mãos dos sacerdotes e da Igreja Católica, agência patrocinadora-mor do obscurantismo, segundo os iluministas.


A tolerância

Aquele breve estada inglesa (1726-7) rendeu-lhe a celebridade por toda a Europa por ter escrito as Cartas Filosóficas ou Cartas da Inglaterra, coletânea extraída das suas observações, feitas no Reino Unido. Também serviu-o para convencê-lo de outras coisas: de que era muito salutar existir numa sociedade várias seitas religiosas, rivais entre si. Pois assim, enquanto os sacerdotes, os pastores e demais pregadores brigavam entre si pela conquista do mercado das almas, tentando fazer com que "cada um fosse para o céu pelo caminho que melhor lhe aprouvesse", os pensadores e cientistas eram deixados em paz, podendo livremente levar adiante suas pesquisas e seus inventos. Bem ao contrário, aliás, do que ocorria em França, onde a censura da Igreja Católica dominante, tornada sua inimiga jurada, perseguia sem tréguas os dissidentes, ameaçando-os com prisões e condenando sua obras ao fogo dos infernos. Naturalmente que as "Cartas" dele também foram devoradas nas chamas do carrasco (o livro condenado pela censura era incinerado por um verdugo oficial).

A tolerância religiosa, afirmada anteriormente por John Locke como necessária ao bom convívio social, foi reafirmada por ele, em 1763, num tratado que o imortalizou. Se por um lado notabilizou-se por emprestar sua irônica pena para vergastar todas as superstições e mitos, Voltaire acreditava ser necessário, como afirmou cinicamente num antológico verbete do Dictionnaire philosophique, de 1764, que o povo, "o populacho", como ele preferia dizer, continuasse a ser crente. Acreditar na existência do demônio atuava como uma espécie de freio íntimo - uma polícia das almas - evitando assim que os pobres cedessem à tentação do roubo ou do homicídio.


Um freio no otimismo

Distanciado do pessimismo de Pascal, cujo mundo sombrio e fatalista pessoalmente detestava, também se afastou das tendências exageradas do otimismo de Leibniz, a quem satirizou de forma impagável na sua imortal novela Cândido ou o otimismo (Candide), de 1759. Para expor a sandice dos que viam o mundo cor-de-rosa, ele imaginou a figura do professor Pangloss, um impagável filósofo otimista que acreditava que - apesar dos horrores da existência, dos terremotos, das guerras, dos saques, dos incêndios, dos autos-de-fé, da velhacaria que o cercava - "vivíamos, afinal, no melhor dos mundos possíveis!" Mas Cândido não é só uma manifestação crítica contra os exageros do otimismo, e sim uma novela de formação (o que os alemães chamam de bildungroman), na qual um jovem inocente percorre as mais diversas etapas do seu destino, descortinando um mundo por inteiro que lhe era inimaginável, conduzindo o leitor a um passeio sensacional e emocionante por tudo o que era representativo no século XVIII, da estupidez das guerras européias às missões jesuíticas no Novo Mundo.


Rousseau foi sua vítima

Outra vítima de sua pena foi Jean-Jacques Rousseau, a quem remeteu uma das mais mordazes cartas que um intelectual jamais enviara a outro.

Comentando um dos discursos no qual o genebrino defendia a idéia de que a cultura e a civilização pervertem o homem, arrebatando-o do seu bondoso estado natural, Voltaire convidou-o para que o visitasse em Ferney, colocando os pastos da sua bela propriedade à disposição, para que ali, "ruminando em companhia dos bois e das vacas", Rousseau reencontrasse sua verdadeira natureza.

Voltaire não perdoou o ataque que Rousseau fez à civilização. Afinal ele era o mais ardoroso defensor das luzes que associara ao avanço geral da cultura. Atacar uma, como o genebrino fizera no seu Discurso sobre as Ciências e as Artes, de 1750, era apagar a outra. O mal do mundo, dizia Voltaire, não vinha das letras nem das artes, mas exatamente da ausência delas, da ignorância e da superstição. O "bom selvagem" idealizado por Rousseau era um mitificação, pois nada de bom pode surgir em meio ao primitivismo e à barbárie. Logo, dizer que a vida selvagem por estar mais próxima a natureza, era melhor que a civilizada, era um desatino.

Daquela época até o fim das suas vidas, vinte e oito anos depois, os dois passaram a terçar as penas sempre que houve uma oportunidade. Certa ocasião, bastou Voltaire ter insistido em abrir um teatro em Genebra, capital do calvinismo (e cidade onde Rousseau nascera), na qual se considerava a encenação uma atividade ímpia, para que Rousseau saltasse em defesa dos censores em nome da pureza dos costumes locais.

Esta indisposição entre eles não os impediu porém de, a convite de Diderot, aceitarem participar como colaboradores de alguns verbetes da monumental Enciclopédia (Dictionnaire Raisonné des Sciences, des Arts et des Métiers) que estava em organização desde 1758, e que com seus 28 volumes tornou-se o grande monumento científico e literário do Iluminismo.


O respeito à opinião alheia

Para Julien Benda e tantos outros, a luta de Voltaire a favor da liberdade de expressão e pensamento, pela abolição da tortura, sua solidariedade para com as vítimas das perseguições motivadas por preconceito religioso (como no affair Calas e no caso Sirven), o seu combate à intolerância e à idiotia perniciosa dos ignorantes, gerou o clima para a realização das grandes modificações na legislação que nos conduziu à democracia moderna. Esmerou-se o tempo todo para que a liberdade de expressão fosse conquistada e respeitada, não importando que ele mesmo fosse o alvo de virulentas críticas. Politicamente, porém, Voltaire estava muito longe de ser um republicano, muito menos um democrata.


Visão da História

Apesar dele ser questionado por não apresentar uma filosofia da História, sua concepção dela, da História, exposta na introdução do Le siècle de Louis XIV, de 1751, não deixa dúvidas que atribuía o progresso da cultura e das letras à existência de grandes príncipes e brilhantes chefes de Estado. Para ele devia-se tudo a um Péricles, a um Augusto, aos Médici, a estadistas ilustrados que se cercavam de homens de letras, de artistas e gente sábia (tal como no passado antigo e renascentista, o ateniense fizera com Anaxágoras e Fídias, o romano com Virgílio e os florentino com Maquiavel e Bruneleschi).

A afortunada aliança do espírito com a política, do homem de letras e artes com o poder, era a chave que explicava os momentos de exuberância que os impérios alcançaram outrora. Exemplo que ele só encontrara em seu tempo com o seu amigo e correspondente Frederico II, rei da Prússia, que reuniu uma plêiade de escritores e cientistas em Sans-Souci, o seu palácio em Potsdam, nas proximidades de Berlim. Tudo enfim devia-se a uma elite refinada.

O objetivo ideológico de tal visão não era desprezar as massas ou o homem comum, que afinal, antes de Marx, ninguém atribuía um papel importante ou digno sequer de figurar na história, mas sim minimizar a importância da nobreza guerreira ou da aristocracia de sangue que, ainda no século XVIII, se acreditava a exclusiva agente da História.

Voltaire, de certo modo, pode ser visto como um precursor do positivismo, da idéia de Comte de que o moderno progresso da humanidade dependia muito mais dos cientistas, dos artistas e dos homens de letras e de negócios em geral, e não dos rei conquistadores nem dos padres como a historiografia cortesã gostava de enfatizar.


Infatigável

Voltaire foi o primeiro grande intelectual moderno a virar um grande personagem - o rei do espírito - fazendo com que sua herdade em Ferney, estrategicamente próxima da fronteira franco-suíça, se tornasse um centro de romarias, acolhendo as personalidades mais importantes daquele século. Trabalhador infatigável, era dotado de proverbial energia que o fazia estar em atividade umas 15 horas por dias (a Fundação Voltaire de Oxford coletando e publicando-lhe a correspondência, chegou a editar 75 volumes, enquanto suas obras completas somaram 58 volumes). Numa das incontáveis gravuras, ele aparece esquálido, recém-levantando-se da cama, e já ditando uma correspondência ao secretário. Atividade que não o impediu de fazer com que a sua propriedade fosse um exemplo de um empreendimento econômico bem-sucedido.


Quadro das obras

Teatro - Zaire, Merope, etc.. Umas 50 ou 60 peças, entre tragédias e comédias menores

Poema épico - La Henriade e a Pucelle

Romances e contos - Cândido, Zadig, Jeannot e Colin, Micrômegas, etc.

História - Carlos XII, O Século de Luís XIV, Essai sur les moeurs

Crítica e miscelânea - Dicionário Filosófico e ensaios literários

Correspondência - 75 volumes


Ferney

Se os reis tinham os seus caprichos, um lugar especial onde acomodavam suas preferências, Voltaire não lhes ficou atrás. Ferney, porém, não foi apenas uma habitação de um grande senhor, do senhor de Ferney. O petit domaine, como Voltaire chamou-a, tornou-se um projeto especial do filósofo, o que Jean Ornieux, um seu biógrafo, chamou de vaste entreprise pacifique. Lá ele harmonizou a produção artesanal e agrícola, ligada à pesquisa laboratoriais. Criou ali, ao sopé dos Alpes, o seu país da Cocagne: uma república platônica formada por camponeses, artesãos e operários, dirigida e administrada por um senhor-filósofo.

Ele mesmo supervisionou a construção da maison central, da casa principal, bem como as diversas oficinas que se edificaram na parte dos fundos da magnífica propriedade. Provavelmente essa experiência dele influenciou Thomas Jefferson que também, mais tarde construiu a sua Ferney em Monticello, na Virgínia, dentro do mesmo espírito.


Glória em vida

Tornou-se o escritor com os anos à consciência pública, ou melhor, era a opinião pública da sociedade européia. Graças a sua fabulosa fortuna, amealhada pelos meios os mais diversos (alguns deles escusos), pôde exercer seu métier de livre-pensador irreverente até o fim da vida, envolvendo-se em praticamente todas as polêmicas daquele século de ouro da inteligência francesa.

Ainda em vida teve a grata satisfação de ter recebido uma das maiores homenagens que um homem de letras jamais havia merecido em toda a história da França. Somente aos 84 anos de idade deixaram-no retornar a Paris (fora banido por Luís XV). Acolheu-o então uma das maiores multidões de toda a história da França. Naquela oportunidade, não só o tout Paris veio dar-lhe as boas vinda como o próprio povo consagrou-o como um dos maiores gênios da cultura nacional em todos os tempos. Quase afogado pelas homenagens, Voltaire, visivelmente emocionado, só conseguia balbuciar "assim vocês me matam!"

Curiosamente, em seguida ao seu falecimento, ocorrido em 30 de maio de 1778, alguns dos seus dentes foram distribuídos, sendo que um deles virou amuleto de um jornalista "esclarecido", um tal de Lemaître, que o guardou com a frase:

Les pêtres ont causé tant de mal à la terre/ Que j'ai gardé contre eux une dent de Voltaire

("Os padres causaram tanto mal à Terra/ que eu guardei um dente de Voltaire contra eles.")


No Panteão

Treze anos depois da sua morte, quando a revolução se afirmava, a Assembléia Nacional determinou o translado dos seus restos mortais para Paris. No dia 11 de julho de 1791, Voltaire fez sua segunda entrada gloriosa na capital. Desta vez como múmia ilustre. Bailly, o prefeito, veio esperá-lo para, ao lado da carreta aparamentada, fazê-lo desfilar perante o povo com as honras da guarda nacional até o seu repouso final no Panteão. Por um dessas ironias do destino, a festiva chegada de Voltaire quase coincidiu com o retorno sombrio de Luís XVI e da sua família, aprisionados em Varennes após a fracassada fuga em direção à Bélgica. Enquanto o rei dinástico recolhia-se aprisionado pelo povo para as Tulherias (e, pouco tempo depois, para a prisão do Templo, encontrando o seu fim no cadafalso), o rei do espírito era definitivamente inumado na necrópole dos grandes da França, onde está até hoje. Quanto ao corpo do infeliz Luís XVI nunca mais se soube dele.

Quando a procissão levando os restos mortais de Voltaire fez um alto, depois de ter ultrapassado a Pont-Royal, viu-se uma enorme placa erguida em frente à casa da Madame de Villette com os dizeres Son coeur est ici, son esprit est partout ("Seu coração está aqui, mas seu espírito está por tudo.") E assim se deu.

O julgamento livre


Nòs falamos de instrução, de reflexão, de cultura; nòs anunciamos que isso mudarà tudo; nòs observamos que isso não muda nada. Na realidade, é exercida uma pressão contìnua e muito hàbil destinada ao espìrito. Existe uma maneira de ensinar, que seja ciência, ou lìnguas, ou història, que se dirige obstinadamente contra o espìrito. O antigo aprendizado, que é apenas escravidão, està de retorno em todos os lugares, [.....]. Em suma, eu digo que o espìrito ainda não fez nada; mas é porque ele ainda não despertou. Nòs veneramos um amontoado de pedras enormes, e os verdadeiros crentes trazem cada dia uma pedra a mais. Tal é a sepultura de Descartes.
Seria preciso ousar, nòs não ousamos de maneira alguma. Mas nòs sabemos exatamente alguma coisa? A doutrina do julgamento livre està profundamente enterrada. Eu vejo apenas crentes. Eles têm esse escrùpulo, de sò acreditar no que é verdadeiro. Mas o que nòs acreditamos nunca é verdadeiro. O pensamento desperta um pouco, às apalpadelas e cai no ser; de repente, ele é coisa e tratado como coisa. Imaginem um estudante que procura uma solução que seja um nùmero, ou uma construção geométrica, ou a tradução de um verso em latim ou de um verso inglês.
Ele a procura, e é um mal estar e um pequeno suplìcio de procurar. Se ele a lê do canto do olho por cima do ombro de seu vizinho, ele se joga nela, ele é salvo; enfim ele pensa. Se ele a lê no seu pròprio papel, ou no seu pròprio discurso interior, ele se joga nela mais ainda; ele chama isso seu pensamento. Ele ganhou, tudo foi dito. Eu o comparo a um homem que cava, e que não sabe se preservar, nem pular para tràs; ele deixa seu instrumento sobre o caderno, talvez sua mão, talvez ele mesmo inteiramente. As provas são como armadilhas, um homem instruìdo é um homem em uma gaiola; cada conhecimento acrescenta um novo obstàculo. A regra de três prende o pequeno estudante, e o sistema prende o grande homem. Na Bastille também, existiam prisões mobiliadas, e outras desprezìveis para o pequeno povo.
Do que se trata então? È preciso dizer. Trata-se do espìrito de Sòcrates, do espìrito de Montaigne, do espìrito de Descartes. Trata-se de uma certa maneira de acreditar, e mesmo do verdadeiro, que deixa o espìrito inteiramente livre e todo novo. Descartes, em momentos admiràveis, pesa sua pròpria fìsica, reconhece nela suposições, ele diz, certamente falsas, e outras com certeza duvidosas. È essa maneira de se assegurar que salva o espìrito. Uma bela proposição de matemàtica é verdadeira segundo o espìrito, pela ordem e pela sequência das noções; mas, com relação ao objeto, ela é apenas uma razoàvel preparação para pensar. O quìmico inventa os àtomos e em seguida os decompõe em àtomos menores que gravitam como planetas em torno de algum sol; bela màquina para pensar mais adiante; bela construção; idéia. Mas se ele acredita que é uma coisa, que é verdade, que o objeto é dessa maneira, não existe mais pensador.
Aonde eu vou ? Sò existe um objeto que é o homem na sociedade e no mundo. E cada um, apòs séculos, tomou o partido de acreditar antes de saber. Ora, esse acreditar fanàtico é a fonte de todos os males humanos; pois nòs não analisamos o acreditar, nòs nos jogamos nele, nòs nos fechamos nele, e até esse ponto extrêmo de loucura onde é ensinado que é bom acreditar cegamente. È sempre religião; e a religião, por causa de seu pròprio peso, desce até a superstição.
Sigam as atitudes de uma partidàrio; mesmo os gritos, mesmo um empurrão feliz lhe fazem o efeito de provas. O poder volta, como régua do espìrito; e segundo a lei de potência, ele volta inteiro. Tal é o espìrito de guerra e de dominação que não està apenas no déspota, mas também no escravo. Existem coisas provadas; està claro; nòs não pensamos mais nelas; e voilà o pensamento. Ora, olhem bem, eu digo que o conteùdo não importa, e que a maneira de acreditar estraga tudo. Sobretudo que o déspota razoàvel não é durante muito tempo razoàvel. È preciso então que os homens tomem o partido de julgar, de pensar, de duvidar.
Obedecer, é preciso; mas nada é mais simples e nada é mais sadio, se simplesmente nòs recusamos de acreditar, se simplesmente o espìrito se preserva. E vocês verão, sob esses olhares atentos e livres, fortalecidos pelo saber verdadeiro, vocês verão como o déspota seria rapidamente um bom pequeno rei.

- 14 décembre 1929-
Alain - Propos sur les pouvoirs -

Sou minoria

SOU MINORIA
(Victtoria Rossini)
A voz não sai da boca
Já que essa voz não é só minha
Mas nisso não farei silêncio
Gritarei as palavras dementes
O som dos inocentes
Que não tem tom
Para exprimir-se
Nem para se defender

Sou a minoria
Sempre fui
Não elejo presidente
Meu voto não consente
Com o que vejo por ai
Não concordo com preconceito
Nunca assino no que esta feito
Nem brigo para oprimir

Já que a justiça é cega
Que lhe arranquemos a venda
Ela não vê nada mesmo
Que sejamos nós seus olhos
Que arranquemos os ódios
E a balança de suas mãos
Ela tem dois pesos
E usa duas medidas
Uma em ouro
Outra em pedra
Para punir os pecados
Dos que não lhe podem pagar

Uso os olhos que tudo vêem
E ponho sobre as minhas crianças
Crianças órfãs de conhecimento
Crianças adultas sem alento
Sem ter para onde correr
Sem ter para quem reclamar
Porque a Grande Mãe Pátria
Se prostitui a quem dá mais
Arranquemos suas roupas
Para cobrir a vergonha dos inocentes
Que dormem nas ruas
Que comem papel
E dos que mesmo tendo tudo
Se fingem contentes
Porque já não há mais para onde ir
E agora pergunto eu....
Quem me ouvirá?
Porque eu....
Eu sempre fui minoria!!
( www.victtoriarossini.blogspot.com )

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Só quero entender!

Meus caros compatriotas!
Antes de tudo sejam indulgentes comigo, eu não quero ofender ninguém, mas eu não consigo entender mais nada depois que eu li um artigo de um jornalista Inglês sobre a Amazônia.
Vou apenas falar da frase que estourou a minha probezita cabecinha de vento :
"Segundo o artigo, o desmatamento se dá, principalmente, para abrir áreas para a plantação de soja, que é exportada para alimentar o gado dos Estados Unidos e Europa.
"Meu Deus !
Eu levei um choque terrìvel, cai num abismo profundo de perplexidade, revolta e tristeza !
Mas, de tanto pensar, chorar, vomitar..... vomitar........vomitar.......procurando entender me veio uma sorte de raio.........
Se isso acontece no Brasil é porque todos os Brasileiros comem a vontade 3 vezes por dia.....
Não existe nem fome nem miséria no Brasil !
Ufa !
Levei um susto !
Jesus ! Maria ! José !
Mas então, para quê serve essa tal de bolsa familia ?
Para alimentar a Corrupção, sua burra !
E essa tal fome zero ?
Para alimentar a Corrupção, sua burra !
Madre mia ! Mea culpa !
Como eu sou estùpida !
Oh la la !

Quiproquo?

Quiproquo
Não quer dizer nada
È que nem polìtico
Aquele que se diz
O melhor amigo do povo
E uma vez no poder
Vira seu pior inimigo !


Quiproquo ?
È nada de nada
Loucura pura
E sem cura
Que nem os madereiros
Ou os insanos
Que destroem a Amazônia
Para alimentar gado no estrangeiro !!!


Quiproquo ?
Sei là não sei
È aquele sem casa
Sem terra, sem pão
Que invade tudo
Mata, rouba
Fazendo do crime
Uma razão sem razão !


Quiproquo ?
Não dà pra entender
São os rezadores de plantão
Que precisam se deliciar
Com a miséria
E o sofrimento alheio
Para se lembrar
Que eles devem rezar !


Quiproquo ?
Não dà pra explicar
Quiproquo vai là
Quiproquo ?
Oh la la !


È um vai que não vai
Balança mais não cai
È um aperto no peito
Serà que esse povo tem jeito ?

O Espírito radical - 2 - 129


A prioridade do indivíduo


O individualismo, que é o fundo do radicalismo, é atacado de todos os lados. Monarquistas e socialistas o desprezam, e o sociòlogos também, em nome de uma ciência imparcial. Isso vem principalmente de uma inversão de perspectiva de qual os sociòlogos deveriam portanto nos curar. Nòs acreditamos muito tempo que o homem primitivo estava isolado, e que ele não conhecia nem as leis nem os costumes, mas que ele seguia suas pròprias necessidades, como nòs vemos fazer muitos animais. A civilização não seria outra coisa, então, que a història das sociedades como elas são. A medida que o homem teria aprendido, por necessidade, o respeito dos contratos e o preço da fidelidade, nòs terìamos visto nascer as virtudes no sentido exato, a justiça, o direito dos fracos, a caridade, a fraternidade. Seria então viver sobretudo como cidadão, de agir e de pensar com os outros, religiosamente no sentido pleno da palavra, para escapar cada vez mais ao destino animal, e fazer a verdadeira profissão de homem.
Nòs deverìamos refletir que existem sociedades de abelhas e de formigas onde os pensamentos e as ações são rigorosamente comuns, onde a salvação pùblica é adorada sem càlculo e sem hipocrisia, e onde nòs não percebemos portanto nem progresso, nem justiça, nem caridade. Mas, bem melhor, os sociòlogos provaram, com mil documentos concordantes, que os homens primitivos, na medida que nòs podemos saber, formam sociedades com castas, costumes, leis, regulamentos, ritos, formalidades que mantêm os indivìduos em uma rigorosa escravidão; escravidão aceita, melhor ainda, religiosamente adorada; mais ainda é muito pouco dizer; o indivìduo não se pensa ele mesmo; ele não se separa de maneira alguma, nem em pensamento nem em ação, do grupo social, no qual ele està ligado como meu braço està ligado a meu corpo.
A palavra religião exprime mesmo muito mal esse pensamento rigorosamente comum, ou melhor essa vida rigorosamente comum, em que o cidadão não se distingue mais da cidade da mesma maneira que a criança não se distingue de sua mãe durante o tempo em que ela a carrega no colo. Um pensador disse: "Como a roseira brava sempre foi lande, o homem sempre foi sociedade."
Nòs poderìamos adivinha-lo; nòs sabemos, é ainda melhor. Isso faz compreender o poder da religião e dos instintos sociais; mas como a sociedade mais solidamente ligada rejeita de todas as suas forças tudo o que se parece com a ciência, a invenção, as conquistas das forças, e tudo o que assegura a dominação do homem no planeta. E é muito verdadeiro que o homem, nesse estado de dependência, não tinha vìcios no sentido exato; mas nòs podemos dizer com razão que a sociedade tinha todos os vìcios, pois ela agia como um animal sem consciência; por isso as guerras e os sacrifìcios humanos, uma formigueira humana, uma colmeia humana em suma. Então o motor do progresso deve ter sido alguma revolta do indivìduo, em algum livre pensador que foi sem dùvida queimado. Ora a sociedade é sempre poderosa e sempre cega. Ela produz sempre a guerra, a escravidão, a superstição, através seu pròprio mecanismo. E é sempre no indivìduo que a Humanidade se encontra, sempre na Sociedade que a barbaridade se encontra.
- 17 avril 1911-
- Alain - Propos sur les pouvoirs -

Futebol dos filósofos!

( http://br.youtube.com/watch?v=moWZm66J_yM&feature=related )

Desmatamento é tema "incontornável", diz negociador dos EUA


O Brasil não terá como fugir do tema do desmatamento nas negociações internacionais sobre o meio ambiente e a questão da manutenção das florestas já é um assunto "incontornável" para as principais diplomacias do mundo. O alerta é de um dos principais formuladores da política ambiental americana, Daniel Reifsnyder.
Em declarações ao Estado, o norte-americano que chefia o Departamento de Meio Ambiente da Secretaria de Estado estima que não há como forçar um acordo sobre o Brasil para limitar o desmatamento. Mas alerta que uma solução terá de ser encontrada para o problema.
"Os níveis de emissões de CO2 do Brasil não são muito grandes. Mas o problema é que o desmatamento de florestas pode representar até 20% de todas as emissões. Por isso a preservação da cobertura florestal é essencial", afirmou o americano que tem em seu curriculum a negociação de mais de 15 acordos ambientais em nome da Casa Branca. "A questão da floresta não sairá da agenda internacional. Não há como escapar dessa realidade", disse o representante de Washington.
O governo americano quer que os países emergentes, como o Brasil, aceitem negociar no âmbito do G-8, neste ano, uma meta global de longo prazo para a redução de emissões de CO2. O grupo de países industrializados é presidido em 2008 pelo Japão, mas terá Brasil, China, Índia, México e África do Sul como convidados a debater uma série de assuntos.
Nos últimos anos, países como a Alemanha, França e outros têm insistido na necessidade de o Brasil, China e Índia também aceitarem metas de corte de emissões de CO2. Os países emergentes, porém, alegam que não poderiam aceitar tais restrições, temendo perdas no crescimento econômico. "Aceitamos a tese do crescimento econômico e queremos trabalhar em uma solução que considere esse aspecto", afirmou Reifsnyder.
A idéia da Casa Branca é de que uma taxa de corte de CO2 seja estabelecida para os próximos 20 ou 30 anos. "Passaremos então a negociar qual será a responsabilidade de cada um dos governos nessa visão para o futuro, inclusive a responsabilidade dos emergentes e como podemos ajuda-los", disse.
O americano, que afirma ter passado os últimos anos debatendo como convencer os emergentes a aceitar uma meta de redução de CO2, admite que um acordo com o Brasil nunca conseguirá ser imposto ao País.
"Se fizermos isso, eles (brasileiros) vão abandonar o processo, como nós fizemos com (o Protocolo de) Kyoto", afirmou. "Precisamos construir uma nova forma de confiança entre os governos e, assim, tenho certeza de que as negociações vão poder continuar", disse.
"Sabemos que esses países são contrários a metas específicas. Mas acreditamos que há uma chance de se negociar pelo menos uma visão comum de quanto o mundo precisa reduzir em termos de emissões", completou Reifsnyder.

(Estadão Online)

Agricultor mostra como produzir conservando a floresta


Agricultores familiares de 15 municípios da região da BR-163 e da Bacia do Xingu em Mato Grosso - entre eles Alta Floresta, Nova Ubiratã, Juína e Vila Rica, incluídos na lista dos maiores desmatadores e sujeitos às rígidas regras de controle determinadas por decreto presidencial - demonstram, na prática, que é possível produzir na Amazônia e melhorar o padrão sócio-econômico de suas comunidades conservando a floresta e recuperando áreas degradadas. Quase todos assentados pelo INCRA, esses agricultores receberam apoio do Ministério do Meio Ambiente por meio do PDA/PADEQ, que investiu R$ 2,1 milhões no programa, para implantar sistemas de produção sustentáveis e criar uma rede de integração socioambiental. O trabalho começa a alcançar resultados, consolidados na publicação "Alternativas Econômicas Sustentáveis para a Agricultura Familiar".
A Rede BR-163/Bacia do Xingu é coordenada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lucas do Rio Verde e congrega nove projetos demonstrativos. Iniciados com foco na prevenção e controle das queimadas florestais, há dois anos eles recebem apoio técnico e financeiro do MMA para buscar alternativas de produção agroflorestal - lavoura, fruticultura, mudas para reflorestamento e apicultura - e pecuária em pasto sustentável. São projetos pequenos que envolvem cerca de 500 famílias. Mas são exemplares, tanto para demonstrar a viabilidade de novas práticas e tecnologias de produção como para orientar políticas públicas.
"O poder público ainda tem poucos parâmetros para executar políticas de fomento para esse tipo de atividade. É preciso ter noção de custos, necessidade de investimentos, resultados, retorno econômico e social seja para conceder financiamento, para implantar infra-estrutura ou atender a qualquer outra necessidade daquelas comunidades. São essas informações, esses parâmetros, que estamos gerando nos projetos demonstrativos", explica o analista ambiental Rodrigo Noleto, um dos responsáveis pelo programa PDA/PADEQ.
Entre as experiências relatadas na publicação da Rede Br-163/Bacia do Xingu estão a de seis comunidades do município de Carlinda, que criam gado em pastos sustentáveis, compatível com a floresta, e conseguiram fazer o controle biológico da cigarrinha, praga que destroi o capim na região; a da produção de mel, associada à fruticultura no Assentamento Califórnia, da cidade de Vera; e à de produção de mudas no Projeto Loreta para reflorestar nascentes e margens de rios e promover a exploração agroflorestal nas áreas recuperadas. O relato de cada experiência é acompanhado de informações básicas sobre a técnica utilizada pelos agricultores.
"O mais difícil, numa iniciativa dessa, é mudar a prática das pessoas, mostrar que elas podem fazer diferente. Plantar, criar animais, tirar seu sustento da terra de forma sustentável. Por isso, é importante alguém receber apoio para fazer primeiro e provar que dá certo", acredita Nilfo Wandscheer, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lucas do Rio Verde.

(MMA)

sábado, 2 de fevereiro de 2008

O Espírito radical ( 1 ) - 124


A prioridade do homem

A ordem encerra por ela mesmo uma espécie de religião, e talvez toda a religião. A linguagem aqui nos ensina, através uma riqueza de senso sem igual. Nòs dizemos ordem para dizer comandamento; ordem e desordem, na oposição delas, têm um sentido bem claro; nòs dizemos palavra de ordem - mot d'ordre - , o que designa uma sorte de pensamento que nega o pensamento; as ordens religiosas encerram o cìrculo, reunindo todos esses sentidos em uma ùnica procissão ou um cortejo, que não tem outro fim do que ele mesmo. A ordem se termina em si e vale por si. O que é um regimento que desfila ? È uma ordem que se afirma primeiro nela mesmo. Nada comanda melhor do que o tambor; e o que é o tambor, senão o que engrossa o barulho dos pés ? Mas qual é o pé que comanda ? Todos os pés regulam cada um; e cada um todos. Marchar em ordem é a razão de marchar em ordem. È um prazer e é mesmo uma necessidade; o semelhante imita o semelhante, pelo simples fato que ele o vê fazer. O homem que vê o pàssaro ou o cavalo tenta por essa razão imitar o vôo do pàssaro ou o galope do cavalo. Ele não consegue. Mas se é um homem que ele vê, ele o segue.

Ademais a imitação é uma maneira de aprender e de se salvar. Na guerra, assim que um homem mergulhava, todos mergulhavam, eu quero dizer se jogavam no chão, esse movimento maravilhosamente instantâneo, e que nòs aprendemos tão ràpido. Mas a profunda razão de imitar e o prazer de imitar derivam da semelhança. As festas e as cerimônias são jogos de imitação que tem o objetivo de dar prazer. È preciso consentir que esse prazer não envelhece. È explorar o semelhante, experimenta-lo, reconhece-lo e se reconhecer. Esse tipo de pensamento é a parte profunda de todos os nossos pensamentos. Quando eu penso um objeto, eu me proponho dois fins: pensar conforme o objeto, e pensar como meu semelhante. A geometria mostra isso; pois ela define o cubo, a esfera, e coisas desse gênero, mas ao mesmo tempo ela define o homem pensando.

Então não é pouca coisa de saudar e ser saudado, sorrir a quem sorri, de seguir quem marcha e de repetir exatamente o que ouvimos. Existe uma parte de dança e de canto em todas as ações em comum, e não é a que importa menos. A ordem é então causa e efeito. Nòs damos uma atenção que é uma adesão; é pouco dizer que nòs a aprovamos; nòs somos seu mestre e seu servidor. Assim a ordem não é imposta, nem desejada; ela é inferior ao impor e ao querer; ela pertence à vida como respirar.

Eu seguia esses pensamentos, que trazem tão bem todos os nossos pensamentos, como eu observava o vôo dos pàssaros. Eles faziam apenas um ser, se bem que cada um deles se movesse em um cìrculo de fantasia. Eles se afastavam, se relaxavam pelos lados, depois se reuniam, como seguros por fios elàsticos. O conjunto ondulava como um tecido ao vento. Nenhuma aparência de chefe; era o todo que governava as partes, ou de preferência cada um dos pàssaros se encontrava governando e governado, cada um imitando o vizinho, e o mìnimo afastamento de um inclinando um pouco todos os outros. Onde existia apenas uma coisa, que um deles voando comunicava seu pròprio movimento aos outros pelos olhos e pelas orelhas, o que resultava no que nòs chamamos tão bem uma emoção, quer dizer, pela semelhança, justamente o mesmo movimento; toda mudança resultava na mesma coisa.

A palavra de ordem vinha de todos e os levava todos. È assim que em uma dança nòs não devemos pensar que os movimentos sejam regulados por algum barulho exterior; isso, é a aparência. Na realidade, é o pròprio barulho da dança que regula a dança; e a mùsica de dança mais antiga foi o barulho dos pés, onde as diferenças são continuamente apagadas. È assim que em todos os lugares onde semelhantes são reunidos, a ordem nasce e renasce. Rei invisìvel e presente; no sentido exato, Deus.

- 18 Janvier 1930 -

- Alain - Propos sur les pouvoirs -

'Plano Marshall' para salvar a Amazônia



Colunista britânico defende 'Plano Marshall' para salvar a Amazônia


Os países ricos deveriam criar um fundo nos moldes do Plano Marshall para ajudar a preservar as florestas tropicais do mundo, segundo o colunista Johann Hari publicada nesta quinta-feira (31) pelo diário britânico The Independent.
Para Hari, o desmatamento das florestas tropicais - e da Amazônia, em particular - está sendo causado pelas necessidades de consumo dos países ricos.
Ele diz que seria "reconfortante" jogar a culpa pela falta de competência na proteção das florestas sobre os ombros dos países que as administram, mas que, na verdade, os culpados seriam os consumidores nos países ricos.
"A destruição da Amazônia está sendo atualmente promovida e impulsionada por mim e por você, através de nossas escolhas como consumidores e do dinheiro de nossos impostos," diz Hari.
O colunista afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi bastante franco ao apresentar as opções: ou os países ricos incentivam financeiramente os países em desenvolvimento a preservar suas florestas, ou eles vão continuar a explorar as florestas, antes que o aquecimento global e a exploração ilegal acabem com elas em uma geração."
Ele está certo. Em defesa própria, os países desenvolvidos precisam criar um fundo - ambicioso como o Plano Marshall (plano americano de reconstrução da Europa aliada após a Segunda Guerra) - para preservar as florestas tropicais que ainda restam e assim evitar a desestabilização drástica de nosso clima.
"Bélgica queimada - Segundo o colunista, o aumento do desmatamento da Amazônia, "principal notícia do ano", passou "despercebida" pelos noticiários britânicos.
Mas ele lembra que uma área do tamanho da Bélgica, que levou milhares de anos para evoluir, foi destruída apenas no ano passado.
"Cerca de 20% da floresta já foram para o lixo e outros 40% devem ser destruídos ainda durante a minha vida.
Isso está acontecendo com todas as florestas tropicais do mundo.
"Segundo o artigo, o desmatamento se dá, principalmente, para abrir áreas para a plantação de soja, que é exportada para alimentar o gado dos Estados Unidos e Europa."
O desmatamento também é motivado por uma série de outras necessidades do mundo rico. Atualmente não há nenhuma restrição legal na Grã-Bretanha ou nos Estados Unidos à venda de madeira explorada ilegalmente na Amazônia.
A mania dos biocombustíveis também está (ironicamente) levando a queimadas na floresta para abrir caminho para plantações de cana-de-açúcar."instituição supostamente admite ter "encorajado multinacionais a entrar na floresta e causar danos irreversíveis".
Um ex-funcionário de alto escalão do Banco Mundial citado na matéria, Robert Goodland, diz que esse comportamento não era visto como anomalia dentro do banco, visto que o foco da instituição era o de "ajudar empresas multinacionais a extrair petróleo, gás e outros recursos naturais de países em desenvolvimento".
Hari diz que essa situação "deixa o governo britânico em uma situação bizarra. Com uma mão, ele paga os governos da Guiana e do Congo para preservarem suas florestas, com a outra, ele dá dinheiro para que o Banco Mundial peça a países que façam exatamente o oposto."
Ele sugere que o governo britânico deixe de repassar fundos para o Banco Mundial até que a instituição transforme radicalmente sua política ambiental.
O colunista também sugere ações simples aos leitores para ajudar no combate à destruição da Amazônia:
"Há algumas escolhas pessoais fáceis, diminuir ou parar o consumo de carne, examinar a origem da madeira que você compra e não usar biocombustível." (Estadão Online)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Desativado por ser barato ! ! !

PIONEIRA Há mais de três décadas Clara Brandão criou um composto alimentar que revolucionou a nutrição infantil


A cena foi comovente. O vice-presidente José Alencar preparava-se para plantar uma árvore em Brasília quando foi abordado por uma nissei de 65 anos e 1,60 m de altura. Era manhã da quinta-feira 6. A mulher começou a mostrar fotografias de crianças esqueléticas, brasileiros com silhueta de etíopes, mas que tinham sido recuperadas com uma farinha barata e acessível, batizada de 'multimistura'. Alencar marejou os olhos. Pobre na infância no interior de Minas, o vice não conseguiu soltar uma palavra sequer. Apenas deu um longo e apertado abraço naquela mulher, a pediatra Clara Takaki Brandão. Foi ela quem criou a multimistura, composto de farelos de arroz e trigo, folha de mandioca e sementes de abóbora e gergelim. Foi esta fórmula que, nas últimas três décadas, revolucionou o trabalho da Pastoral da Criança, reduzindo as taxas de mortalidade infantil no País e ajudando o Brasil a cumprir as Metas do Milênio. E o que a pediatra foi pedir ao vicepresidente? Que não deixasse o governo tirar a multimistura da merenda das crianças. Mais do que isso, ela pediu que o composto fosse adotado oficialmente pelo governo. Clara já tinha feito o mesmo pedido ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão - mas ele optou pelos compostos das multinacionais, bem mais caros. 'O Temporão disse que não é obrigado a adotar a multimistura', lamenta Clara.
Há duas semanas a energia elétrica da sala de Clara dentro do prédio do Ministério da Saúde foi cortada. Hoje, ela trabalha no escuro. 'Já me avisaram que agora eu estou clandestina dentro do governo', ironiza a pediatra. Mas ela nem sempre viveu na escuridão. Prova disso é que, na semana passada, o governo comemorou a redução de 13% nos óbitos de crianças entre os anos de 1999 e 2004 - período em que a multimistura tinha se propagado para todo o País.
Desde 1973, quando chegou à fórmula do composto, Clara já levou sua multimistura para quase todos os municípios brasileiros, com a ajuda da Pastoral da Criança, reduto do PT. Os compostos da multimistura têm até 20 vezes mais ferro e vitaminas C e B1 em relação à comida que se distribui nas merendas escolares de municípios que optaram por comprar produtos industrializados. Sem contar a economia: 'Fica até 121% mais caro dar o lanche de marca', compara Clara.
Quando ela começou a distribuir a multimistura em Santarém, no Pará, 70% das crianças estavam subnutridas e os agricultores da região usavam o farelo de arroz como adubo para as plantas e como comida para engordar porco.
Em 1984, o Unicef constatou aumento de 220% no padrão de crescimento dos subnutridos. Dessa época, Clara guarda o diário de Joice, uma garotinha de dois anos e três meses que não sorria, não andava, não falava. Com a multimistura, um mês depois Joice começou a sorrir e a bater palmas. Hoje, a multimistura é adotada por 15 países. No Brasil só se transformou em política pública em Tocantins.
Clara acredita que enfrenta adversários poderosos . Segundo ela, no governo, a multimistura começou a ser excluída da merenda escolar para abrir espaço para o Mucilon, da Nestlé, e a farinha láctea, cujo mercado é dividido entre a Nestlé e a Procter & Gamble . 'É uma política genocida substituir a multimistura pela comida industrializada', ataca a pediatra. A coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, reconhece que a multimistura foi importante para diminuir os índices de desnutrição infantil. 'A multimistura ajudou muito', diz. 'Mas só ela não é capaz de dizimar a anemia; também se deve dar importância ao aleitamento materno.' ISTO É' procurou as autoridades do Ministério da Saúde ao longo de toda a semana, mas nenhuma delas quis se pronunciar. 'O multimistura é um programa que não existe mais', limitou-se a informar a assessoria de imprensa.

Origem do Estado.

O sociòlogo me diz: " Nòs serìamos tentados de explicar toda a organização social pela necessidade de comer e de se vestir, o Econômico dominando e explicando então todo o resto, mas é possìvel que a necessidade de organização seja anterior à necessidade de comer. Nòs conhecemos povos felizes que não têm nenhuma necessidade de vestimentas e colhem o alimento deles estendendo a mão; mas eles têm reis, padres, instituições, leis, uma polìcia; eu concluo que o homem é cidadão por natureza, e que ele gosta da administração por ela mesma.- Eu concluo, eu lhe disse, outra coisa, é que o Econômico não é a primeira necessidade. O sono é bem mais tirânico que a fome. Nòs concebemos um estado onde o homem se alimentaria sem dificuldades; mas nada o dispensarà de dormir; tão forte e tão audacioso que ele seja, ele serà sem percepções, e por conseguinte sem defesa, durante o terço de sua vida mais ou menos. Então é provàvel que suas primeiras inquietudes lhe vieram dessa necessidade; ele organizou o sono e a vigilância: alguns montaram a guarda enquanto os outros dormiam; tal foi o primeiro esboço da cidade. A cidade foi militar antes de ser econômica. Esses selvagens de quem você fala, tinham que se defender contra seus vizinhos, contra os animais ferozes, contra as cobras. Eu creio que a Sociedade é filha do medo, e não da fome. Melhor ainda, eu diria que o primeiro efeito da fome deve ter sido de espalhar os homens em vez de os reunirem, todos indo procurar seu alimento justamente nas regiões menos exploradas. Mas, enquanto o desejo os espalhava, o medo os reunia. De manhã, eles sentiam a fome e se tornavam anarquistas. Mas de noite eles sentiam a fadiga e o medo, e eles amavam as leis.


Assim, como você gosta de desfazer o tecido social afim de compreender como ele é feito, não esqueça que a relação "militar" é o suporte de todas as outras, e ela é como a base que mantem a tapisserie.


- Bem, ele disse. Nòs arrumaremos as necessidades na ordem seguinte: a necessidade de ser protegido ou de dormir em paz, em seguida a necessidade de comer, e enfim a necessidade de possuir, que é apenas a necessidade de comer na imaginação antes de sentir a fome ?


- Eu não sei, lhe respondi, se você tira do medo todas as virtudes sociais que ele encerra. O sono é o pai dos vigilantes e das forças armadas; ele é o pai dos sonhos também; disso um outro medo, o medo dos mortos e dos fantasmas, de onde saiu as religiões. O soldado afastava os animais ferozes, e o padre afastava os espìritos. Uma caserna e um templo, tais foram as bases da sociedade primitiva. Foi bem mais tarde que a màquina e a usina terminaram a obra.


- E a necessidade de procriar, onde a colocaremos ?


- Eu a colocaria, eu lhe disse, ao lado do Econômico, entre as necessidades antisociais. Pois todas duas armam o homem contra o homem. Mas o sono é um rei ainda mais poderoso. Nòs elogiamos o sol, mas nòs tememos a noite. Eis porque a trompa dos pastores e a sineta dos rebanhos fala tão forte ao nosso coração, quando o dia vai embora. O noite, "rainha das cidades".



- Alain - Propos sur les pouvoirs - Folio essais.